Tamanho do texto

Pasta ressaltou que caso da doença registrado em São Bernardo do Campo ainda está sendo estudado e transmissão pode ter ocorrido em área rural

São Bernardo do Campo é uma das 77 cidades do País  incluídas na campanha de fracionamento da vacina de febre amarela
Rovena Rosa/Agência Brasil
São Bernardo do Campo é uma das 77 cidades do País incluídas na campanha de fracionamento da vacina de febre amarela

O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira (6) que não há registro confirmado de febre amarela urbana no país. A nota foi divulgada devido a um caso da doença em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, que está sendo investigado por uma equipe da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, o que inclui o histórico do paciente e a captura de mosquitos para identificar a forma de transmissão na região.

Segundo a nota, deve ser observado que o paciente mora na região urbana e possivelmente trabalha na área rural. Para o ministério, qualquer afirmação antes da conclusão do trabalho é precipitada.  A pasta ressaltou que São Bernardo do Campo (SP) é uma das 77 cidades dos três estados do País (São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia) incluídas na campanha de fracionamento da vacina de febre amarela .

O Ministério da Saúde esclareceu ainda que todos os casos da doença registrados no Brasil desde 1942 são silvestres, inclusive os atuais, ou seja, a doença foi transmitida por vetores que existem em ambientes de mata (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes). Além disso, o que caracteriza a transmissão silvestre, além da espécie do mosquito envolvida, é que os mosquitos transmitem o vírus e também se infectam a partir de um hospedeiro silvestre, no caso o macaco.

"Temos segurança de que a probabilidade da transmissão urbana no Brasil é baixíssima por uma série de fatores: todas as investigações dos casos conduzidas até o momento indicam exposição a áreas de matas; em todos os locais onde ocorreram casos humanos também ocorreram casos em macacos; todas as ações de vigilância entomológica, com capturas de vetores urbanos e silvestres, não encontraram a presença do vírus em mosquitos do gênero Aedes; já há um programa nacionalmente estabelecido de controle do Aedes aegypti em função de outras arboviroses (dengue, zika, chikungunya), que consegue manter níveis de infestação abaixo daquilo que os estudos consideram necessário para sustentar uma transmissão urbana da doença", acrescenta a nota.

Leia também: Passou filtro solar? Entenda o que acontece com a pele quando é exposta ao sol

O ministério informa ainda que há boas coberturas vacinais nas áreas de recomendação e uma vigilância muito sensível para detectar precocemente a circulação do vírus em novas áreas, a fim de adotar a vacinação oportunamente.

Caso autóctone

No início desta semana, a prefeitura de São Bernardo do Campo confirmou o primeiro caso de febre amarela autóctone, de um homem de 35 anos que está internado em uma unidade de terapia intensiva no Hospital de Clínicas, em São Paulo.

O paciente, que não havia se vacinado, também não viajou nos últimos meses – o que indica que a doença é autóctone. A confirmação foi feita pelo laboratório da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que investiga mais dois casos. Na semana passada, o município confirmou o caso de um morador de 33 anos, diagnosticado após viagem à cidade de Mairiporã, que decretou estado de emergência devido ao surto da doença.

Leia também: Brasil terá 600 mil novos casos de câncer por ano em 2018 e 2019, estima Inca

O balanço do Ministério da Saúde do último dia 30 mostra que o país teve 213 casos de febre amarela e 81 mortes desde julho do ano passado, todos casos silvestres da doença, quando a transmissão ocorre pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. Foram notificados 1.080 casos suspeitos, sendo 432 descartados e 435 que permanecem em investigação.

* Com informações da Agência Brasil