Luz solar e banho de mar podem ser aliados no tratamento de quem tem a condição; veja como aproveitar melhor essa época sem descuidar da pele

Psoríase é uma doença cutânea crônica e não contagiosa que causa manchas vermelhas, escamosas e grosseiras na pele
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Psoríase é uma doença cutânea crônica e não contagiosa que causa manchas vermelhas, escamosas e grosseiras na pele

Sol, piscina, mar, roupas leves e curtas: o verão brasileiro é a época do ano em que a pele fica mais exposta e, por esse motivo, a estação é, muitas vezes, a mais temida por pessoas com psoríase. 

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O distúrbio da pele, que se manifesta quando o processo pelo qual o corpo produz as células da pele é acelerado, não tem cura e provoca placas avermelhadas e descamativas em algumas regiões do corpo. Além disso, a psoríase causa coceira e ardor, o que faz com que o indivíduo fique ainda mais atento a todos os fatores que podem contribuir para o agravamento do quadro.

No entanto, engana-se quem acha que a doença pode ficar pior no verão. Se forem tomados os devidos precauções, esse período pode ser um aliado no controle dos sintomas da doença e ainda aliviar as lesões causadas pela psoríase. 

Segundo um artigo publicado no portal científico WebMD, a radiação solar auxilia na redução das manchas de pele características, enquanto a elevação da umidade do ar, trazida pelas chuvas, contribui para aliviar a pele ressecada pela patologia.

Por esses motivos, para quase todos os tipos e graus da condição, os "banhos de sol" fazem parte dos cuidados diários e fundamentais do tratamento. Mas também vale lembrar que são necessárias algumas precauções quanto à exposição do paciente à radiação solar.

De acordo com a consultora científica da Biobalance, Maria Inês Harris, algumas regras servem para quase todos os casos. "O recomendado no tratamento geral da doença é de 5 a 15 minutos por dia de exposição ao sol , com a pele previamente hidratada", afirma a especialista.

A especialista ainda reforça que exposições solares rotineiras e longas, ou em horários de pico, não são aconselháveis aos pacientes, mas caso não seja possível evitar, é indicado que eles utilizem "filtro solar adequado ao seu tipo de pele e ao índice UV local".

Já nos casos de psoríase eritrodérmica, variação incomum da doença e que atinge 75% do corpo, os pacientes não podem se expor ao sol. "Isso porque, nesse quadro, as lesões encontram-se generalizadas e podem provocar comichão ou ardor intensos em qualquer reação adversa", explica Harris.

Fora a umidade do ar e os banhos de sol, existem outros fatores e precauções, relativos ao verão , a serem observados pela pessoa com psoríase, que podem ajuda amenizar os sintomas da doença. 

Cuidados no verão

Água do mar:  Também ajuda no processo de troca de pele e, por consequência, na redução dos efeitos da doença. "É preciso, porém, hidratar a pele, antes e depois da exposição, com cremes calmantes sem corticoides, em função do ressecamento causado pelo sal. O mesmo vale ao entrar em águas cloradas, como as de piscinas", orienta a consultora científica. Além disso, segundo informações da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, só se deve entrar no mar se a água estiver própria para banho.

Tecidos das roupas:  O material das roupas influencia na temperatura corporal, e logo na transpiração, fator que piora o quadro de irritação das lesões. "Recomendam-se então os tecidos de algodão e peças mais soltas do corpo", declara a especialista.

Picadas de Insetos:  As mordidas de insetos podem agravar a psoríase, mas os compostos presentes nos repelentes também. "Nesses casos, o paciente deve usar roupas compridas durante a noite e considerar opções possíveis para manter os mosquitos afastados", explica a especialista.

Diminuição do estresse:  Esse fator, que também piora a doença, pode diminuir no verão, já nas férias ou recesso do trabalho. "Com isso, há mais tempo para fazer atividades relaxantes, como exercícios, meditação, passeios, etc", sugere Harris.

Vergonha da exposição

Há pacientes com psoríase que não usufruem dos benefícios do verão para amenizar a doença, em função de um possível constrangimento em expor as lesões. Segundo os especialistas que lidam com os casos da doença, principalmente psicólogos, nesse momento, a família e os amigos devem motivar essa pessoa a ignorar o preconceito, inclusive consigo mesma, e apoiá-la nas situações de frustração. "É preciso ficar claro para o paciente que o lazer e a vida social que ele leva não devem sofrer nenhuma alteração em função da psoríase", finaliza Harris.

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Psoríase

Alvo de muitas campanhas de conscientização nos últimos anos, principalmente em razão das consequências físicas e emocionais que a condição provoca, a psoríase é uma doença cutânea crônica e não contagiosa que causa manchas vermelhas, escamosas e grosseiras na pele.

As rachaduras normalmente aparecem nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e parte inferior das costas, mas podem aparecer em qualquer lugar do corpo, como unhas e genitais. 

Não há uma idade correta para a doença se manifestar. Para a maioria das pessoas, o disturbio se desenvolve antes dos 35 anos e afeta homens e mulheres igualmente. A gravidade varia de pessoa para pessoa, pois em alguns pacientes, acontece em forma de uma pequena irritação, enquanto que para outros, a enfermidade tem um grande impacto na qualidade de vida.

É uma condição duradoura que envolve períodos em que o paciente não terá sintomas ou sintomas leves, mas pode variar, com surtos mais graves em certos momentos.

Quando desencadeia?

Os sintomas se manifestam quando o processo pelo qual o corpo produz células da pele é acelerado. Normalmente, as células são substituídas pelo corpo a cada três a quatro meses, mas na psoríase o processo dura apenas de três a sete dias e a acumulação resultante de células da pele cria as escamas.

Embora ainda não haja uma compreensão científica para qual seria a causa da enfermidade, a literatura médica acredita que o aumento da produção de células da pele está relacionado a um problema com o sistema imunológico do paciente.

Para aqueles que sofrem com a condição, seu sistema imunológico ataca células saudáveis ​​da pele por engano. A psoríase pode ser genética, de acordo com o histórico familiar.

Muitos pacientes já apresentaram os sintomas após um determinado evento, como o que o chinês acredita ter acontecido com ele. Essas situações são como um gatilho, que podem ser algum tipo de lesão na pele, infecções na garganta ou, até mesmo, o uso de certos medicamentos.

Embora não haja cura, há uma variedade de tratamentos para melhorar os sintomas e a aparência da pele. Na maioria dos casos é recomendável o uso de cremes e unguentos para diminuir as manchas.

Para casos em que os remédios podem não ser eficazes, há a possibilidade de optar pelo tratamento de fototerapia, que envolve expor a pele a certos tipos de luz ultravioleta.

Novo tratamento

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, no Diário Oficial da União no fim de dezembro deste ano, o registro do biológico Taltz (ixequizumabe), anticorpo monoclonal indicado para o tratamento da psoríase.

O mecanismo de ação do novo tratamento liga o medicamento seletivamente à interleucina 17A (IL-17A), substância que favorece o crescimento anormal das células da pele, e inibe a interação dela com seu receptor.

Desta forma, ixequizumabe inibe a liberação de outros mediadores inflamatórios que mantêm a doença em atividade. O Taltz já está disponível nos Estados Unidos, no Japão, Canadá e na Europa. O produto tem previsão de chegada ao Brasil no primeiro semestre de 2018.

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