Estudo sugere alternativa de tratamento com apoio de suplemento alimentar

Rico em ômega-3, o óleo de peixe é usado como sumplementação
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Rico em ômega-3, o óleo de peixe é usado como sumplementação
Novo estudo aponta que os suplementos de ácidos graxos ômega-3 parecem aprimorar ainda mais a saúde de pacientes com insuficiência cardíaca cuja condição é controlada por tratamento padrão.

“O uso de ácidos graxos poli-insaturados n-3, mesmo em pacientes que apresentaram uma melhora marcante (em tratamento padrão), demonstrou melhorar ainda mais as funções cardíacas e a capacidade de exercícios”, disse Mihai Gheorghiade, um dos autores do estudo e professor de cardiologia da Northwestern University’s Feinberg School of Medicine.

O especialista diz que isto mostra que é possível melhorar bastante as condições mesmo de pacientes que respondem bem à terapia. “Isto abre as portas para o potencial de uma terapia natural – de macro-nutrientes – no tratamento da insuficiência cardíaca”, disse ele.

Gheorghiade advertiu que este estudo não é conclusivo, mas nutrientes como os ácidos graxos ômega-3 podem prolongar a vida e melhorar sua qualidade nestes pacientes. O relatório foi publicado na edição online de 5 de janeiro do Journal of the American College of Cardiology.

A equipe de Gheorghiade designou aleatoriamente 133 pacientes com insuficiência cardíaca com sintomas míninos em terapia padrão, incluindo beta-bloqueadores, a altas doses (2 gramas) de suplementos de ácidos graxos ômega-3 ou de placedo.

Após um ano, os pesquisadores observaram que o grupo que recebeu os suplementos mostrou um aumento de 10,4% nas funções cardíacas, comparado a uma queda de 5% entre o grupo que tomou placebo.

Além disso, os níveis de oxigênio no sangue aumentaram 6,2% nos pacientes sob uso de ômega-3 e diminuíram 4,5% nos pacientes que tomaram placebo. O tempo de exercício também aumentou 7,5% nos pacientes que receberam os suplementos e caíram 4,8% naqueles que receberam placebo.

Além disso, o índice de hospitalização no grupo que tomou os suplementos foi de 6% durante o ano, comparado a 30% no grupo que tomou placebo.

Gheorghiade supõe que os suplementos melhoraram o metabolismo cardíaco. “Este é apenas um exemplo onde a terapia não tradicional pode também funcionar”, disse ele.

Mais estudos

Porém, estudos maiores serão necessários para realmente analisar se estes suplementos ajudam a prolongar a vida, disse o especialista. “O estudo é promissor, mas não é conclusivo. Mas, seria um erro não perceber o valor dos macro e micronutrientes no tratamento da insuficiência cardíaca”, ele complementou.

Gheorghiade não recomenda o consumo de grandes quantidades destes suplementos na esperança de afastar os problemas cardíacos. Ele adverte que a necessidade de suplementação é um assunto a ser discutido com o médico.

Ele ressalta que o tratamento deve ser adequado a cada paciente individualmente. “Isso não é como uma receita de bolo”, ele adverte.

W. H. Wilson Tang, professor assistente de medicina da Cleveland Clinic e um dos autores de um editorial que acompanha o estudo, disse que “estudos sobre os ácidos graxos ômega-3 e a insuficiência cardíaca ainda não foram testados de forma eficaz, em virtude das limitações dos projetos”.

Tang complementou: “Precisamos saber qual é a dose e o tempo de intervenção ideal antes de podermos demonstrar de forma eficaz se uma intervenção funciona ou não”.

O estudo atual sugere que doses bem mais altas do que as normalmente usadas podem ter algum efeito não observado em estudos maiores, ele complementou.

“Desta forma, é um desafio cada vez maior saber se a abordagem de todo tratamento necessita de mega-testes para demonstrar sua eficácia. O debate atual é se uma intervenção relativamente segura, como de óleo de peixe, deveria ser recomendada com base nos dados atuais: Isto está atualmente escrito em alguns manuais, mas poucos médicos os recomendam ativamente”, disse Tang.

Douglas “Duffy” MacKay, vice-presidente de assuntos científicos e regulatórios do Conselho Pela Nutrição Responsável dos Estados Unidos, órgão que representa a indústria de suplementos, disse que “todo adulto deve tomar 500 miligramas de ácidos graxos ômega-3, seja através de alimentos ou de suplementos, simplesmente para manter a saúde cardíaca”.

A Associação Americana do Coração também recomenda o ômega-3 para a saúde do coração, com pelo menos duas porções semanais de peixes gordurosos - como o atum, a sardinha, o salmão, o arenque e a truta.

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