Fadiga, vertigem, desmaio, falta de ar e dor no peito durante os exercícios podem ser sinais da hipertensão arterial pulmonar.

Poucas pessoas sabem que sintomas aparentemente indicativos de ausência de condicionamento físico podem ser sinais de hipertensão arterial pulmonar (HAP). Devido a essa característica, a doença costuma ser diagnosticada já em estágio avançado, quando está prestes a incapacitar o paciente para uma vida saudável.

A HAP é uma doença grave das pequenas artérias pulmonares (arteríolas), uma síndrome caracterizada pelo aumento progressivo na resistência vascular pulmonar, levando à sobrecarga do ventrículo direito e, finalmente, à falência desse ventrículo e à morte, caso não seja tratada adequadamente.

A doença está associada ao uso de moderadores de apetite, doenças cardíacas congênitas, infecção pelo vírus HIV, doenças do tecido conectivo, esquistossomose, entre outras. Pode ser também de causa idiopática, ou seja, sem causa determinada, ou transmitida geneticamente.

A hipertensão arterial pulmonar pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum na faixa etária que vai dos 30 aos 36 anos, principalmente quando causada por etiologia idiopática. Em geral o sintoma inicial é a falta de ar de caráter progressiva. Outros sintomas que podem estar presentes são: fadiga, vertigem, desmaios, dor no peito, pele azulada, tosse, inchaço nos pés ou nos tornozelos, dilatação do fígado e/ou do abdome.

Quem apresenta falta de ar progressiva durante a prática de atividade física deve consultar um médico, pois o diagnóstico inicial é clínico. Os exames que identificam a doença são exames de sangue para a exclusão de doenças auto-imunes; eletrocardiograma; raio X do tórax; cintilografia pulmonar; ecocardiograma, que verifica a disfunção do coração do lado direito, a presença ou não de defeitos cardíacos congênitos e a existência de HAP; e o cateterismo do coração, pelo qual se afere as condições hemodinâmicas da cavidade direita do coração, fechando o diagnóstico de HAP. Determinando-se esse diagnóstico, o paciente deve ser encaminhado a um centro de referência em HAP, pois ela requer monitoramento frequente de uma equipe multidisciplinar.

Como ainda não há cura para a HAP é necessário não menosprezar os sintomas na busca do diagnóstico precoce. No Brasil o tratamento à base de citrato de sildenafila e dos inibidores dos receptores de endotelina, auxiliam no controle da sintomatologia e permitem uma melhora na qualidade de vida destes pacientes.

* Dra. Maria Virgínia Tavares Santana é cardiologista Chefe da Seção de Cardiopediatria e Cardiopatias Congênitas do Adulto do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo.