Vacina contra dengue tem eficácia de 30%

O resultado dos testes feitos com 4 mil crianças na Tailândia pode parecer tímido, mas até hoje não há nem vacina, nem tratamento específico contra a doença, argumentam cientistas

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Pela primeira vez, uma vacina demonstrou eficácia parcial contra a dengue, doença que infecta todos os anos até 100 milhões de pessoas, das quais meio milhão, sobretudo crianças, desenvolvem a forma hemorrágica, que pode ser letal.

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Segundo um estudo publicado na edição desta terça-feira (11) da revista médica The Lancet, uma "vacina candidata" desenvolvida pela companhia farmacêutica francesa Sanofi Pasteur demonstrou eficácia de 30,2% em um teste de fase 2, realizado com 4.000 crianças da Tailândia.

O resultado pode parecer tímido, mas até hoje não há nem vacina, nem tratamento específico contra a dengue, doença provocada por um vírus transmitido pelo mosquito 'Aedes aegypti', endêmica em todas as regiões tropicais e subtropicais do planeta.

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O desenvolvimento de uma vacina contra a doença, também chamada de "gripe tropical", é considerado complexo porque não existe um, e sim quatro subtipos de vírus de dengue que circulam paralelamente.

"Nosso estudo representa a primeira prova de que uma vacina eficaz contra a dengue é possível", comentou Derek Wallace, da Sanofi Pasteur, um dos autores do artigo.

Entratanto, em um primeiro momento, o teste (objeto de um primeiro comunicado da empresa farmacêutica em julho) se revelou decepcionante, com uma taxa de eficácia "menor do que a projetada", segundo o artigo.

Mas em um segundo momento, os pesquisadores se deram conta de que a vacina candidata, denominada "CYD-TDV", tinha sido perfeitamente eficaz contra três dos quatro subtipos do vírus.

Assim, a taxa de eficácia foi estabelecida entre 60% e 90% para os sorotipos DEN-1, DEN-3 e DEN-4. Apenas o vírus do sorotipo DEN-2 "resiste aos efeitos da vacina", apontou o estudo.

"Contra este sorotipo, nenhuma proteção foi obtida com este teste, apesar da imunogenicidade (reação imunológica) satisfatória", escreveram os pesquisadores da Sanofi, que assinam o artigo em conjunto com acadêmicos e clínicos tailandeses.

"Esta falta de eficácia junto ao DEN-2 (...) é surpreendente e deverá ser objeto de novas pesquisas", continuaram.

O especialista americano em dengue Scott Halstead se questionou sobre a eficácia final desta vacina "parcialmente eficaz", levando em conta o fato de que os quatro subtipos de vírus circulam paralelamente.

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Será preciso utilizar "modelos matemáticos" para saber como esta vacina eficaz contra três dos quatro sorotipos "se comportará se for utilizada", indicou o especialista em comentário publicado na revista.

Enquanto aguarda, a Sanofi iniciou um teste mais amplo, agora com mais de 30 mil voluntários, em seu estudo de fase 3. Os voluntários foram recrutados em dez países de Ásia e América Latina. O objetivo é testar a mesma "vacina candidata" em "diferentes contextos epidemiológicos" com a esperança de evidenciar um "benefício significativo".

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Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 50 e 100 milhões de pessoas são infectadas todos os anos com o vírus da dengue, das quais 500.000, sobretudo crianças, desenvolvem a forma hemorrágica, que costuma exigir hospitalização e ser fatal em 2,5% dos casos, em média.

"A incidência da dengue avançou de forma espetacular" nos últimos anos, reporta a OMS, destacando um aumento preocupante das transmissões em áreas urbanas e a expansão para áreas mais temperadas, como a Europa.

Segundo o artigo, o teste do Sanofi vai ao encontro dos objetivos estabelecidos pela OMS de reduzir à metade a mortalidade por dengue até 2020.

* Por Olivier Thibault

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