A organização afirmou que a resistência às drogas pode gerar milhares de novos infectados e mortos nos próximos cinco anos, além de despesa milionária aos governos; também mostra possível retrocesso no combate

Mais de 37 milhões de pessoas no mundo têm HIV, e um número relevante apresentaram resistência ao tratamento
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Mais de 37 milhões de pessoas no mundo têm HIV, e um número relevante apresentaram resistência ao tratamento

A Organização Mundial da Saúde enviou um alerta nesta quinta-feira (20) sobre o aumento da resistência do vírus HIV aos medicamentos oferecidos no tratamento atual. Segundo o relatório da OMS , uma pesquisa realizada em diversos países do mundo apresentou resultados preocupantes, já que a resistência pode significar um retrocesso no progresso global de combate à doença.

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Ainda segundo a OMS, ações efetivas e precoces são necessárias para que o tratamento e a prevenção da doença possam continuar acontecendo. Na pesquisa HIV drug resistance report 2017 , descobriu-se que, nos seis dos 11 países pesquisados na África, Ásia e América Latina, mais de 10% das pessoas que começaram com o tratamento antirretroviral apresentaram uma cepa de HIV resistente a algum dos medicamentos contra o vírus mais amplamente utilizados. Assim, com essa quantia de resistência encontrada neste ano, a organização recomenda que os países revisem urgentemente seus programas de tratamento da Aids.

“A resistência aos medicamentos antimicrobianos é um desafio crescente para a saúde global e o desenvolvimento sustentável”, afirmou o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Precisamos abordar de forma proativa os níveis crescentes de resistência aos medicamentos contra o vírus, se quisermos atingir o objetivo global de acabar com a Aids até 2030”, completou.

A resistência aos medicamentos contra o vírus se desenvolve quando as pessoas não seguem um plano de tratamento prescrito, muitas vezes porque não têm acesso consistente ao tratamento e aos cuidados de qualidade contra a doença. Segundo o relatório da organização, os indivíduos com resistência ao fármaco começarão a apresentar falhas durante a sua terapia e também poderão transmitir vírus resistentes às drogas para outras pessoas.

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Ademais, pessoas resistentes apresentam o nível de vírus mais elevado em seu sangue. Isso, claro, se o paciente não mudar de tratamento de forma precoce; o que pode ser um desafio complexo, já que muitos países não disponibilizam diferentes terapias, especialmente por que isso sai bastante caro.

Números alarmantes

Em todo o mundo, mais de 36,7 milhões de pessoas são soropositivas , sendo que 19,5 milhões iniciaram o tratamento antirretroviral apenas em 2016. A maioria dessas pessoas tem qualidade de vida, com um resultado altamente efetivo. Mas, um número crescente de pacientes já experimenta as consequências da resistência à droga.

O problema pode gerar cada vez mais infectados e, consequentemente, mortos. Pelas contas da organização, mostra 135 mil mortes adicionais e 105 mil novas infecções podem acontecer nos próximos cinco anos se nenhuma ação for tomada. E os custos para os governos poderiam crescer em US$ 650 milhões somente durante esse período de cinco anos.

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A OMS também irá encaminhar novos guias para auxiliar os países no combate à resistência dos medicamentos contra o HIV. As recomendações incluem o monitoramento da qualidade dos programas oferecidos nos territórios, além de ações rápidas caso falhas nos tratamentos sejam encontradas. 

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