Pesquisa comprova que o uso diário de protetor solar previne o melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele

Protetor solar: eficácia comprovada contra o câncer de pele
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Protetor solar: eficácia comprovada contra o câncer de pele
Um novo estudo científico feito na Austrália comprovou que o uso diário de filtro solar – aplicado no pescoço, nos braços e nas mãos – reduz pela metade as chances de desenvolver melanoma, o tipo mais agressivo e letal de câncer de pele.

Pesquisadores australianos dividiram mais de 1.600 adultos de raça branca, entre os 25 e 75 anos de idade, em dois grupos: o primeiro foi designado a utilizar filtro solar diariamente – aplicado em rosto, pescoço, braços e mãos – por um período de cinco anos, entre 1992 e 1996. O segundo recebeu as instruções de usar filtro solar com a frequencia que desejasse. Os participantes foram acompanhados pela equipe de pesquisa durante os 10 anos posteriores, respondendo questionários uma ou duas vezes a cada ano.

Durante o período do estudo, 11 pessoas que usaram filtro solar diariamente foram diagnosticadas com melanoma, enquanto 22 participantes do grupo que usou protetor quando quis tiveram a doença. De acordo com o estudo, porém, o resultado teve um significado estatístico intermediário. Aparentemente o filtro solar também protegeu contra melanomas invasivos, estes de mais difícil recuperação do que os superficiais por já estarem espalhados em camadas mais profundas da pele.

Apenas três participantes do grupo que usou filtro solar diariamente desenvolveram algum tipo de melanoma invasivo. Entre o grupo que não usou diariamente, 11 participantes desenvolveram a forma invasiva da doença – uma diferença de 73%.

“Há muito tempo já sabíamos que o filtro solar previne o aparecimento de carcinoma basocelular – o tipo mais comum de câncer entre brancos –, mas os dados sobre o melanoma sempre foram um pouco confusos”, disse Howard Kaufman, especialista em melanoma e diretor do Centro de Câncer Rush, de Chicago (EUA).

“Este foi um estudo bem controlado, que levou em conta algumas variáveis como o tempo que as pessoas passam ao sol. Os dados sugerem que o uso de filtro solar realmente reduz os riscos de desenvolver melanoma”, disse o especialista, que não participou da pesquisa.

Os pacientes também receberam 30mg de betacaroteno, que tem a reputação de ajudar a proteger contra o câncer, ou de placebo. Entretanto, o estudo demonstrou que o betacaroteno não surtiu qualquer efeito.

As descobertas foram publicadas esta semana na revista especializada Jornal de Oncologia. Parte da pesquisa foi custeada pela empresa L’Oréal, fabricante de produtos cosméticos e – dentre eles protetores solares.

Segundo dados de referência ao estudo, o melanoma é responsável por apenas 5% dos cânceres de pele, mas é o causador da maioria das mortes em razão da doença. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que a exposição aos raios ultravioleta está fortemente ligada ao aparecimento do melanoma. Os autores dos estudos dizem que diversos trabalhos sobre os efeitos do protetor solar na prevenção do melanoma tiveram problemas com a metodologia ou foram inconclusivos.

No novo estudo, os participantes tiveram de preencher questionários, uma ou duas vezes ao ano, sobre o uso pessoal do protetor solar, o tempo passado ao ar livre e o histórico familiar de câncer de pele.

Embora nenhuma pesquisa possa oferecer uma prova definitiva sobre tais benefícios, Adele Green, principal autora da pesquisa e atual diretora e professora de epidemiologia do Instituto de Pesquisas Médica de Queensland, na Austrália, disse que as descobertas realmente oferecem evidências convincentes de que o filtro solar deve ser usado para evitar o melanoma.

“Quando pessoas de pele clara são expostas à luz solar intensa no verão, ou em férias em lugares ensolarados, é importante que usem filtro solar regularmente, além de tomar outras medidas de proteção solar – como evitar o sol a pino e usar roupas protetoras”, disse Greene.

Os participantes do grupo que usou protetor solar diariamente demonstraram maior probabilidade de continuar a usar o produto regularmente do que os participantes do segundo grupo nos 10 anos posteriores ao final dos testes. De acordo com o estudo, os participantes do primeiro grupo também podem ter aplicado protetor nas pernas, torso e em outras partes do corpo.

Os pesquisadores ressaltaram que, mesmo aqueles que já tinham 60 anos de idade ou mais e começaram a usar protetor solar diariamente, mostraram menor probabilidade de desenvolver melanoma em relação aos que não o fizeram.

* Por Jenifer Goodwin

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