Tradicional passeio diário com o animal pode ser um convite à atividade física. Aprenda a treinar com seu cão

Corra como ele, ou com ele. Cachorros podem ser um aliado na atividade física
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Corra como ele, ou com ele. Cachorros podem ser um aliado na atividade física
Fofura, submissão, proteção e companheirismo são itens presentes no currículo de qualquer cachorro, independente de raça, cor ou tamanho. Além do pacote essencial, os melhores amigos do homem oferecem saúde e bem-estar, tão fundamentais ao já conquistado coração do dono sedentário.

O passeio diário com o cão pode ser facilmente transformado em atividade física, para dono e animal. A proposta é gratuita, fácil de ser incorporada no dia a dia da dupla e sem contraindicação.

Animais e adultos, porém, antes de investir no 'treino-passeio', devem consultar os respectivos médicos. Avaliação física e check up gera l, com um recorte especial para exames cardíacos, são pré-requisitos para que a atividade dê resultados apenas positivos, alerta Marcelo Weinstein Teixeira, Médico veterinário e membro da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal do Conselho Federal de Medicina Veterinária.

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“Quem pretende malhar, deve treinar o cachorro para que ele tenha resistência física sem prejuízos à saúde. Da mesma forma que o homem precisa evoluir aos poucos, o cachorro deve ser condicionado, trabalhado para treinos mais puxados .”

O porte do animal também é fundamental e direciona (ou limita) o treino do dono. “Um cachorro muito pequeno não tem o passo compatível com o do homem.”

Para quem deseja apenas caminhar, animais pequenos dão conta do recado. Os aspirantes a maratonistas, porém, devem investir no pet de médio ou grande porte, pontua Teixeira. Cachorros acima de 20 quilos conseguem correr sem risco de infarto.

A idade do animal também deve ser respeitada. Cães idosos não tem condição de correr, mesmo que o trabalho seja gradual. “Quanto maior o cão, mais rápido o envelhecimento. Raças grandes, como o Doberman ou Pastor Alemão, embora possam viver mais de 13 anos, entram na senilidade a partir dos oito anos.” Para os cachorros pequenos, a expectativa de vida – e de treino – chega aos 10 anos de idade.

Dog training

Consideradas as respectivas limitações, basta investir em um tênis adequado e em uma coleira segura. Sandro Nunes Firmino, coordenador da área de ginástica da academia Competition, em São Paulo, propõe um treino em três etapas.

O especialista indica, inicialmente, uma caminhada forte de 30 minutos, que pode ser realizada em parques ou nas ruas próximas à residência. Explorar o terreno do bairro, utilizar avenidas e ruas mais íngremes ajuda a potencializar a malhação. Ao final do passeio, vale utilizar as escadas dos condomínios ou de casa.

Subir e descer escadas – no mínimo três andares – equivale ao exercício realizado no transport, aparelho que estimula a queima de calorias e ajuda a fortalecer a musculatura das pernas , revela o instrutor.

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“Para que as escadas sejam uma forma eficaz de fortalecimento muscular, é preciso pisar com os pés inteiros, manter o abdome contraído e o tronco ereto, sem forçar a lombar . Ao descer, não jogue o corpo em cima das pernas. Essas dicas evitam lesões nos joelhos .”

Depois de 15 dias de caminhada diária, ou ao menos três vezes por semana, cachorro e dono estão aptos a trotar. “No segundo momento, a dupla pode intercalar caminhada com o trote. 15 minutos de cada é o ideal. Depois de 30 dias, o programa pode ser mais puxado. Recomendamos uma caminhada de 15 minutos, combinada com 30 minutos de corrida e 15 minutos de caminhada novamente para fechar o treino.”

Transformar o cachorro em uma espécie de personal trainner, além de lúdico e estimulante, queima 200 calorias por dia. “A diferença, em menos de um mês, é sentida na balança e no fôlego”, explica Sandro.

Macarrão saudável

Ana Elisa, grávida de cinco meses, passeia com o Gnhocchi no parque do Ibirapuera
Arquivo pessoal
Ana Elisa, grávida de cinco meses, passeia com o Gnhocchi no parque do Ibirapuera
Gnocchi (Nhoque, em português), além de um tipo de massa italiana saborosa, é o nome de um cachorro da raça border collie, de três anos e meio. A necessidade fisiológica do animal deixou Ana Elisa, ilustradora e blogueira de gastronomia, sem desculpas para justificar o sedentarismo.

Profissional autônoma, o trabalho dentro de casa, diariamente à frente do computador, potencializava a preguiça e a deixava menos ativa.

Sair do ambiente doméstico – e de trabalho – era, portanto, não apenas necessário, como saudável. “O Gnhocchi só faz as necessidades básicas na rua. Isso me força a sair com ele quatro vezes por dia. Comecei usar esse tempo para fazer exercício com ele também.”

Durante a semana os treinos eram moderados, apenas caminhadas e corridas leves. Aos sábados, porém, Ana amarrava a coleira de Gnhocchi na cintura e corria, em média, oito quilômetros na área de lazer da Universidade de São Paulo.

Depois que se aprimorou na modalidade, a ilustradora dividiu o treino em dois. Segundo ela, Gnhochi tem fôlego, mas não ultrapassa os oito quilômetros. Hoje, como Ana Elisa está grávida de nove meses, a malhação da dupla foi bastante reduzida. À espera do primeiro filho, que pode nascer a qualquer momento, dará ao menos três meses de folga para o companheiro corredor.

Maratonista e ex-moradores de rua

Java, uma cadela da raça bulldog francês, e o vira-lata Bob Silvestre, são os responsáveis pelos treinos diários de corrida do analista de sistemas Marcelo Pereira da Costa. Apaixonado por cães, o maratonista potencializa a atividade física na companhia de dois dos seus sete cachorros, todos adotados.

“Corro todos os dias seguindo a minha planilha de treinos, logo pela manhã. Muitas vezes, levo a Java comigo. Ela tem pique e adora correr. À noite, duas vezes por semana, levo o Bob, que ainda está aprendendo.”

Os três se revezam no papel de treinador e aluno. Bem preparada e acostumada com o treino pesado, a cadela corre ao lado de Marcelo, sem coleira. Como foi muito maltratada antes da adoção, Java pede proteção ao dono.

“Ela sofreu muito, apanhou demais. Treiná-la nos fez ficar próximos, ganhar confiança. Hoje ela é destemida e amorosa, não precisa de coleira, fica do meu lado o tempo todo.”

Bob ainda é amador. Ao voltar para o Rio de Janeiro, após participar da São Silvestre , Marcelo viu o vira-lata escapar de inúmeros possíveis atropelamentos em uma avenida movimentada, próximo ao bairro onde mora. Em apenas quatro meses, o cãozinho ganhou casa, comida, carinho, dono e condicionamento físico.

Na corrida contra o sedentarismo, os dois cachorros ajudam Marcelo a manter o pique, a balança estável e a atividade física em dia. "Sem dúvida, eles me estimulam diariamente a treinar. É muito gostoso fazer uma atividade física que permita a companhia do cachorro".