Repórter do canal Saúde relata sua experiência na mais tradicional corrida de rua do Brasil

A jornalista Yara Achôa era só empolgação na descida da Rua da Consolação
Antonio Colucci/Divulgação
A jornalista Yara Achôa era só empolgação na descida da Rua da Consolação
Desde que eu me conheço por gente, a São Silvestre me fascina. Adorava quando era realizada à noite (até 1988 a largada era às 23h30) e acompanhava pela televisão aquelas pessoas começando o ano novo correndo pelas ruas de São Paulo. Nunca havia me imaginado suando a camisa, mas lembro que, já com planos de cursar jornalismo, desejei fazer a cobertura da prova. O tempo passou, eu me formei e há cinco anos me tornei corredora.

A primeira vez que pensei em correr a São Silvestre foi em 2006. Fiz a inscrição e intensifiquei meus treinos. Um mês antes da prova, no entanto, uma dor na canela foi diagnosticada como “fratura por estresse”. Quando meu treinador falou que eu não poderia participar, chorei. No ano seguinte eu fui à forra, completando em 1h35m.

Em 2008 e 2009, fiquei fora novamente – uma vez por opção, outra por conta de uma lesão (tendinite no quadríceps). Em 2010 a SS não me escaparia. Ainda mais por ter sido um ano muito especial para mim nas corridas, quando bati todos os meus recordes pessoais: 49 minutos nos 10K; 1h24m nas 10 milhas (16K); 1h52m na Meia Maratona (21K); 3h53m na Maratona (42K). Isso sem contar minha participação na Equipe Imprensa na Nike 600K, prova de revezamento de São Paulo até o Rio de Janeiro.

Polêmica

O que estragou o brilho desta ultima São Silvestre foi a entrega antecipada das medalhas aos corredores. Os organizadores, alegando “medidas de segurança na dispersão”, incluíram a medalha no kit do atleta, distribuído dias antes da prova. Onde já se viu receber o prêmio antes do esforço?

Polêmicas e revoltas à parte, lá fui eu para a Avenida Paulista no dia 31 de dezembro. A largada para a elite foi dada às 16h50, mas eu só passei pelo pórtico às 17h08 – afinal, éramos 21 mil corredores!

Minha meta era concluir os 15 duros quilômetros em 1h30m – ou seja, ir a um ritmo de seis minutos por quilômetro, o que me faria bater minha marca anterior. Mas a São Silvestre é uma festa, tem uma energia muito legal, você dá risada com milhares de “personagens” ao longo do caminho e é difícil não se empolgar, ainda mais bem treinada e acompanhada de amigos. Ao lado de dois deles, deixei minha tradicional concentração de lado para me divertir, correndo e brincando com as pessoas.

Quando vi, descíamos a Rua da Consolação (ainda bem no início da prova) em um ritmo abaixo de cinco minutos por quilômetro. “Para baixo todo santo ajuda”, lembrou um dos meus amigos. Pois é, ainda tínhamos pela frente o Minhocão (Elevado Costa e Silva), uma extensa Av. Rudge e a temida subida da Av. Brigadeiro Luís Antônio. O melhor a fazer era poupar energia. Mas quem disse que eu conseguia? Parecia que minhas pernas tinham vida própria – e eu corria, feliz.

Empolgação

Fui encontrando outros tantos amigos e conhecidos pelo caminho, dando e recebendo força para continuar. Anônimos também me empolgavam – trocávamos palavras de incentivo e seguíamos adiante. Quando olhei no relógio, me espantei: “Já estamos no quilômetro 10! Está passando muito depressa...”

E faltando pouco mais de dois quilômetros para o final, lá estava ela: a subida da Brigadeiro. Um senhor de 63 anos, seu José da Paz, emparelhou e fomos juntos. “Soca a bota!”, gritava ele. Eu ria e mandava ver. Comecei a cansar já no finalzinho da subida – mas agora faltava pouco. Virando a esquina na Avenida Paulista, era correr para o abraço. E com 1h24m21s cruzei o pórtico de chegada! Melhor do que eu previa.

Foi uma corrida linda, apesar das falhas da organização - distribuição de água quente e falta de isotônico ao longo do caminho, além da medalha antecipada. Um pouco mais de respeito aos corredores (milhares que vêm de longe) - que são a alma da São Silvestre e que fazem dela essa festa –, cairia bem nos próximos anos.

A corrida é um esporte simples, apaixonante, faz bem ao corpo e à alma, amplia seus horizontes, leva você à superação de limites... Empolgou-se? Quem sabe nos encontramos então na São Silvestre 2011!

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