Priorizar beleza pode ser perigoso para a saúde do couro cabeludo e dos cabelos

Toda mulher tem uma relação de amor e ódio com os cabelos. Hoje, graças ao arsenal de produtos e tratamentos, os dias de revolta são bem menos comuns.

Quem tem cabelo cacheado e sonha com lisos escorridos como os de Jeniffer Aniston pode recorrer a tratamentos que mantêm os fios esticados por até seis meses. E quem não nasceu com o loiro dourado que tanto faz sucesso nos salões pode resolver esse "problema" em apenas uma hora.

Mulheres preocupam-se mais com a beleza do que com a saúde dos cabelos
Getty Images
Mulheres preocupam-se mais com a beleza do que com a saúde dos cabelos
A possibilidade de modificar os cabelos de forma simples, fácil e rápida, no entanto, tem gerado alguns exageros. “O desejo de ter o cabelo mais liso ou mais cacheado, ou mais claro ou mais escuro tem levado algumas mulheres a cometerem verdaderos abusos. A mais prejudicada é a saúde dos próprios cabelos e do couro cabeludo”, afirma Ademir Junior, médico especialista em tricologia e professor de pós-graduação da Faculdade Oswaldo Cruz.

Químicas como as utilizadas na escova progressiva ou nas tinturas, quando em contato com o couro cabeludo, podem causar irritação e processos alérgicos, além de enfraquecer e desidratar os fios. O resultado de tantos procedimentos é o aparecimento da caspa, o aumento da queda de cabelo, ou até o surgimento de feridas no couro cabeludo.

“O dano é ainda maior quando a química aplicada se acumula no fio. As químicas precisam ser compatíveis ou causarão danos severos”, alerta o médico. Portanto, muito cuidado ao fazer alisamento e tingir o cabelo, por exemplo. “Hoje em dia, queda de cabelo e caspa são os principais motivos que têm levado as mulheres ao consultório, quando se fala em cabelo”, afirma Cristiane Braga, dermatologista clínica do Instituto de Pesquisa e Tratamento de Cabelo e Pele.

O processo de tração da escova simples (aquela em que o cabeleireiro puxa o cabelo e vai secando-o para que ele fique liso) ou da chapinha, a médio e longo prazo, pode danificar as raízes, reduzindo a quantidade de cabelo e prejudicando a qualidade do fio.

“No lugar das raízes forma-se uma cicatriz e nenhum fio nasce mais nesse local. A quantidade de cabelo, desta forma, diminui significativamente. O mais preocupante é que esse problema é irreversível”, alerta Ademir Jr. Pelo mesmo motivo, prender os cabelos durante todo o dia, por exemplo, por muitos anos pode levar a um quadro semelhante à calvície. O fato é muito comum em bailarinas e comissárias de bordo, que são obrigadas a trabalhar com o cabelo preso de maneira firme.

Tratamentos

Para cabelos doentes, hidratação e outros procedimentos semelhantes não vão solucionar o problema, mas somente minimizá-los. Ou seja, depois de danificado, dificilmente aquele fio será recuperado. De acordo com os especialistas, a reparação é temporária e vai se perdendo ao longo do tempo.

No caso da caspa, xampus específicos podem ajudar no tratamento. Eles são como uma cura temporária, já que o problema pode voltar a qualquer momento. "O maior problema da caspa é a oleosidade do couro cabeludo. Com esse modismo dos cabelos lisos, algumas mulheres passam dias sem lavar o cabelo para não estragar a escova ou a chapinha, deixando a oleosidade se acumular e comprometendo ainda mais a saúde dessa região", diz a dermatologista Cristiane.

É possível prevenir

Evitar que esses problemas ocorram exige paciência. É possível avaliar o couro cabeludo, por exemplo, por meio da tricodermatoscopia, que diagnostica alterações relacionadas às diferentes causas da queda de cabelo. “Esse exame permite observar se a queda de cabelo vai evoluir para uma calvície ou é temporária”, afirma Francisco Macedo Paschoal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, regional de São Paulo.

Além desse método, outros exames prévios podem avaliar se há condições favoráveis para a realização de clareamento, alisamento ou relaxamento, mas em geral eles só são indicados em pessoas com histórico prévio de problemas capilares ou herança genética para a calvície.

Uma opção mais simples e rápida é o teste da mecha, aconselhado pelo tricologista antes de qualquer procedimento. Ele consiste na aplicação do produto em apenas uma parte do cabelo e da pele. Depois, é preciso aguardar por 48 horas e observar. “Desta forma, é possível analisar o produto e identificar se ele irá ou não comprometer os fios ou couro cabeludo”, afirma.

Passado o tempo indicado, observar se o couro cabeludo está irritado ou coçando ou se tem alguma ferida no local. O cabelo deve se manter macio, brilhante e elástico. Se qualquer uma dessas propriedades forem modificadas, fique atenta, o produto pode não ser de boa qualidade ou ter produtos químicos em demasia e danificar consideravelmente os fios.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.