Nova geração de testes pode provar paternidade no começo da gravidez

Menos invasivos do que a amniocentese, eles analisamfragmentos de DNA do feto que estão presentes no sangue da mãe

The New York Times * |

Trata-se de uma pergunta desconfortável que, no mundo de hoje, costuma ser feita por futuras mamães que tinham mais de um parceiro quando engravidaram. Quem é o pai?

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Com mais da metade dos filhos de mulheres com menos de 30 anos nascendo fora do casamento, é uma pergunta que pode ser ouvida com mais frequência.

Agora, existem testes de sangue que podem determinar a paternidade na oitava ou nona semana de gravidez, sem procedimentos invasivos que poderiam resultar em problemas para o feto ou para a gestante.

Courtney Herndon, depois de terminar com o namorado, teve um relacionamento breve com um homem visto por ela como amigo. Ela se viu grávida aos 19 anos, sem saber qual dos dois era o pai. O amigo também queria saber, assim aceitou fazer o teste e descobriu ser o pai. Os dois fecharam um acordo de pensão alimentícia antes de o bebê nascer.

“Consegui fazer o teste e seguir com a minha vida”, disse Cortney, que mora em Fort Polk, Louisiana.

Até o surgimento dos novos testes, determinar a paternidade durante a gravidez era possível usando a amniocentese e a biópsia do vilo coriônico, o mesmo procedimento utilizado para examinar se um feto tem síndrome de Down.

Contudo, esses exames são invasivos e oferecem um pequeno risco de provocar aborto, assim, raramente são empregados em testes de paternidade.

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Amniocentese: até recentemente, exame era a única opção de teste de paternidade antes do nascimento

Em contraste, os novos testes exigem apenas amostras de sangue da mulher grávida e do pai em potencial. Geralmente, médicos não precisam ser envolvidos.

Esse fato poderia aumentar enormemente a quantidade de exames, acredita Sara Katsanis, do Instituto para Políticas e Ciências Genômicas da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte.

Ela está planejando um estudo com uma das empresas que oferecem o teste para ver se o exame de paternidade pré-natal pode reduzir o estresse da mulher grávida.

Testes de paternidade não invasivos são oferecidos na internet há quase uma década, com reclamações quanto à precisão ou até mesmo de resultados fraudulentos. Porém, segundo especialistas, a tecnologia avançou a tal ponto que os testes agora podem ser feitos de forma confiável. Um estudo breve descrevendo um deles, desenvolvido pela empresa Ravgen, foi publicado recentemente pelo prestigioso New England Journal of Medicine.

“Não tenho dúvida de que esses exames funcionarão clinicamente”, diz Mark I. Evans, professor da Escola de Medicina Mount Sinai e diretor da Comprehensive Genetics, laboratório nova-iorquino especializado em exames pré-natais.

Os testes analisam fragmentos de DNA do feto que estão presentes no sangue da mãe em quantidades minúsculas. A mesma abordagem agora está sendo utilizada para determinar de forma não invasiva o sexo do feto ou se ele tem síndrome de Down. Em junho, pesquisadores mostraram ser capazes de determinar o genoma inteiro do feto dessa maneira.

A Ravgen, pequena empresa de Columbia, Maryland, oferece o teste de forma limitada e cobra de US$ 950 a US$ 1.650, dependendo das circunstâncias, informa Ravinder Dhallan, CEO da companhia.

Outro teste foi desenvolvido por uma empresa do Vale do Silício, Califórnia, chamada Natera e é comercializado pelo DNA Diagnostics Center, um dos principais fornecedores de testes de paternidade convencionais. Segundo executivos, milhares de testes pré-natais foram encomendados desde o seu lançamento, em agosto do ano passado. O preço é de US$ 1.775, comparados a cerca de US$ 500 pelo teste convencional após o nascimento.

Nenhum dos testes recebeu a certificação de precisão exigida em casos de custódia infantil, embora a Natera tenha se candidatado a obtê-la. A AABB, organização certificadora, está avaliando seriamente se deveria certificar exames pré-natais, declarou Eduardo Nunes, diretor sênior de política, padrões e desenvolvimento global da organização, antes conhecida como American Association of Blood Banks.

Todavia, especialistas aconselham cautela. A Natera ainda não publicou nenhum dado em periódicos revisados por especialistas. O estudo da Ravgen no New England Journal of Medicine discutia apenas 30 amostras – o teste apontou corretamente o pai em relação a um homem escolhido ao acaso em todos os 30 casos.

Os testes poderiam gerar polêmica se levassem a mais abortos. Entretanto, Matthew Rabinowitz, CEO da Natera, defende que, se uma mulher tivesse a intenção de pôr fim a uma gravidez com base na paternidade, poderia fazer um exame invasivo. Já Dhallan afirmou que o exame, no caso de uma mulher que se visse grávida após um estupro, poderia convencê-la a ter o bebê se o pai não fosse o estuprador.

Testes precoces poderiam ainda representar mais apoio do pai à gestante. Uma mulher da região de Seattle disse que quando estava grávida, com dois possíveis pais, “nenhum dos dois queria se envolver para depois vir a saber que o filho era de outro”.

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Quando o teste pré-natal mostrou que o pai era o ex-namorado, ele compareceu ao parto e deu apoio à criança. Sob a condição de não ter o nome revelado, a mulher afirmou não sentir “orgulho por desconhecer quem era o pai do meu filho”.

Em alguns casos, o DNA não é o destino. O teste de Courtney mostrou que o bebê não era do ex-namorado. Todavia, o casal terminou se reconciliando e casando, e o marido aceitou o bebê, agora com 16 meses.

“Nós vemos nossa filha como sendo nossa, minha e do meu marido”, afirmou ela. O pai biológico manda presentes e paga pensão alimentícia.

* Por Andrew Pollack

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