Aumento do nível de açúcar no sangue pode ocasionar complicações, mas especialistas garantem que não existem restrições absolutas na alimentação

Festas de final de ano, como a do Natal, são cheias de alimentos ricos em carboidratos, exigindo equilíbrio dos pacientes
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Festas de final de ano, como a do Natal, são cheias de alimentos ricos em carboidratos, exigindo equilíbrio dos pacientes

A estudante Luciana Mangini Martines, de 31 anos, foi diagnosticada com diabetes tipo 1 aos dez anos, mas só depois de uma festa de ano novo descobriu o quanto a doença poderia interferir na sua vida. Há onze anos, no primeiro dia de 2005, Luciana acordou com a visão completamente embaçada.

A jovem tinha desenvolvido um edema macular diabético, uma complicação decorrente ao diabetes . Ela acredita que o consumo excessivo de carboidratos nos dias anteriores foi o que desencadeou um quadro que já estava no limite.

De acordo com especialistas, as complicações só ocorrem após longos períodos com a glicose acima do recomendado, mas, ainda assim, é preciso equilíbrio durante as festas. Hoje, Luciana conseguiu reverter parcialmente o problema na visão e controla mais a alimentação. A estudante afirma que, para quem já não consome uma dieta balanceada ao longo do ano, ter equilíbrio durante uma festa é mais difícil.

“Eu sempre meço minha glicemia antes de comer. No Natal, por exemplo, eu aumento o número de medições”, explicou Luciana, que faz uso de bomba de insulina desde 2014. “Acredito que o melhor é sempre conversar com o médico e não exagerar no açúcar, mesmo usando a bomba. Prefiro comer comidas açucaradas apenas em datas especiais.”

De tudo, mas com moderação

Bebidas alcóolicas também devem ser consumidas com cuidado, principalmente por pacientes de diabetes tipo 2
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Bebidas alcóolicas também devem ser consumidas com cuidado, principalmente por pacientes de diabetes tipo 2

Segundo Dr. Marcio Mancini, endocrinologista responsável pelo Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), cada paciente pode ter uma orientação diferente, mas não há restrições absolutas aos diabéticos. Pode-se comer de tudo, desde que de forma moderada.

Ele alerta que é preciso tomar cuidado com o “mito” do light e o diet. Um chocotone diet, por exemplo, pode até mesmo ter mais carboidratos que um normal. Apesar de na caixa estar escrito “zero açúcar”, a pessoa precisa ficar de olho na quantidade de carboidratos.

Em alguns casos, é necessário aplicar mais insulina nestes dias de festa, por isso, é essencial realizar a contagem de carboidratos e tirar todas as dúvidas que a pessoa possa ter com o especialista que o acompanha. Só um médico pode indicar a quantidade necessária.

A endocrinopediatra Denise Ludovico concorda que o paciente pode comer tudo, mas em quantidades moderadas. A especialista aconselha a pessoa a medir mais vezes a glicose em dias que sabe que a alimentação vai mudar.

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Os portadores de diabetes tipo 2 que usam medicamentos para controlar a doença devem evitar grandes refeições e tentar fracionar a quantidade de alimentos que vão consumir ao longo do dia. É preciso tomar cuidado também com bebidas alcóolicas, que podem alterar o efeito do remédio e conter muito carboidrato.

“Não se prive, mas não abuse demais também”, aconselha Dr. Marcio Mancini. Ele explica que o ideal é ter equilíbrio todos os dias, já que um controle muito rígido também pode causar hipoglicemia. Além disso, as frutas secas, que são muito servidas, no final do ano, apesar de desidratadas não deixam de ser uma fruta comum. “A contagem deve ser feita como se a pessoa estivesse comendo uma fruta normal.”

Outra dica da Dr. Denise Ludovico é manter as atividades físicas mesmo nesta época do ano, algo essencial para manter saudáveis os níveis de açúcar no sangue.

Crianças

Médicos aconselham pacientes a medir mais vezes a glicose em dias que vão participar de festas e mudar a alimentação
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Médicos aconselham pacientes a medir mais vezes a glicose em dias que vão participar de festas e mudar a alimentação

No caso dos pacientes mais novos, os pais ou responsáveis também devem estar atentos ao dia a dia das crianças e adolescentes. O filho da endocrinologista Vanessa Montanari descobriu o diabetes em julho de 2012. Lucas, hoje com dez anos, sempre aceitou bem a própria condição, só sentia um pouco de dificuldade na hora da contagem de carboidratos e de colocar a insulina.

“Principalmente na escola, em que as aplicações de insulina tinham que ser realizadas na hora do lanche e o estigma da agulha ainda é um problema. A falta de interesse e capacitação das escolas e dos professores podem prejudicar muito a aceitação da doença pela criança”, explicou Vanessa. Para a mãe, neste momento foi essencial ensinar ao filho a como se cuidar sozinho e como explicar aos colegas e professores o tratamento do diabetes. Hoje, entretanto, ele já usa a bomba de insulina e não precisa mais das agulhas.

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Quando a família vai para uma festa, não há restrição, o foco é na contagem de carboidratos. “Foi um grande avanço, pois evita as restrições alimentares nessas crianças, provocando exclusão destas e vários problemas psicológicos. Pode comer brigadeiro? Pode sim, aplicando insulina, sempre pode.”

Vanessa aconselha outras mães com filhos diabéticos a agir com firmeza e amor, evitando restrições excessivas. “Procurem sempre locais de educação em diabetes, para aprenderem a cuidar de seus filhos sem muitas limitações. Porque diabetes não limita, faz crescer jovens muito capazes e fortalecidos por aprender desde cedo o auto cuidado.”

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