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Música influencia o ritmo dos exercícios

A batida da canção pode acelerar ou diminuir o rendimento. Maratonas nos EUA consideram tocadores de música "dopping"

Yara Achôa, iG São Paulo | 16/11/2010 12:41

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Foto: Thinkstock/Getty Images

Ouvir música durante a atividade física motiva e pode fazer você ir mais longe


Músicas podem dar mais ânimo na hora dos exercícios, principalmente porque mexem com emoções. Como não se motivar ao som de Eye of the Tiger, tema do filme Rocky, o Lutador, lembrando da cena do ator Sylvester Stallone correndo pelas ruas da Filadélfia. Ou ainda como não se animar com a batida do hit Telephone, de Lady Gaga?

“Ao realizar exercícios ouvindo música sofremos alguns processos psicofisiológicos. Essas alterações são perceptíveis na frequência cardíaca, na motivação e no rendimento”, diz o professor de educação física Erivaldo Hildefonso Moreira, diretor técnico da Run For Win Assessoria Esportiva, de São Paulo.

Não é difícil perceber o quanto a música está associada à atividade física. Ao entrar em uma academia, clube ou outro espaço em que as pessoas estejam se exercitando nota-se a utilização dos aparelhos sonoros para estabelecer o ritmo do movimento, como entretenimento ou motivação.

O problema é que na sala de musculação de algumas academias compartilha-se a música em volume alto e nem todos apreciam o mesmo estilo. “Neste caso, o som pode se tornar desagradável, atrapalhando o desempenho da pessoa”, diz Erivaldo.

Foto: Arquivo pessoal

Jackeline Gense escolhe canções alegres para correr e fazer exercícios localizados

“Tanto na corrida de rua, quanto na academia, me animo e acelero os movimentos com uma música mais alegre”, afirma a estatística Jackeline Gense, de São Paulo. Quando está correndo e alguma música lenta "surge" em seu MP3, Jackeline não hesita em trocar a faixa. E quando precisa largar com motivação total, tem sua preferida: “É Dancing With Myself, do Billy Idol. Saio correndo forte e ‘troco’ o ‘dancing’ (dançar em inglês) por ‘running’ (correr em inglês)”, brinca.

Para os exercícios localizados, Jackeline também conta com o apoio sonoro. “Se não tiver música, a atividade torna-se muito monótona e não passo dos cinco minutos”.

Concentração
 

Em esportes coletivos — como basquete, vôlei ou futebol — os movimentos e gestos técnicos não acontecem de maneira repetitiva e são realizados de acordo com alterações no ambiente. Nesses casos, a música não favorece o desempenho. Mas as canções podem ajudar na motivação quando ouvidas antes.

Já em atividades como corrida, caminhada, musculação e ginástica localizada, que possuem a repetição mecânica como elemento principal, o som pode ser uma grande companhia. Uma das vantagens é que a atenção do individuo está focada em suas próprias sensações, driblando o cansaço e a dor. A técnica é conhecida pelos psicólogos como dissociação. “A música entra como um elemento capaz de direcionar a atenção a algo mais prazeroso”, argumenta o professor da Run For Win.

Apaixonado por ultramaratonas, o médico Gentil Jorge Alves Junior, de Ribeirão Preto, faz treinos de quatro a oito horas de duração e provas que podem chegar a dois dias.

“As músicas se transformam em aliadas para combater o tédio e aliviar o foco das dores em alguns momentos. As canções que têm maior apelo emocional funcionam como um catalisador das reservas de energia e me ajudam a melhorar a concentração e o desempenho”, diz. Ele conta que tem como estilo preferido o rock/pop, mas já correu ouvindo até sertanejo.

Certa vez, em uma maratona de 100 quilômetros, Gentil sentiu as energias se esgotarem no quilômetro 80. “Meu iPod havia deixado de funcionar. Por sorte, bem ali, voltou a pegar, tocando Wildest Dreams, da banda finlandesa Brother Firetribe, que eu gosto muito. Foi como uma descarga elétrica”, lembra. O contrário também já ocorreu. “Estava em uma prova de 10 quilômetros, mantendo ritmo abaixo de quatro minutos por quilômetro, ouvindo musica eletrônica. De repente tocou Marisa Monte. Foi como se tivessem puxado meu freio de mão. A performance caiu na hora”.

Foto: Arquivo pessoal

O militar Jorge Cerqueira ouve músicas nos estilos dance, psy e trance para encarar treinos longos

Aumente o som

Um estudo publicado no periódico Journal of Sport & Exercise Psycology, em 2009, demonstrou que a música certa pode fazer você correr mais e melhor. “O tempo passa mais rápido, você ganha ritmo, diminui sua percepção de cansaço e melhora o humor”, descreveu o pesquisador Costas Karageorghis. O desempenho dos indivíduos que foram avaliados na pesquisa aumentava quando o som obedecia a certas características, como batidas mais intensas e cadenciadas.

O ultramaratonista Jorge Cerqueira, militar da Força Aérea do Rio de Janeiro, tem mais 100 canções nos estilos dance, psy e trance em seu mp4.

“Arrumo as músicas na sequência em que quero que toquem, para não atrapalhar os treinos, que são longos e em ritmo forte”, diz. Ele conta que certa vez, quando estava quase desanimando em um treino, a salvação veio na batida de Darude, do Sandstorm.

