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Exercícios para a memória de pacientes com Alzheimer

Manual sugere atividades para retardar perda de cognição entre idosos com a doença

Bruno Folli, enviado a Belo Horizonte | 29/07/2010 18:10

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Foto: Getty Images

Manual sugere exercícios para ajudar pacientes com Alzheimer

Não há como reverter o declínio cognitivo dos pacientes com mal de Alzheimer, mas é possível amenizar os efeitos da doença com exercícios para memória e outras atividades de fácil execução.

Algumas dessas tarefas foram reunidas no “Manual Memória, Arte e Sucata”, elaborado pela geriatra Ivete Berkenbrock, em parceria com a psicóloga Joice Peters Schiavinato, especialista em gerontologia. A publicação acaba de ser lançada no XVII Congresso Brasileiro de Geriatria, que teve início nesta quinta-feira, dia 29, em Belo Horizonte (MG). “O manual é uma ferramenta direcionada ao cuidador do paciente com declínio cognitivo leve a moderado”, descreve Ivete.

Cada capítulo representa um mês do ano, com informações sobre as suas principais datas comemorativas. Os exercícios sugeridos buscam associar a data em questão com lembranças pessoais do paciente, o que irá estimular sua memória. Por exemplo, no primeiro capítulo (janeiro) é pedida a construção de frases com as palavras “nascimento”, “família” e “amigos.” “Isso reduz a agitação do paciente, melhora seu humor e favorece a interação com o cuidador”, enumera Ivete. Também é sugerida uma série de atividades artesanais, como a confecção de máscaras de carnaval durante o segundo capítulo (fevereiro) e um porta-guardanapos da Páscoa, no quarto capítulo (abril).

A realização deste tipo de atividade é praticada em diversos centros de atendimento e suporte ao idoso com mal de Alzheimer, e tem comprovada sua capacidade de melhorar a socialização do paciente.
Não há separação dos exercícios por dificuldade, eles devem ser aplicados conforme a resposta do paciente. O material, elaborado com apoio da farmacêutica Janssen-Cilag, está sendo distribuído gratuitamente em consultórios de médicos que recebam pacientes com declínio cognitivo.

Velhice ou doença?

O mal de Alzheimer afeta o cérebro e geralmente prejudica memória, raciocínio e linguagem. Mas a doença pode também prejudicar outras funções, como a mastigação, caso atinja determinadas áreas do cérebro. Em seu estágio inicial, a doença pode ser confundida com um processo natural do envelhecimento.

Os sintomas costumam ser uma leve confusão no espaço e tempo, dificuldade de tomar decisões e de lembrar fatos recentes, além de falta de motivação. A doença vai se agravando aos poucos, de forma gradual, tornando o idoso cada vez mais isolado e prejudicando a realização de tarefas corriqueiras do cotidiano. As causas da doença ainda não são bem compreendidas, mas já é sabido que ela está associada ao envelhecimento.

Atualmente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que a população idosa, com idade igual ou superior a 65 anos, represente 6,67% da população total do país. Este número deve dobrar até 2050. Só no estado de São Paulo, de acordo com a Fundação Seade, já existem cerca de 4,3 milhões de idosos, sendo que o número deve chegar a 7,1 milhões em 2030. A maior parte (56,8%) será de mulheres.

O repórter Bruno Folli viajou à convite do Congresso Brasileiro de Geriatria
 

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