O diabetes exigiu responsabilidade, mas nunca restringiu a vida de Alexei Caio, que já correu ultramaratonas e escalou o Aconcágua

Alexei Caio em sua segunda incursão ao Aconcágua
Arquivo pessoal
Alexei Caio em sua segunda incursão ao Aconcágua
O consultor Alexei Caio, de São Paulo, foi diagnosticado com diabetes do tipo 1 (insulino-dependente) aos quatro anos de idade. Não havia histórico familiar da doença e coube aos pais entender a nova condição do filho, dando suporte para que pudesse levar uma vida normal.

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Alexei cresceu convivendo bem com a doença. Raras foram as vezes que teve algum tipo de problema.

“Uma vez passei mal na escola. E em outra ocasião, já na adolescência, tive um quadro de hipoglicemia quando acampava com uns amigos”, lembra.

O caminho para essa boa convivência sempre foi a informação. “Diabetes mal controlado pode levar a amputações, cegueira, diálise... Eu não queria nada disso para mim. Então, me perguntava: o que preciso fazer? Pouco a pouco encontrei o caminho do equilíbrio”.

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Os esportes e as aventuras fizeram parte desse caminho. Entre outras atividades, Alexei fez judô, natação, vôlei, futebol, tênis de mesa e artes marciais. “Comecei a sentir o gostinho da liberdade quando ganhei mais autonomia para viajar. Mas junto veio também maior responsabilidade. Eu já não dependia mais dos meus pais para tomar a insulina e tive de sair da zona de conforto”.

Para sua própria segurança, Alexei sempre encarou o diabetes sem medo. “Você tem que levar como algo natural em sua vida, para que as pessoas não se assustem. Até porque não tem motivo para se assustar”.

Na ultramaratona Cruce de Los Andes, cruzando a cordilheira entre o Chile e a Argentina
Flavio Aguiar Bergo Duarte / Divulgação
Na ultramaratona Cruce de Los Andes, cruzando a cordilheira entre o Chile e a Argentina
Ele faz controle de glicemia de 10 a 15 vezes por dia. E toma duas insulinas basais, por volta das sete da manhã e à meia-noite. Ao longo do dia, ainda faz contagem de carboidratos e se medica ou usa de recursos nutricionais para manter o equilíbrio. Mas nada disso impede suas aventuras.

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Alexei corre maratonas, ultramaratonas, escala vulcões e montanhas. A escalada, em especial, é uma atividade ousada e que exige grande nível de atenção. “Na montanha não há lugar para amadores”, diz o atleta. Ele conta que faz um checklist em relação ao controle do diabetes, mas não fica com fobia pensando que algo pode dar errado.

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“Já enfrentei temperaturas muito baixas, tendo que manter o aparelho para medir glicemia perto do meu corpo para garantir seu funcionamento. Certa vez, porém, o equipamento quebrou. Fiquei três dias sem ele. Qualquer um entraria em pânico. Mas mantive a calma, porque sabia fazer a medição sem ele”, conta.

No início do ano, Alexei fez sua segunda incursão ao Aconcágua. Ao lado dos amigos Flavio Aguiar e Marcelo Bellon, também diabéticos, chegou em 5500 metros de altitude na maior montanha das Américas.

“E tudo isso com o diabetes sempre em ótimo nível de controle e com a mensagem principal: com diabetes se pode”.

Aliás, desde 2003, ele e os amigos abriram um canal de comunicação com atletas diabéticos: o Diabetes & Desportes . “Hoje somos 70, com participantes de países como Argentina, Chile e Uruguai”.

Por meio desse canal, eles trocam informações e recebem orientações para fazer o que mais gostam: praticar esportes e curtir a vida, sem restrições.

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