Superação de limites, paixão pelo esporte, inspiração. Conheça os motivos levam os corredores a percorrer longas distâncias

Desafio e superação são as razões que motivam Jaime Maria da Rocha para a maratona
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Desafio e superação são as razões que motivam Jaime Maria da Rocha para a maratona
“Você é louco!” Essa é uma das exclamações mais frequentes quando Jaime Maria da Rocha conta que faz treinos de corrida de 40 quilômetros e participa de competições que ultrapassam 100 quilômetros. Ele é um ultramaratonista. Convive com as dores e delícias da corrida e foi um dos participantes do Desafio dos 600K, corrida de revezamento que vai de São Paulo até o Rio de Janeiro, encerrada no último sábado (23/10). “Faço porque gosto. É uma forma de me superar”.

Quando começou a cogitar participar de competições de endurance, em 1999, seu treinador, Mário Sérgio Andrade Silva, pensou se tratar de uma brincadeira. “Coloquei na cabeça que poderia correr a Volta à Ilha de Florianópolis (150 km) na categoria solo. Procurei por meu treinador para solicitar apoio e informações de como seria a prova. A princípio acho que ele não pensou que era sério. Mas quando começamos a treinar ele percebeu que era para valer”, conta Jaime.

O corredor participou de algumas ultras (com distâncias entre 185 a 233km) até realizar seu sonho. “Em 2002, corri a Volta à Ilha. Foram seis meses de treinamentos intensos, com percursos diários que variavam de 21 a 80 quilômetros, além de acompanhamento psicológico e nutricional. No final a surpresa não foi minha vitória, mas sim ter batido o recorde da prova na categoria solo. A marca anterior pertencia a um ultramaratonista muito mais experiente do que eu”.

Mário Sérgio se diverte com as histórias de seu aluno: “Uma vez ele falou que ia comprar pão e foi correndo de São Paulo até Santos (cidade do litoral sul de São Paulo, distante 80 quilômetros da capital paulista). A padaria ficava lá”. Jaime jura não sentir dores mesmo após competições mais desgastantes. “Acho que é genética”, justifica.

São Silvestre

Giovani Braga, o ex-porteiro maratonista
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Giovani Braga, o ex-porteiro maratonista
O cearense Giovani Braga começou a ter vontade de correr em 1987, quando assistiu pela televisão à tradicional Corrida de São Silvestre, realizada em 31 de dezembro, com percurso de 15 quilômetros pelas ruas da cidade de São Paulo. Passou a correr em sua região, até que decidiu vir para São Paulo.

“Foi em 1995. Vim correr a São Silvestre e passar uma semana. Mas resolvi arrumar um emprego e ficar”. Sem o colegial completo, empregou-se como porteiro. “Trabalhava o dia todo e saia para correr à noite”. Como decidiu ficar na capital paulista, também resolveu levar a sério o treinamento. “Procurei orientação profissional e contei com a ajuda de muita gente para poder pagar por isso”, conta o corredor.

Seu segundo emprego foi como vendedor, em uma grande rede de supermercado. Mas a corrida entrou tão forte em sua vida que ele conseguiu se formar em educação física e hoje é treinador de uma assessoria esportiva focada em alta performance.

Giovani foi um dos destaques da equipe Butenas na Corrida SP-Rio, o Desafio dos 600K, que ficou em quinto lugar. “Correr é paixão, é superação. É aprender a lidar com a dor, ignorá-la até, para poder chegar mais longe”.

Vj com o pé na estrada

A VJ Penélope Nova trocou a musculação pela corrida
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A VJ Penélope Nova trocou a musculação pela corrida
Penélope Nova, a VJ da MTV, da equipe Atlhetics West, confessa que seu esporte sempre foi musculação, mas resolveu encarar um desafio diferente. “Comecei a treinar sério há dois meses e meio para essa corrida. Treinei seis dias por semana, às vezes até em dois períodos, para dar conta da aventura”.

Às vésperas do Desafio dos 600K, confessou seu medo: “Estou com o coração na mão”. Mas durante os três dias de pé na estrada, mostrou espírito guerreiro, em momentos de risos e lágrimas. “Participar dessa corrida foi uma das experiências mais válidas da minha vida! Correr é a percepção de estar vivo numa intensidade acima do normal”.

Jovem maratonista

A estudante de jornalismo Carolina Cagno tem apenas 22 anos e vai correr sua primeira maratona daqui duas semanas: “Corro há cinco anos. Achei que era hora de fazer algo maior. Escolhi a Maratona de Nova York”, conta.

A integrante mais nova da Equipe Imprensa do Desafio dos 600K, encarou como “gente grande” as dificuldades do percurso. “Foi muito difícil, mas muito gratificante”, conta a jovem que teve o privilégio de encarar um de seus trechos puxada pelo maratonista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima.

Outro momento marcante para a jovem aconteceu em Santa Cruz (RJ), quando Carolina completava seu trecho sob forte calor. Ela foi surpreendida pela família, o pai Sergio e a mãe Maria Aparecida, e chorou de emoção. “Por momentos como esses é que todo sacrifício vale a pena”, disse.

Palavras de campeã

Para quem acompanhava o marido corredor em provas e “cansava só de olhar”, Edneia Gomes foi longe demais. Ela é uma das integrantes da equipe Nike+, a vencedora do Desafio dos 600K.

Foi por insistência e incentivo do parceiro e também para perder alguns quilinhos que ela resolveu calçar os tênis. “Em minha primeira prova, sem preparo algum, corri 10 quilômetros em 53 minutos”, lembra.

A paixão foi imediata e ela passou a treinar com dedicação. E ao mesmo tempo em que perdia quilos, ganhava performance, inclusive subindo ao pódio em algumas competições.

Foi a corrida também a responsável por sua nova escolha profissional. Hoje, aos 32 anos, ela é estudante de educação física. As dores e dificuldades da dura prova dos 600K foram minimizadas pela vitória na competição. “Corro pelo prazer de me desafiar. Ganhar realmente foi um sonho!”.

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