A música é tão poderosa que alguns organizadores de provas a consideram uma espécie de “dopping”. A USA Track & Field, federação de atletismo americana, por exemplo, proíbe o uso de tocadores de música portáteis em suas corridas oficiais. A regra foi criada com o objetivo de garantir a segurança do evento e evitar que os corredores ganhem vantagem competitiva.

Para melhor ou pior

O auxiliar de dentista Majo Yslei Souza, de São Paulo, encontrou motivação e desânimo em uma mesma sessão de corrida com música. “Estava há sete quilômetros da minha casa e um pouco desanimado. Fui mudando as músicas no mp3 até que chegou Elevation, do U2. Naquele momento me empolguei e pensei até em aumentar o percurso. O problema foi que, antes mesmo de terminar a canção, acabou a bateria do aparelho. Desanimei totalmente e peguei um ônibus de volta para casa”, conta.

Quando você conhece bem seu corpo e sabe dosar a intensidade de exercícios, programar uma playlist com músicas energéticas pode ser bastante benéfico para dar um impulso no treino, sem o risco de se machucar. “Já iniciantes devem ter cuidado. Se por um lado as canções são motivantes, por outro existe o perigo de se entusiasmar demais e passar dos limites”, alerta o professor Erivaldo.

Como as músicas também levam a diferentes estados afetivos, as mais lentas podem provocar rendimento negativo. Foi o que aconteceu com o projetista de instalações elétricas André Luiz Panetto, de São Paulo.

“Não consegui montar a tempo uma playlist para uma prova de 10 quilômetros e corri ouvindo todas as músicas que estavam no meu celular, em modo aleatório. Em determinado momento tocou Easy, do Faith no More. Adoro a música, mas ao ouvi-la naquela hora meu ritmo caiu bastante. Sem perceber estava quase andando”.

Confira dicas para programar as músicas que podem ditar seu ritmo durante a atividade física.

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    13 Comentários |

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    • Lia Cavalcanti | 17/11/2010 22:31

      Ha quatro anos corro e ha quatro escuto musicas dos mais variados tipos.Ja consegui quebrar tres ipods nano e um foi roubado :(
      Agora uso o iphone 4 com o nikeplus /gps e escuto somente musica tipo eletronica de um Kiss FM Europeu
      .Sao 300 musicas energizantes e o meu powersong Deadmau5 - Dr. Funkenstein

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    • Edson Sordi | 17/11/2010 17:43

      Isso é a mais pura verdade. Pratico esporte e sei que sempre rendemos melhor com uma boa música. Sorte que temos essa vantagem fisiológica para nos motivar, não só no esporte mas em qualquer aspecto do nosso dia-a-dia.

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    • Eduardo | 17/11/2010 16:08

      E os malefícios à audição, pressão arterial e estresse em geral que o excesso de barulho provoca? Esta matéria passou por cima dse tudo isso. Uma irresponsabilidade.

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    • Duarte | 17/11/2010 14:40

      onde posso comprar um mp 4 pequeno pra correr grato...

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    • weslei dias | 17/11/2010 13:57

      Legal !!!

      Realmente a musica descarrega uma energia em nos ainda mas quando de alguém, lugar o algo que nos motive.
      Vou testar isso na natação.

      Abraços

      W.D

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    • inez | 17/11/2010 11:40

      Adoro ler as mensagem do oi, como caminhar ouvindo musica e muito bom , tiro por mim! eu quando estou caminhando ouvindo musica vou mais longe, me sinto muito bem ,

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    • teo | 17/11/2010 10:27

      Pura verdade.... eu já senti e testei isto,,,, a diferença é fantastica.....mas parece ser uma droga boa.

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    • ELISETE PEREIRA | 17/11/2010 00:23

      Sou viciada em correr com música, e sempre digo que é o meu dopping.
      Já corri uma maratona repetindo a mesma música,mas eu sou normal. rsss.
      Tenho uma coleção de mp3, todos a pilha.
      Na maratona das cataratas deste ano parei para comprar pilha, lá pelos 16k, foi rápido o retorno, já que tinha uma banca à beira do percurso, lá pelos 24k, o aparelho pifou de vez.
      Para sua segurança, meu conselho é que sintonize o som bem baixo, e as vezes o fone apenas num dos ouvidos, de maneira que possamos perceber os ruídos externos.

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    • Marco A. Oliveira | 17/11/2010 00:16

      A música usada com aproveitamento deverá ser de uso pessoal com músicas conhecidas pelo participante, como fator de incentivo em vários ritmos de acordo com a atividade física poderá melhorar seu rendimento almejado, mas tudo isso dependerá do estado de concentração do indivíduo, num nível mais elevado usa-se o treinamento mental que com orientação de um professor de educação física especializado poderá ter resultados surpreendentes controlando assim seu estado emocional e aumentando sua capacidade física, através do uso correto e adequado de músicas em seu treinamento. Marco -Professor de Educação Física

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    • rafa | 16/11/2010 23:43

      Nem sou fã de heavy metal, mas descobri que Iron Maiden é excelente para correr!

      Já televisão e exercícios não combinam nada, nunca pedale olhando pra TV ou leia livros.

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