Alimentação

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Dietas da moda aumentam o risco de doenças

Restrições exageradas para emagrecer geram carência de nutrientes

Bruno Folli, iG São Paulo | 19/02/2011 08:34

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Foto: Thinkstock Photos

Dietas muito restritivas são perigosas para a saúde

O ideal seria existir uma fórmula mágica, capaz de emagrecer qualquer ser humano do dia para a noite. Mas, no lugar dela, o que existem são dietas da moda, com promessas de resultados rápidos.

Muitas funcionam razoavelmente bem porque são bastante restritivas. O problema é que além de restringirem calorias, elas privam a pessoa de nutrientes fundamentais ao organismo. O resultado pode ser bem grave como osteoporose, fragilidade imunológica, anemia e doenças cardíacas.

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Para piorar, essa conta só é cobrada muito tarde. A pessoa primeiro curte seu corpo mais magro, mais em forma. “Podem passar meses ou até anos antes de algum sintoma aparecer”, afirma o médico Durval Riba Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia.

Ele admite que as dietas da moda, também chamadas de dietas populares, podem representar um incentivo para a pessoa começar a perder peso. “Mas ninguém aguenta isso por muito tempo”, afirma.

Riba Filho cita um estudo alemão, de 2001, no qual a taxa de abandono destas dietas chega a 100% após dois anos. Então, a pessoa volta a engordar e pode adotar outra dieta restritiva para reverter o processo. É um efeito sanfona, que vai acumulando danos ao organismo.

Doença

“A obesidade não é vista como doença, por isso não é tratada como tal”, afirma o médico. Ele sugere uma postura de constante prevenção, especialmente se a pessoa tiver alguma predisposição genética.

“O trabalho deve começar na gestação. Se a mãe ganhar mais de 25 quilos, ela dá mais adiposidade ao feto”, alerta. No decorrer da vida, o médico explica que é importante nunca abandonar a combinação exercícios regulares com alimentação saudável.

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O valor calórico das refeições varia de acordo com a necessidade de cada pessoa ou de cada momento na vida da pessoa. Esse valor pode reduzir ou aumentar, depende do que for preciso, emagrecer ou apenas manter o peso. Mas tudo é feito considerando um equilíbrio nutricional para que não falte nada importante, que vá fazer falta depois.

“Acompanhamento e orientação nutricional são importantes. É como um treino, a pessoa precisa de incentivo para continuar”, diz o nutrólogo.

Principais deficiências

A falta de nutrientes é chamada pelos médicos de fome oculta. Significa que a pessoa não sente fome, pois está saciada pela ingestão de alimentos pobres em nutrientes, mas o organismo sente “fome”, devido à falta de substâncias importantes.

“Sem ferro na alimentação a pessoa pode ter anemia”, alerta o médico. O nutriente é encontrado em carnes vermelhas, principalmente no fígado. Entre os vegetais, há ferro nos de cor verde-escura, como agrião, couve e cheiro-verde. Existe ferro também no feijão, no grão-de-bico, na ervilha e na lentilha.

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O médico ainda alerta para a falta de cálcio, presente no leite e em seus derivados, que pode causar osteopenia ou osteoporose, especialmente em mulheres. A doença deixa os ossos fracos e quebradiços, o que representa um problema incapacitante na terceira idade por agravar as consequências das quedas.

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Outro nutriente que costuma faltar em dietas sem orientação é o selênio. Ele é importante para o fortalecimento do sistema imunológico. Sem ele, a pessoa se torna mais vulnerável a doenças oportunistas e pode ter dores musculares com mais facilidade. A maior fonte de selênio é a castanha-do-pará, seguida por salmão, farelo de trigo, ostras, semente de girassol, camarão, milho, arroz, alho, cogumelo e amêndoa.

O médico afirma ainda que é importante ter boas fontes de magnésio na alimentação pela saúde do coração. “Ele ajuda a metabolizar enzimas relacionadas à frequência cardíaca”, diz o especialista. O magnésio pode ser encontrado no farelo de trigo, no leite e nas carnes. O potássio é importante também para coração e músculos, ele pode ser encontrado em frutas como abacaxi, banana e abacate.

O efeito sanfona em pessoas que fazem dietas restritivas demais, com deficiência de nutrientes, combina os danos da falta de nutrientes com os do excesso de peso. Um potencializa o outro.

“Por isso insistimos na educação alimentar”, afirma o médico.

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