Obesidade para trás: a importância de não apagar o passado

Muitas pessoas decidem apagar ou jogar fora fotos que lembrem a fase obesa. Psicólogos alertam: medida não é saudável

Priscilla Borges, iG Brasília

Getty Images
De bem com o passado: fotos do período de obesidade ajudam a lidar melhor com a própria imagem
Não é raro ouvir de quem deixou de ser obeso que fotos e imagens antigas – qualquer coisa que lembre a fase superada – foram “devidamente” apagadas ou jogadas no lixo.

A justificativa é quase sempre a vontade de “esquecer” o corpo de outrora. Talvez, até o comportamento.

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A medida radical, no entanto, não é recomendada por psicólogos. Especialistas que lidam com pacientes obesos são enfáticos: é preciso respeitar o passado e, com isso, a própria história.

Aceitar a condição anterior é fundamental para que, no futuro, a obesidade não se se torne realidade novamente.

“Essas imagens devem ser guardadas e respeitadas, como a gente guarda todas as fotos da vida. A pessoa precisa se lembrar de que ela também foi daquele jeito um dia”, ressalta Silvana Martani, psicóloga da Clínica de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo.

Para Silvana, o comportamento de apagar as memórias é ingênuo. “Isso acontece demais. De certa forma, há uma ingenuidade de que simplesmente apagando a foto, ele deixa de existir daquela forma. Manter isso como memória é trabalhar melhor com o corpo atual”, afirma.

“Quando a pessoa não consegue lidar com isso afetivamente, lida com isso praticamente, jogando algo concreto fora, como se tivesse lidado com a questão”, diz.

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O sucesso do combate à obesidade, segundo os especialistas, depende muito da postura dos pacientes diante da mudança de hábitos. A psicóloga Simone Maristela dos Santos afirma que as pessoas obesas precisam compreender o que as leva a comer tanto.

“Na grande maioria dos casos, existe uma relação emocional com a comida, que precisa ser resolvida também”, opina.

De acordo com Simone, a relação do obeso com a comida é como um vício. Essa compreensão sobre o próprio comportamento exige enfrentar a pessoa de antes, inclusive a própria imagem.

“Percebo que muitos pacientes que fazem cirurgia bariátrica, por exemplo, e passam por esse acompanhamento, guardam essas fotos como um troféu”, conta.

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Silvana, autora de livros sobre obesidade infantil e adolescente, acredita que pacientes obesos em fase de emagrecimento devem ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar.

Autoimagem deturpada

Eliana Lazarini, professora do Departamento Psicologia Clínica da Universidade de Brasília (UnB) realizou uma pesquisa com alunos e funcionários da instituição sobre autoimagem. Segundo ela, as pessoas obesas, em geral, se achavam muito mais gordas nas fotografias do que realmente eram.

“Muitos se sentiam chocados ao se olhar nas imagens”, recorda.

A pessoa obesa que emagrece, segundo ela, não acompanha, emocionalmente, a condição física – de perda de peso – na mesma velocidade.

“Não querer entrar em contato com o que se é ou foi, é uma espécie de defesa psíquica e, de certa forma, não é saudável”, analisa.

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