Pacientes com arritmia cardíaca têm cinco vezes mais chance de ter AVC

Fibrilação atrial é mais incidente na população idosa e torna o acidente vascular cerebral ainda mais perigoso

Chris Bertelli, iG São Paulo |

De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), um milhão e meio de pessoas têm fibrilação atrial em todo o país. Desse total, 130 mil sofrerão um acidente vascular cerebral em função dessa arritmia cardíaca. “Hoje a fibrilação atrial atinge 1% da população. Acima dos 80 anos, esse índice chega a 10%”, afirma o presidente da SBC, Jadelson Pinheiro Andrade. “ A fibrilação é a arritmia mais frequente na população”, completa.

No entanto, menos de 4% dos brasileiros conseguem relacionar esta condição à ocorrência de um derrame cerebral, de acordo com pesquisa sobre o conhecimento da população com relação a doenças cardiovasculares, realizada pela farmacêutica Bayer, com sete mil pessoas, em oito capitais do País. Na pesquisa, 71% dos entrevistados disseram não saber o que é fibrilação atrial e apenas 16% dos entrevistados souberam relacioná-la a um tipo de arritmia cardíaca.

Os pacientes com fibrilação têm cinco vezes mais chance de ter um AVC em comparação com a população em geral e de um tipo mais perigoso. “Quando há fibrilação, há a formação de vários coágulos, que podem tomar o caminho do cérebro e causar um grande derrame, atingindo várias áreas”, explica Ricardo Pavanello, cardiologista do Hospital do Coração (HCor). Por isso, os AVCs causados por fibrilação atrial comprometem de forma significativa a vida e a qualidade de vida do paciente.

O diagnóstico da fibrilação atrial é relativamente simples e pode até ser feito pelo próprio paciente. O coração bate de forma regular. Quando há falha no sistema elétrico, o órgão funciona de forma irregular. Esse descompasso pode ser observado apenas tomando o pulso, expressão periférica do coração. “Se nos habituarmos a pegar o pulso periodicamente, vamos perceber o batimento regular. Assim, quando notarmos alguma alteração, podemos recorrer a um médico”, diz Jadelson.

Um cardiologista ou um bom clínico geral são capazes de diagnosticar o problema com um estetoscópio. Para confirmar o diagnóstico, é possível que o médico peça um ecocardiograma. Segundo os especialistas, as possíveis complicações da fibrilação podem ser evitadas com o uso de anticoagulantes. Porém, a utilização do medicamento ficará a cargo do médico que deverá analisar o quadro geral do paciente.

Panorama no Brasil

As doenças cardíacas são responsáveis por mais de 30% do número de óbitos em todo o país. “São dados muito preocupantes. Apesar de todos os avanços em intervenção e no tratamento, ainda assim as doenças do coração persistem como o maior fator de impacto no homem no nosso país”, afirmou Jadelson Pinheiro Andrade.

O índice de fatalidade da doença, no entanto, é desconhecido da maioria da população, conforme revelou a pesquisa. De acordo com os dados levantados, a população credita ao câncer o maior número de óbitos no País, seguido do cigarro e dos acidentes de trânsito. Apenas 13% afirmaram que o acidente vascular cerebral está entre as principais causas de morte.
 

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