Alimentação

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Perigo no prato

Seja por conterem substâncias venenosas ou por apresentarem alto risco de alergia, alguns alimentos são perigosos para a saúde

Chris Bertelli, iG São Paulo

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Foto: Getty Images

Amendoim está entre os alimentos com maior risco de reações alérgicas

Intoxicação ou alergia alimentar podem ser tão perigosas à saúde quanto um envenenamento. O problema pode se manifestar como uma simples coceira na pele ou como uma fatal alteração na circulação sanguínea.

Em casos mais graves, dependendo da porção ingerida ou da toxidade do alimento, pode haver choque anafilático (uma queda rápida da pressão arterial) e interferência na capacidade respiratória do indivíduo.

“Os produtos que podem causar alergia estão mais relacionados à intolerância individual, mas alguns são mais recorrentes do que outros”, afirma Anita Sachs, do departamento de medicina preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O iG Saúde listou os alimentos mais perigosos à sua saúde, fique de olho:

Amendoim
Como aperitivo ou para incrementar pratos e sobremesas, este ingrediente pode causar reações fatais. O amendoim está entre os cinco alimentos mais alergênicos e causa, só nos Estados Unidos, 15 mil internações e 100 mortes por ano. Semelhante às demais reações alérgicas, os sintomas mais comuns são coceiras e vermelhidão na pele, formigamento ao redor da boca, diarreira, náusea, vômitos e dificuldade para respirar (em casos mais graves).

Um dos motivos para números tão altos, apontam os especialistas, é que nem sempre a utilização de amendoins é alertada em cardápios ou composição de industrializados.

Novas pesquisas relacionam o surgimento do problema com a gravidez ou lactação, por isso, recomenda-se que as mulheres evitem este alimento durante a gravidez e a amamentação.

Cogumelo
Acredita-se que existam cerca de 60 mil espécies de cogumelo em todo o mundo. Embora 80% sejam comestíveis, cerca de 4,5 mil são venenosos. É possível tratar um envenenamento por esse alimento caso ele tenha sido ingerido em pouca quantidade. No entanto, doses mais altas podem causar danos irreversíveis para rins, fígado e coração, podendo levar à morte. Os sintomas de envenenamento são vômitos, sede intensa e dor abdominal. Por isso, é preciso muito cuidado ao consumi-los. Os especialistas recomendam ater-se às variedades mais conhecidas como o paris, o shimeji e o shiitake.

Presunto cru ou defumado
O presunto pode ter um bacilo chamado “Clostridium botulinum”, que causa uma intoxicação específica não tão desconhecida: o botulismo. Seus sintomas vão de diarreia, dores de cabeça e vômitos a visão dupla, perturbação do olho e até a parilisia dos músculos respiratórios, levando à morte.

“Para evitar esse tipo de problema, a recomendação é dar o tratamento térmico adequado às conservas, manter os produtos em locais frescos, e sempre utilizar matérias-primas de boa qualidade”, indica a nutricionista Gabriella Guerrero, da consultoria Nutriessencial.

Queijo coalho e outros derivados do leite
O cheiro do queijo na brasa chega a dar água na boca. Mas quem não resiste ao vendedor que passa pela praia com o famoso quitute, pode estar correndo um risco. “Se não for de boa qualidade e conservado adequadamente, qualquer produto derivado do leite pode resultar em brucelose”, avalia a nutricionista Anita Sachs.

Os primeiros sinais são suor excessivo, febre e calafrios. A progressão da doença, causada pela bactéria Brucella, costuma ser lenta, mas dificilmente é fatal. Se não for tratada, pode trazer problemas nas articulações e na visão. A recomendação é utilizar somente leite e derivados pasteurizados e de procedência conhecida.

Foto: Getty Images

Cachorro-quente só em casa ou em restaurantes de confiança

Cachorro-quente
O maior problema com relação ao cachorro-quente é seu alto índice de contaminação: ele está entre os cinco alimentos mais contaminados, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), do governo do Estado de São Paulo. O perigo, neste caso, está na salsicha, que pode contar a bactéria Listeria monocytogenes e causar diarreia e fortes cólicas abdominais.

A sugestão é não consumi-lo em carrinhos ou quiosques de rua. Se bater aquela vontade, faça um lanche em casa ou procure um estabelecimento de confiança.

Ostras
Consumidas ao natural, as ostras representam um risco potencial para a saúde. “Elas se alimentam filtrando partículas e germes em suspensão na água, acumulando bactérias do gênero Vibrio, que causam infecção como a gastrenterite, isto é, inflamação do estômago e intestinos”, alerta Gabriella Guerrero.

Além disso, pode haver problemas na conservação do alimento. Observar a higiene e as condições de armazenamento do local são essenciais para evitar maiores transtornos. Os principais indícios de uma intoxicação por ostra são febre, náuseas, vômitos e diarreia.

Carpaccio e outras carnes cruas
A toxoplasmose, doença infecciosa causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii, pode ser resultado do consumo de carnes mal passadas ou cruas. Em geral, apenas 10% dos infectados apresentam algum sintoma, que costuma ser uma inflamação nos gânglios. No entanto, no caso de pessoas com resistência imunológica baixa a doença se manifesta com dores de cabeça, nos músculos e articulações, cansaço e, em casos graves, alterações visuais e comprometimento da retina (cegueira).

Ovo
A salmonelose é a contaminação mais conhecida pelos brasileiros e, em geral, está relacionada à ingestão de ovo mal cozido. Segundo o biomédico Roberto Figueiredo, um em cada 200 ovos em uma granja pode conter a Salmonella. No entanto, a doença também é transmitida por meio de outros alimentos de origem animal como o leite e a carne. Diarreia, dor na barriga e febre são os principais sintomas e se manifestam 12 a 72 horas após a infecção. É preciso ficar atento para que não haja desidratração do organismo. A dica é optar pelo produto pasteurizado.

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