Câncer avança e já é a segunda causa de morte no País

Em 1999, tumores ocupavam quarto lugar no ranking nacional; violência perdeu espaço mais ainda entre os líderes da mortalidade

Fernanda Aranda, iG São Paulo | 17/09/2010 10:00

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O envelhecimento e os maus hábitos da população alteraram o ranking das causas de morte no País. Apesar de infarto, acidente vascular cerebral e hipertensão permanecerem na liderança da lista desde 1999, de lá para cá o câncer avançou. Cresceram também os óbitos provocados por problemas endócrinos, como obesidade e diabetes.

O quadro faz parte dos novos indicadores sociais divulgados hoje (17/9), pelo IBGE. Em 2008 – ano avaliado – 15,6% da população morreu em decorrência de câncer, a segunda causa de morte mais recorrente. Em 1999, os tumores malignos ocupavam a quarta posição e 11,4% do total de mortalidade. O avanço das duas casas na lista representa um aumento médio de 36,8%.

Uma das explicações para a mudança é o envelhecimento da população. Segundo o mesmo estudo do IBGE, no período entre 1999 e 2008, o brasileiro ganhou, em média, 3 anos a mais de vida – a expectativa de vida ao nascer é de 73,5 anos.

A mortalidade de pessoas com mais de 80 também aumentou. As doenças oncológicas, explicam os especialistas, são muito mais recorrentes em idosos porque estão relacionadas ao envelhecimento das células e à falta de proteção hormonal, características da idade avançada.

Doenças cardiovasculares seguem na liderança

Principais causas de morte no País (em %)

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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

 

 

Mais obesidade e menos violência

Outra alteração no ranking da mortalidade do brasileiro é a diminuição da participação das causas externas (formadas principalmente por acidentes de trânsito e assassinatos). Em 1999, este grupo de causas respondia por 17,9% do total de mortes, o segundo lugar na lista. Hoje, corresponde a 12,5% e é o terceiro motivo de óbitos no País. Apesar da alteração, em 55,5% dos Estados, a violência ainda é mais letal do que o câncer.

A população mais envelhecida também é apontada como uma das explicações para a diminuição da participação da violência nas causas de morte, como mostrou estudo realizado pelos pesquisadores João Manoel Pinho de Mello e Alexandre Schneider. Segundo a análise que eles fizeram de rankings mais antigos do IBGE, quanto maior a parcela de pessoas entre 15 e 24 anos, maiores os índices de assassinatos e homicídios. O trabalho, publicado na Revista São Paulo e Perspectiva, aponta como possíveis razões a postura mais intempestiva do jovem, o maior uso de droga por esta população e a influência hormonal.

Ao mesmo tempo em que a violência perde espaço, as doenças endócrinas e nutricionais ganham terreno. Em 1999, o grupo formado por diabetes, obesidade e tireóide alterada, entre outras, respondia por 3,5% do total de mortes. Na estatística mais recente sobe para 6%.

É importante ressaltar que a alimentação inadequada, uma das responsáveis pelas doenças endócrinas, também está relacionada ao câncer. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a parceria entre comida saudável, controle de peso e exercícios físicos confere até 63% a mais de proteção contra tumores malignos. 

Menos mortalidade entre as crianças e idosos morrendo mais tarde

Porcentagem de mortes por faixa de idade no Brasil

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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

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