Cientistas constataram que o uso de um comprimido por dia pode ajudar a recuperar a pessoa depressiva em até duas semanas; veja todos os detalhes

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a depressão no mundo todo, segundo a OMS
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Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a depressão no mundo todo, segundo a OMS

Uma novidade revelada pela ciência pode ser uma ótima alternativa aos antidepressivos. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, a solução para a depressão poderia estar nos comprimidos de magnésio.

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Os resultados do estudo afirmam que o uso desses comprimidos pode melhorar significativamente a depressão em apenas duas semanas, e os efeitos colaterais são mínimos, comparados às drogas tradicionais usadas para o tratamento dessa condição.

Os cientistas afirmam que o magnésio é capaz de combater as reações químicas que alteram o cérebro quando é constatada a síndrome, conforme afirma a autora da pesquisa, Emily Tarleton.

"Os resultados são muito encorajadores, dada a grande necessidade de opções de tratamento adicionais para a depressão, e nossa descoberta de que a suplementação de magnésio fornece uma abordagem segura, rápida e barata para controlar os sintomas depressivos", disse ela ao Daily Mail.

De acordo com análise, pouco mais de 60% dos participantes do estudo disseram que usariam suplementos de magnésio para gerenciar sua depressão no futuro após fazerem os testes empregados pelos pesquisadores.

Análise

Cientistas da Universidade de Vermont concluíram que tomar um comprimido de magnésio por dia pode curar depressão
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Cientistas da Universidade de Vermont concluíram que tomar um comprimido de magnésio por dia pode curar depressão

Para realizar o estudo, 126 adultos foram selecionados, com idade média de 52 anos e constatada depressão entre os níveis “leve” e “moderada”. Depois, divididos em dois grupos, os pesquisadores ofereceram 248 miligramas de magnésio para uma parte – quantidade que é considerada baixa -, por todos os dias durante seis semanas, enquanto a outra metade não recebeu tratamento.

Todos os sintomas dos participantes foram avaliados duas vezes por semana através de telefonemas.

Conclusão

Os resultados, publicados na revista PLOS ONE, revelaram que tomar um comprimido diário de magnésio melhorar significativamente os sintomas de depressão e ansiedade dos participantes após apenas duas semanas.

O benefício ocorreu independentemente da idade, sexo ou uso de antidepressivos dos participantes. Também foi constatado que os comprimidos foram bem aceitos pelo organismo, sem efeitos colaterais sérios – devido a baixa dosagem ingerida. Diferentemente dos antidepressivos, que frequentemente causam náuseas, ganho de peso e insônia.

Emily afirma que este é o primeiro ensaio clínico randomizado que analisa o efeito da suplementação de magnésio em sintomas de depressão em adultos dos EUA.

"Os resultados são muito encorajadores, dada a grande necessidade de opções de tratamento adicionais para a depressão, e nossa descoberta de que a suplementação de magnésio fornece uma abordagem segura, rápida e barata para controlar os sintomas depressivos", declarou a pesquisadora.

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O que é

Conhecida como uma síndrome, a depressão é constatada por uma série de evidências que apontam alterações químicas no cérebro quando um indivíduo está deprimido. Isso ocorre, principalmente, com os neurotransmissores, que são substâncias capazes de transmitir os impulsos entre as células cerebrais.

Isso significa que, diferente do que muitas pessoas acreditam, os fatores psicológicos e sociais podem vir, muitas vezes, como consequências da condição e não a causa.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofrem com o transtorno em todo o mundo. Isso significa que, aproximadamente 20% da população recebe o diagnóstico da doença. Essa é a segunda principal causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos, que muitas vezes acabam se suicidando.

No Brasil a OMS estima que quase  6% da população sofrem da condição, o qie corresponde a um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior na América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos.

Como identificar

A quarta edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV) publicou uma série de questionamentos que podem ser utilizados para verificar os sintomas da depressão, que podem variar bastante. 

Para isso, basta se questionar, considerando o período do último mês:

  1. V ocê passou muito tempo  chateado por se sentir deprimido e desesperançoso?
  2. V ocê ficou chateado por sentir falta de interesse nas atividades por várias vezes?

Para as respostas negativas, a probabilidade de se ter depressão é pequena. No entanto, se uma das respostas for sim, é preciso ficar atento a outros sintomas da doença.

O segundo passo é perceber a presença de cinco ou mais dos seguintes sintomas sendo eles, obrigatoriamente, espírito deprimido por pelo menos duas semanas, o que acaba colaborando para o desencadeamento de distúrbios e prejuízos na área social, familiar, ocupacional e outros campos do cotidiano.

  1. Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo, quase todos os dias;
  2. Anedônia: interesse ou prazer diminuído para realizar a maioria das atividades;
  3. Alteração de peso: perda ou ganho de peso não intencional;
  4. Distúrbio de sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
  5. Problemas psicomotores: agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias;
  6. Falta de energia: fadiga ou perda de energia, diariamente;
  7. Culpa excessiva: sentimento permanente de culpa e inutilidade;
  8. Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar ou concentrar-se;
  9. Idéias suicidas: pensamentos recorrentes de suicídio ou morte.

Assim, conforme a quantidade de ítens que foram respondidos positivamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos:

  1. Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;
  2. Distimia: 3 ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
  3. Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.

Tratamento

Esse é um problema de saúde pública e precisa ser levado a sério. Ao perceber que alguém está apresentando sintomas, como ansiedade, mudanças de humor repentina, isolamento social, ou até mesmo abuso de substâncias químicas, é importante mostrar que essa pessoa precisa de ajuda, muitas vezes, de um profissional da saúde.

O tratamento gratuito pode ser adquirido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que atente pessoas com essa condição, o que corresponde a 23% dos atendimentos ambulatoriais e hospitalares em saúde mental do SUS. 

Para ter acesso aos cuidados, a principal porta de entrada são as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que correspondem a 69% dos atendimentos e diagnósticos realizados no Brasil.

Em casos de depressão leve e moderada, os pacientes são acompanhados por profissionais que dão todo suporte psicológico e psiquiatra. Já para pessoas que apresentam sintomas mais graves da doença, como a falta de interesse no convívio social, bipolaridade ou esquizofrenia são encaminhadas aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Algumas organizações, como os Centros de Valorização a Vida (CVV), são alternativas para quem está passando por essa situação. A entidade oferece apoio gratuito que pode ser feita por ligações pelo telefone 141, serviço 24 horas, pessoalmente, em um dos 72 postos de atendimento espalhados pelo país, ou pela internet, através do site via chat, VoIP (Skype) e e-mail.

Lembrando que o uso de qualquer medicamento para o tratamento da depressão deve ser indicado por um médico.

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