A prancha, o skate e a bike tomam o lugar do copo de cerveja e transformam a noite em um ótimo periodo para treinar

As ciclistas do Saia na Noite se reunem todas as terças-feiras, às 21h, no Itaim, zona sul de São Paulo, para pedalar
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As ciclistas do Saia na Noite se reunem todas as terças-feiras, às 21h, no Itaim, zona sul de São Paulo, para pedalar
Falta de tempo, gosto ou desafio. Para alguns, uma dessas opções (ou as três juntas) faz da noite um horário propício ao esporte. Cada modalidade exige uma disposição e determinada infra-estrutura. Para os ciclistas do Night Bikers, que se reúnem todas as terças-feiras, às 21h, para pedalar, o período representa uma quebra no dia estressante. A temperatura, mesmo nos dias quentes, já está mais amena e o expediente, geralmente, já foi encerrado.

A idéia começou com a jornalista Renata Falzoni, em 1980. A proposta era reunir amigos, pedalar durante um tempo e, ao final do exercíco, parar em um dos muitos bares da cidade de São Paulo para relaxar, descontrair. O objetivo inicialmente despretensioso ganhou adeptos do ciclismo e hoje se limita a um grupo de esportistas que levam a modalidade bem a sério. 

“Pedalamos forte, não temos espaço para novatos. Não ensinamos, apenas nos reunimos para treinar juntos. Todos os participantes são dedicados ao esporte, sabem a intensidade do treino. Não queremos quantidade e nem pretendemos pedalar devagar", explica Renata.

Na época, há mais de 20 anos, a cidade de São Paulo era calma após as 20h, relata a ciclista. O horário favorecia a pratica do esporte noturno. “O número de veículos e de pessoas estressadas no trânsito era muito menor. Hoje temos um cuidado redobrado, não existe nenhum horário em que a cidade esteja vazia.”

Com um objetivo menos profissional, o grupo Saia na Noite direciona o ciclismo só para as mulheres. A idéia é unir esporte e lazer em um grupo sem limites de idade, sem pré-requisitos. Basta saber pedalar e ter o equipamento – bike e capacete – para participar.

Teresa D'Aprile, fundadora do Saia na Noite, descobriu o nicho quando começou a usar a bike como meio de transporte, em 1990. Segundo ela, muitas amigas tinham vontade de praticar o esporte pela cidade, mas faltava coragem. “Naquela época, qualquer atividade que fugisse do padrão era encarada negativamente.”

Hoje, o grupo se reúne para um passeio semanal de comadres. Vestidas com uma camiseta rosa pink, as meninas do Saia são facilmente reconhecidas. A maioria, porém, não se conhece, mas a intimidade é criada logo na primeira pedalada. “A proposta é fazer uma atividade física, cuidar do corpo, conversar, conhecer a cidade. Muitas nunca passaram pelo Museu do Ipiranga”, revela Teresa.

Algumas academias também se reestruturaram para atender as demandas de tempo da população. A academia Gaviões, em São Paulo, funciona 24h por dia, de segunda a sábado. As aulas de ginástica são oferecidas até as 22h, mas a sala de musculação tem um instrutor durante a madrugada.

No Rio de Janeiro, o holofote da praia do Arpoador, em Ipanema, zona sul da cidade, atrai surfistas dispostos a praticar o esporte à noite, mesmo que o horário comprometa a visibilidade das ondas. O vice-presidente da Federação de Surfistas do Rio de Janeiro, Abílio Fernandes, revela que já surfou das 22h até as 2h. “É bem comum isso ocorrer nas praias em que a iluminação é minimamente razoável. Quem não tem tempo, trabalha o dia todo, aproveita pra treinar à noite."

O desafio, segundo Fernandes, é maior e os cuidados, redobrados, justamente pela falta de luz “O holofote não é suficiente. É preciso ter muita atenção para saber o momento certo de se colocar no mar quando a onda vier.”

Duas pistas públicas de skate no centro de Curitiba costumam atrair skatistas após as 23h. O local é razoavelmente iluminado e nunca fecha. Segundo o presidente da Federação de Skate do Paraná, Cristian Aurélio Pereira, nesse horário, as pistas estão mais vazias e é possível treinar tranquilamente. Na opinião do profissional, a prática noturna requer alguns cuidados maiores por conta a qualidade da iluminação.

“É absolutamente viável e bem comum treinar durante a madrugada. O período favorece quem não tem tempo, e não quer encarar o horário de pico, que costuma ser no final da tarde, mas a iluminação não é perfeita, é preciso estar atento.”

Contatos:
Night Bikers: http://www.nightbikers.com/
Saia na Noite: http://saiananoite.com.br/
Federação de Skate do Paraná: http://federacaodeskatedoparana.blogspot.com/
Federação de Surfistas do Rio de Janeiro: http://www.feserj.com.br/

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