Pesquisa revelou que 75% dos participantes do estudo admitiram querer mais informações sobre o tema, mas não se sentem à vontade para falar com seu médico e acabam buscando dados em fontes nem sempre confiáveis

Estudiosos alertam sobre o uso da maconha no tratamento do câncer sem informações oficiais e seus riscos para a saúde
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Estudiosos alertam sobre o uso da maconha no tratamento do câncer sem informações oficiais e seus riscos para a saúde

Um novo estudo revelou que um quarto dos pacientes com câncer nos Estados Unidos recorreu a uma alternativa não muito tradicional para complementar seu tratamento. De acordo com uma enquete feita com americanos – onde a maconha é legalizada parcialmente em alguns estados – 25% apostaram na erva, como uma solução terapêutica no ano de 2016.  

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Porém, segundo os pesquisadores, o dado mais alarmante não é esse. Estima-se que 75% dos pacientes admitiram que, independente do uso ou não, estão interessados em saber mais sobre os prós e contras da maconha na terapia para combater alguns sintomas causados pela doença, mas a maioria está buscando essas informações em fontes que não são oficiais, em vez de perguntar aos médicos.

Segundo os especialistas, esse hábito pode trazer consequências perigosas aos pacientes. Os autores do estudo alertam que consultar pessoas fora da área médica, ou sites e documentos sem nenhuma credibilidade sobre o uso da droga pode ser muito arriscado.

Apesar de estarem interessados em dados sobre o assunto, poucos teriam coragem de se abrir para seus médicos sobre isso. “Os pacientes com câncer desejam, mas não estão recebendo informações de seus médicos sobre o uso da droga durante o tratamento, muitos deles estão buscando esses dados em fontes alternativas não científicas", ressaltou um dos líderes da pesquisa, Steven Pergam.

Os relatos são avaliados em um momento em que os consumidores estão observando de perto o mercado da substância, tendo em vista que, atualmente, a erva é legalizada em 30 territórios dos EUA.

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Preocupados, os estudiosos que elaboraram o relatório estão pedindo uma mudança social na forma como a droga é vista pela população e pedem aos médicos de pacientes com câncer que possam alertar em seus consultórios sobre o uso da erva.  

"Se não educarmos nossos pacientes sobre esse tema, eles continuarão a obter suas informações em outro lugar", afirmou Pergam. Ele ainda advertiu que a substância poderia ser perigosa para alguns pacientes com câncer, por isso é importante que eles se sintam confortáveis ​​falando com profissionais médicos sobre isso.

 Enquete

Para realizar a pesquisa, foram entrevistados 926 pacientes com câncer no Seattle Cancer Center Alliance. A entidade está localizada no estado de Washington, que aprovou o uso de droga para fins medicinais e recreativos.

A idade media dos participantes era de 58 anos e a maioria era formada por homens. A equipe de pesquisa descobriu que 66% deles usaram a erva para fins médicos em algum momento de suas vidas.

Desses, 25% fizeram isso no ano passado, 21% no último mês e 18% dentro de uma semana antes de responderem o questionário. Entre aqueles que disseram que usavam a erva frequentemente como tratamento, 74% afirmaram que o uso acontecia, pelo menos, uma vez por semana.

Alívio efeitos colaterais

Quando perguntados sobre o motivo do uso, a maioria dos participantes informou que fez uso da substância para combater os sintomas físicos pelos quais eles estavam passando. Os tratamentos de quimioterapia e radiação que os pacientes com câncer sofrem são geralmente muito dolorosos, induzindo ao vômito, fadiga, diarreia, feridas na boca, perda de cabelo, febre e outros efeitos colaterais desagradáveis, que a erva poderia aliviar.

Outras pessoas que colaboraram com a enquete disseram que recorriam à maconha para ajudar a aliviar os efeitos psicológicos do diagnóstico de câncer, incluindo estresse, depressão e insônia.

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