Super-heróis ajudam crianças a aceitar quimioterapia

Por Fernanda Aranda , iG São Paulo |

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Hospital cria tratamento infantil com acessórios da Liga da Justiça e oferece gibi sobre a luta do Batman contra o câncer como inspiração a crianças com a doença

Batman está com câncer, mas os vilões nem tiveram tempo de comemorar a revelação feita na edição extra da história em quadrinhos (HQ). Logo após o diagnóstico, o herói mascarado já começou a receber uma “Superfórmula” contra a doença e, apesar de ter perdido cabelo e emagrecido um pouco, está forte para voltar a combater o mal.

Na vida real, todos os pacientes infantis atendidos no Centro de Referência AC.Camargo, em São Paulo, também passaram a ter acesso ao tratamento que, no gibi, promete salvar a vida do homem-morcego.

Parceria firmada há 20 dias entre o AC. Camargo, a Warner e a agência JWT transformou o 6º andar da unidade hospitalar na nova sede da Liga da Justiça. O QG de super-heróis instalado no hospital tem 15 vagas ocupadas por heróis mirins que precisam de uma ajudinha externa da medicina para voltar à ativa. Natan Henrique Roseno, 7 anos, e Porthos Martinez, 13, são o integrantes mais recentes da ala infantil.

Criação do gibi que conta a história da luta do herói Batman contra o câncer. Foto: DivulgaçãoCriança internada no AC Camargo recebe a quimioterapia com os adereços do Lanterna Verde. Foto: DivulgaçãoCaixas que transformam a tradicional quimioterapia em Superfórmula contra o câncer. Foto: DivulgaçãoGibis distribuídos aos pacientes infantis em tratamento no AC camargo. Foto: DivulgaçãoFuncionária do AC Camargo mostra a Superfórmula da Mulher-Maravilha. Foto: Divulgação"É uma forma lúdica de conversar com a criança sobre o câncer", diz a chefe da oncologia pediátrica do AC Camargo. Foto: DivulgaçãoAté os profissionais de saúde que atuam no local passaram a chamar o tratamento de Superfórmula. Foto: DivulgaçãoProjeto é parceria com a Warner e a agência de publicidade JWT Brasil. Foto: Divulgação

Após lerem a HQ com a trajetória vitoriosa de Batman, os meninos estavam confiantes de que a Superfórmula também vai ajudá-los a vencer a leucemia diagnosticada em ambos [PS: se você tem mais de 18 anos, provavelmente vai seguir chamando a Superfórmula de quimioterapia, palavra que nem é mais mencionada pelos médicos e enfermeiros que atuam no QG da Liga do AC. Camargo].

“Fico um pouco enjoado quando recebo a Superfórmula, mas aprendi que ela é importante para mim”, dizia Porthos, com o medicamento entrando pelas veias, sorriso no rosto, um olho no Facebook e outro no gibi – que é distribuído apenas aos pacientes da unidade.

O garoto até topou revelar a identidade real à reportagem, dada em homenagem ao pai, Porthos Mendes. Mas enquanto estiver internado no AC Camargo, Porthinhos será o Lanterna Verde (outro herói famoso da Liga da Justiça).

Todos os quartos e acessórios utilizados no tratamento dos pacientes da oncologia pediátrica receberam a adaptação em cores, símbolos e adereços de personagens como Mulher-Maravilha, Batman, Lanterna Verde e Superman. Este último, aliás, foi o herói assumido por Natan – ele assegura já saber que não pode voar e que “nem vai tentar”, prometeu à mãe Vivian Karine Santos, 27 anos.

Veja o vídeo sobre como a superfórmula foi criada

“Santo tratamento”

A chefe da oncologia pediátrica do AC. Camargo, Cecília Maria Lima da Costa, explica que usar os adereços heróicos é uma fórmula de apresentar o câncer às crianças de uma maneira lúdica e didática, já que elas precisam entender o tratamento para aceitá-lo melhor.

“A quimioterapia tem efeitos colaterais que não são agradáveis (como enjoos, apetite desregulado, queda dos cabelos). Se a criança não entende que o medicamento é um benefício, apesar de todos estes sintomas, pode ficar confusa e resistente”, afirma a especialista.

“Lembro de pacientes pequenos que se recusavam a receber um tratamento que salva vidas”, recordaa Cecília.

“Santo tratamento Batman”, diria Robin, o parceiro do homem-morcego. Mas na década de 1960, quando o bordão do menino prodígio ficou famoso, o índice de cura dos cânceres infantis não alcançava a marca dos 20%, informa o relatório do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Atualmente, oito em cada dez crianças acometidas pela doença são curadas, mostra o mesmo relatório. Nesta ampliação da sobrevivência, as sequelas ruins do tratamento viraram prioridade de combate.

Enxergar a vilã quimioterapia como a mocinha Superfórmula faz toda a diferença para os meninos e meninas, dizem os próprios heróis-mirins.

Porthinhos, ou melhor, o Lanterna Verde, confirma o superpoder do novo figurino da quimio. A primeira vez em que o garoto esteve no AC. Camargo foi em 2010, quando o câncer foi diagnosticado inicialmente nas células do sangue. Fez o tratamento convencional, passou mal um bocado e voltou para casa sete meses depois.

Arquivo pessoal
Porthinhos, Lanterna Verde, recebendo a superfórmula

No último mês de março, os exames não trouxeram boas notícias e Lanterna Verde precisou de uma nova rodada de tratamento para tumores malignos que apareceram em outra região do organismo.

Agora ele é tratado com a Superfórmula (que além da proposta lúdica, permanece com a mesma composição de drogas terapêuticas).

“Fica menos confuso na cabeça da gente. Porque às vezes eu não gosto dos remédios, dá um nó no estômago. Mas sei que eles vão me ajudar e saber disso ajuda”, diz o garoto.

Lanterna Verde dos quadrinhos tem um anel superpoderoso que atende a todos os pedidos do herói e é considerado a arma mais eficiente do universo.

Se Porthinhos pudesse usar o acessório por um dia, diz que queria a cura imediata para voltar a jogar bola, voltar a treinar tae-kwon-do e, principalmente, brincar de lutinha com o irmão caçula de quem ele tem “uma saudade danada.”

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