Com paciência e determinação é possível reconquistar o corpo esbelto sem arriscar a saúde

Depois da chegada do bebê muitas mulheres se perguntam quando desfilarão novamente com todas aquelas peças de roupas usadas nove meses antes. Para quem seguiu a recomendação dos médicos e ganhou até 12 kg, o caminho para o guarda-roupa antigo certamente é mais fácil.

“Só no parto já vão 6 kg embora. Depois de 40 dias, na primeira consulta, é comum ver mães com 10 kg a menos”, informa Luciana Taliberti, ginecologista e obstetra do Hospital São Luiz, de São Paulo (SP).

Mas isso não significa que quem deu uma derrapada na alimentação durante a gravidez precisa entrar em desespero, apostando em dietas malucas e na rotina de atleta – atitudes que só tendem a prejudicar mãe e filho.

Para voltar aos eixos a primeira atitude é não ter pressa. Selecionamos 10 passos a seguir, para mostrar que é possível, sim, recuperar a silhueta e a autoestima de maneira saudável.

Amamente!
Segundo a nutricionista Fernanda Serpa, diretora da Nutconsult, no Rio de Janeiro (RJ), amamentar a cada três horas leva a um gasto médio de 500 calorias ao dia. “Esse valor equivale a cerca de duas horas de caminhada na esteira”, informa. Por causa desse “exercício”, espera-se que em seis meses de lactação exclusiva o ponteiro da balança aponte uma queda de 0,5kg a 1kg por mês. E tem mais: a amamentação faz com que a barriga perca aquele aspecto de gravidez que permanece mesmo após o parto.

Divulgação / Vando Moraes
A apresentadora Luize Altenhofen recuperou a forma voltando aos cuidados tomados ao longo de toda a gestação
“Isso acontece porque ao amamentar há a liberação de oxitocina, um hormônio que, entre outras importantes tarefas, ajuda o útero a voltar ao tamanho normal”, explica a obstetra Luciana, do Hospital São Luiz.

Hidratação sempre
Para dar um gás na produção de leite e desfrutar dos benefícios da amamentação é fundamental se hidratar muito bem. Luciana diz que nesse período o ideal é garantir a ingestão de pelo menos três litros de líquidos por dia – como água, sucos, chás e água de coco. Só não vale investir no refrigerante!

Alimentação equilibrada
Para não prejudicar o bebê, o melhor é não abusar de alimentos gordurosos e industrializados. Sendo assim, que tal aproveitar o momento para seguir uma alimentação mais saudável?

“Muitas vezes ficar longe de refrigerantes e fast-food em prol da dieta parece difícil, mas fazer esse esforço para que o bebê não tenha cólicas ou alergias é muito mais estimulante”, exemplifica Fernanda Serpa.

Desconfie das lendas
Não caia no erro de acreditar em histórias de alimentos que estimulam a produção de leite, como canjica e cerveja preta. “O maior consumo desses itens seguramente só contribuirá para o aumento de peso”, afirma a nutricionista.

Para estimular a lactação, a profissional dá três dicas: aumente a frequência das mamadas (o intervalo pode ser de duas horas em vez de três), capriche na ingestão de água e, por fim, procure ficar calma e longe de estresse e bebida alcoólica, pois esses fatores prejudicam a liberação de oxitocina e, com isso, a vinda do leite.

Respeite o corpo
Segundo a obstetra Luciana, quem passou por uma cesárea deve esperar pelo menos 40 dias para dar início às atividades físicas. Já aquelas que tiveram parto normal podem voltar à ativa quando se sentirem à vontade. Ainda que haja essa diferença em relação ao tempo de recuperação, nos dois casos é preciso pegar leve, pois há riscos de lesões.

“No período pós-natal a mulher apresenta redução na estabilidade das articulações, distensão e enfraquecimento do assoalho pélvico e dos músculos abdominais, além de seios maiores e mais pesados. Isso significa que o corpo está bem mais vulnerável”, explica a fisioterapeuta Verônica Basso, responsável técnica pela Academia da Gestante, em Cuiabá (MT).

Voltando à malhação
Por estar mais sensível o corpo não deve ser submetido logo de cara a aulas pesadas, mas isso não significa que é para ficar parada! Segundo Verônica, um bom programa de atividades no pós-parto inclui cuidados com a postura, alongamento, relaxamento, fortalecimento e exercícios para os músculos respiratórios da região do períneo.

Antes de colocar a legging e calçar os tênis, uma dica: se possível, busque a orientação de pessoas especializadas em exercícios na gestação e no pós-parto. “Quando o profissional conhece a fisiologia da mulher e todas as mudanças que ocorrem no período gestacional pode oferecer um programa de atividades baseado em diversos critérios de segurança”, frisa Gizele Monteiro, diretora do Mais Vida Gestantes, programa de exercícios para pré-gravidez, gravidez e pós-parto, de São Paulo (SP).

Atividades completas
Duas modalidades altamente recomendadas são Pilates e Treinamento Funcional, pois os movimentos realizados ajudam a prevenir e amenizar a dor lombar que incomoda muitas mulheres nessa fase, além de contribuir para a boa forma.

“As duas atividades trabalham a força e o alongamento dos músculos da coluna e, ao mesmo tempo, a força dos músculos abdominais, perdida por causa da extensão que ocorre com o crescimento da barriga e do bebê”, esclarece Gizele.

Companheiro especial
Não faz ginástica porque não tem com quem deixar o bebê? Bem, isso não é mais desculpa. À medida que cresce, a criança se torna uma excelente sobrecarga para os seus exercícios. Segundo a diretora do Mais Vida Gestantes, “existem profissionais que fazem atendimento personalizado e elaboram séries para serem realizadas em casa. Algumas academias também oferecem esse tipo de programa”.

Outra ótima alternativa é esperar o bebê completar um mês para dar início aos passeios. Como não é recomendado levá-lo a lugares fechados, opte por caminhadas no parque.

Tratamentos aliados
Liberadas no pós-parto, a drenagem linfática e a massagem redutora podem ajudar na recuperação da boa forma, já que a primeira ajuda a diminuir o inchaço e a segunda combate as gordurinhas localizadas. Para uma aplicação segura, busque profissionais especializados no pós-parto.

Segundo a dermatologista Isabel Martinez, da capital paulista, alguns médicos liberam as pacientes dois meses após o parto para realizarem tratamentos contra a flacidez abdominal com aparelhos que usam infravermelho radiofreqüência.

Tempo precioso
Como não dá para ter o corpo dos sonhos em um piscar de olhos, é preciso apostar em outras maneiras de manter a autoestima em alta. Reservar umas horas para ir ao salão de beleza é uma delas. “É bom a mulher encontrar um tempo para se cuidar. Quanto mais ficar em casa, maiores as chances de buscar prazer na comida”, observa Luciana Taliberti, ginecologista e obstetra do São Luiz.

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