Beber alimentos com canudinhos, falar enquanto come, não mastigar direito os alimentos: atitudes simples podem aumentar a produção de gases intestinais

Falar sobre gases intestinais é, para a maior parte das pessoas, um tanto constrangedor. O fato é que muita gente sofre com o excesso deles e não faz ideia de que pode estar piorando a situação com atitudes corriqueiras do dia a dia, bem como a alimentação.

Para resolver o problema, então, é preciso entender o que pode provocar esse aumento dos gases e fazer ajustes na jornada diária. Beber líquidos com canudinhos, por exemplo? Abandone o hábito, se quiser se ver livre dos embaraçosos flatos.


Em algumas sociedades no mundo, a flatulência não é vista como um ato de má-educação. No Brasil, no entanto, regras de convívio social baseadas em “boas maneiras” dizem que é melhor se comportar em público.

O gastroenterologista do Hospital Leforte, Tiago Szego, explica que algumas pessoas têm tendência a ter mais gases do que outras. A explicação são as diferentes floras intestinais, ou seja, as bactérias que habitam o intestino de cada um. Algumas produzem mais gases e, se alguém tem mais quantidade dessa determinada espécie, a consequência é gasosa.

“Suas bactérias podem ser diferentes das minhas, e isso já altera a quantidade de gases e o trânsito intestinal”, explica Szego.

Líquidos e mastigação

A prisão de ventre é uma grande causadora de gases além do normal. “O alimento fica mais tempo dentro do intestino, formando gases”, explica o gastroenterologista. Mas não só o intestino preguiçoso provoca esse aumento, mas um corpo preguiçoso também. Os sedentários sofrem mais com gases pelo fato de o corpo estar inativo. “O trânsito intestinal também fica mais lento. Acaba acumulando resíduos alimentares ali e vêm os gases”, diz o médico.

Prisão de ventre é grande causadora de gases além do normal
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Prisão de ventre é grande causadora de gases além do normal

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Um almoço com amigos, regado a qualquer tipo de líquidos e que o papo parece não ter fim – e a comida é engolida quase que sem mastigar – é uma ocasião propícia para os gases aumentarem. Isso acontece por três motivos. Quem costuma conversar enquanto come acaba engolindo mais ar, aumentando essas bolhas gasosas. Não mastigar os alimentos adequadamente também pode aumentar a quantidade de gases, que devem ser expelidos de alguma forma. Além disso, explica o gastroenterologista, tomar líquidos nas refeições piora um pouco o problema.

“Alguns líquidos produzem mais gases, como frutas – melancia, abacaxi, por exemplo – e as bebidas gasosas que liberam gases na digestão. Os gases que não voltam pela boca vão para o intestino”, conta o médico.

Mesmo se a bebida fosse água pura, o gastroenterologista desaconselha, já que o líquido em si é prejudicial para esse problema. “Ele retarda e atrapalha a digestão, diminuindo alguns líquidos digestórios, que são os ácidos do estômago, líquidos biliares. O resultado é que os alimentos são menos digeridos no estômago e, chegando ao intestino nessa condição, provocam gases”, conta ele.

Esse cenário só piora se os alimentos ingeridos no almoço forem aqueles cheios de enxofre. Aí é mau cheiro na certa. Brócolis, couve-flor, repolho, atum, rabanete, ovo, são alimentos saudáveis que, no quesito formação de gases, são campeões. A proteína também não escapa ilesa. “Quando alguém consome muita proteína, há a tendência de produzir mais gases para a digestão dela, por causa da metabolização do alimento pelas bactérias”, detalha Szego.

Medicamentos

A quantidade a ser produzida depois do consumo depende da flora intestinal de cada um. Aliás, ela pode ser alterada a qualquer momento. Uma diarreia, por exemplo, altera a flora temporariamente. “Com o tempo, o corpo tende a reestabelecer. Antibióticos, por exemplo, podem matar algumas bactérias, mas geralmente o intestino volta ao normal”, tranquiliza o médico.

Alguns medicamentos, receitados por médicos ou nutricionistas, podem auxiliar as pessoas que reclamam de gases excessivos. Além daqueles que regulam a flora intestinal, “alguns medicamentos absorvem essas bolhas de gases e a pessoa expele uma parte, sendo a outra absorvida”, explica o gastroenterologista.

A parte da absorção é feita dentro do próprio intestino, em que as mucosas permeáveis desse órgão conseguem mandar um pouco desses gases para o sangue, regularizando a situação. A outra parte, no entanto, caminha até o final do intestino.

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