“Podemos ter uma epidemia de cirrose e câncer em 2025”, alerta especialista

Presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia reforça a importância do tratamento da hepatite C

iG São Paulo |

Neste sábado, (28) é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. Em todo o País, ações promoverão testes gratuitos de saúde e orientação sobre esse grupo de doenças que a cada ano faz mais de um milhão de vítimas, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

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A hepatite é uma inflamação no fígado, órgão que funciona como uma espécie de filtro de impurezas, sendo responsável por uma série de processos importantes no organismo. No Brasil estima-se que cerca de 6 milhões de pessoas estejam contaminadas com as hepatites B e C, as mais prevalentes e perigosas, pois podem provocar cirrose e câncer de fígado.

Entre todas as hepatites, a do tipo C ainda é a principal doença que leva ao transplante de fígado. Por isso, é também uma das mais preocupantes. De acordo com dados da OMS, 170 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus da hepatite C no mundo e entre 3 e 4 milhões morrem por ano vítima de complicações da doença.

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Apesar da seriedade do quadro, 68% da população nunca fez um exame de sangue que pudesse diagnosticar a hepatite C. O dado é de um estudo atualizado encomendado pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e realizado pelo Instituto Datafolha. A pesquisa revelou também que a maioria da população desconhece o que é a doença.

“Quinhentas mil pessoas estão hoje sob vigilância ou em tratamento médico, e 2 milhões desconhecem que têm a doença. Se deixarmos ela evoluir naturalmente, vamos ter, em 2020 ou 2025, uma epidemia de casos de cirrose e carcinoma”, alerta Henrique Sérgio de Moraes Coelho, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH).

“A hepatite C é uma doença potencialmente grave e hoje é mais grave do que a aids”, opina o médico.

O diagnóstico da doença é feito por meio de exame de sangue, para identificar um aumento significativo das enzimas do fígado devido à destruição do tecido hepático, explica a hepatologista do Hospital e Maternidade São Luiz, Débora Dourado. O diagnóstico também pode ser obtido a partir da sorologia, que verifica o tipo de hepatite, e da biópsia do fígado, indicada para pacientes que sofrem de hepatite há mais de seis meses. Os principais sintomas são pele amarelada (icterícia), febre, enjoos, urina escura e fezes claras.

Tratamento

No último ano, a aprovação e comercialização de dois novos medicamentos trouxe fôlego ao tratamento. Os inibidores de protease – conhecidos como boceprevir e telaprevir – inauguraram uma nova era na luta contra a doença. Nesta quarta-feira (25), o Ministério da Saúde anunciou a inclusão dessas duas novas terapias no hall de medicamentos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde.

O vírus da hepatite C ataca o fígado e mais de 50% dos infectados evoluirão para a forma crônica da doença. Destes, 25% terão cirrose hepática e/ou câncer de fígado. A doença também é responsável por 50% das indicações de transplantes de fígado.

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