Apesar de ser mais comum em pessoas do sexo feminino, os homens também devem ficar atentos para evitar possíveis fraturas. Veja mais sobre o tema

A osteoporose atinge mais de 10 milhões de pessoas em todo o Brasil, segundo a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO). Desse total, as mulheres são mais afetadas que os homens. Para os próximos anos, a projeção é que esse número cresça devido ao aumento da expectativa de vida e, como consequência, o envelhecimento da população.

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Com mais idosos no País, reduzir a incidência da doença é necessário para garantir a eles qualidade de vida, uma vez que a osteoporose é um problema silencioso e que costuma ser detectado a partir dos 50 anos. Por isso, hábitos saudáveis devem ser aplicados ainda na infância - e estendidos por toda a vida.  A recomendação não é exclusiva dos especialistas da área, mas também do próprio Ministério da Saúde .

O que é osteoporose?

É uma doença que reduz a massa óssea e torna os ossos mais frágeis, porosos e enfraquecidos. Com isso, há um aumento do risco de fraturas nos portadores, principalmente no punho, no quadril, na coluna vertebral, nas regiões torácica e lombar, e também no fêmur, em especial no local em que está localizado o colo.

Ilustração mostra a diferença entre um osso saudável (à esquerda) e outro com osteoporose (à direita)
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Ilustração mostra a diferença entre um osso saudável (à esquerda) e outro com osteoporose (à direita)

A estimativa é que, após os 50 anos, uma em cada quatro mulheres e um em cada oito homens sofram com a patologia. Nas pessoas do sexo feminino, o risco é ainda maior depois da menopausa. “Isso acontece devido à diminuição dos níveis de estrogênio, fator de proteção do osso, deixando-os naturalmente mais frágeis”, explica o reumatologista Dr. Thiago Bitar Moraes Barros, cadastrado na plataforma Doctoralia.

Prevenção

Ter uma alimentação rica em cálcio é essencial para deixar os ossos fortes e saudáveis. Um copo de leite de 200ml - seja integral ou desnatado - possui cerca de 200mg a 300mg desse nutriente. Os queijos também são boas fontes de vitaminas. No entanto, não é necessário restringir-se apenas aos laticínios.

A nutricionista Adriana Lima, da Clínica Fares, indica outras opções que podem ser inseridas na dieta para garantir a ingestão desse nutriente como sardinha, couve cozida, brócolis, ovo e figo seco. Confira a quantidade aproximada de cálcio (mg) em cada alimento:

  • Sardinha: 100g com espinha = 240mg;
  • Couve cozida: 1 xícara = 100mg;
  • Brócolis: 1 xícara = 40mg;
  • Ovo: 1 unidade = 80mg;
  • Figo seco: 100g = 140mg;
  • Escarola: 100g = 80mg;
  • Agrião: 100g = 120mg;
  • Queijo Prato: 15g = 126mg;
  • Requeijão: 20g = 113mg.

Mas, qual a quantidade diária? Adriana explica que isso depende do sexo, da faixa etária e das condições de saúde das pessoas. Segundo ela, crianças entre 1 a 8 anos de idade devem ingerir entre 500mg e 800mg de cálcio; adultos entre 1000mg e 1200mg; e, por fim, adolescentes, gestantes e pessoas acima de 50 anos devem consumir entre 1200mg e 1500mg.

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Para que todo esse nutriente possa ser absorvido pelo organismo, as atividades físicas precisam fazer parte da rotina. Manter o corpo em movimento ajuda não apenas na prevenção da osteoporose, mas também atua no tratamento . “A contração muscular e a descarga de peso do corpo estimulam a formação, crescimento e manutenção do tecido ósseo”, conta a nutricionista.

As melhores opções são caminhada e musculação. O ideal é praticá-las por 30 minutos e, no mínimo, três vezes por semana. O pilates, por sua vez, também traz benefícios. Em alguns exercícios oferecidos pela modalidade, a pessoa terá de suportar o próprio peso corporal e poderá trabalhar equilíbrio e força. Isso faz com que o cálcio seja estimulado e fixado no tecido ósseo. Contudo, a execução deve ser acompanhada de um profissional qualificado para evitar lesões e até mesmo fraturas.

Como mais uma forma de prevenção, especialistas recomendam uma atitude prática e indolor: tomar sol. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o ideal é de 15 a 20 minutos diariamente. Ficar exposto aos raios UVB faz com que a vitamina D seja ativada e o cálcio seja absorvido pelo organismo.

“Quando não temos níveis adequados de vitamina D, há um aumento do hormônio PTH pela paratireoide e, com isso, ocorre maior perda de massa óssea e, consequentemente, aumento da fragilidade óssea”, diz o Dr. Barros.

Fatores de risco

É comum que muitas pessoas só saibam que possuem osteoporose após fraturar determinada parte do corpo. As causas, inclusive, podem passar despercebidas em um primeiro momento - mas são mais corriqueiras do que se pode imaginar.

De acordo com o endocrinologista e diretor da Abrasso, Dr. Sérgio Setsuo Maeda, um dos principais vilões da osteoporose é o tabagismo. Em todo o mundo, existe 1,1 bilhão de fumantes. “O indivíduo que fuma tem mais chances de desenvolver a doença por conta das toxinas presentes no tabaco”, diz.

Outra causa apontada pelo especialista é o consumo de alimentos muito salgados. Ainda que seja mais difícil controlar a alimentação fora de casa - principalmente durante o preparo -, é importante não abusar do sal durante as refeições, pois, em excesso, prejudica a absorção de cálcio pelo organismo. A recomendação vale também para os refrigerantes, mesmo as versões light , zero e diet .

Sedentarismo, história prévia de fatura e alcoolismo são outros problemas que entram na lista. É o caso também de quem sofre da doença celíaca. Nesse caso, a pessoa é intolerante ao glúten, proteína presente em muitos alimentos. De acordo com o Dr. Barros, o uso de certos medicamentos, como corticoides, e hipercalciúria – perda excessiva de cálcio pela urina – também são causas para a osteoporose.

Como detectar

O exame de densitometria óssea  é o responsável por quantificar a densidade mineral dos ossos. Com isso, é possível verificar a perda de massa óssea e identificar indivíduos com maior risco de fraturas.

Conforme explica o Dr. Sérgio Maeda, endocrinologista do Fleury Medicina e Saúde, o procedimento dura de 10 a 15 minutos enquanto a pessoa fica deitada e exposta à radiação mínima. “Não há contato de partes do aparelho com o paciente e nem necessidade de se entrar em um tubo como acontece na ressonância magnética”, conta.

Para que não haja interferência nos resultados, o paciente deve seguir algumas medidas antes da realização do exame. É importante não tomar qualquer suplementação com cálcio no dia e, também, evitar joias, sutiãs com aro de ferro e roupas com botões ou fivelas de metal.

Mulheres grávidas ou com suspeitas de gravidez não devem realizar o exame por conta da radiação. Quem passou por algum procedimento com contraste à base de iodo deve aguardar de uma a duas semanas para que toda a substância seja eliminada do organismo e, assim, não tenha nenhuma alteração. Em relação à segurança, os aparelhos de densitometria óssea mais modernos são capazes de aguentar até 200kg.

Os aparelhos de densitometria óssea mais modernos suportam até 200kg
Fleury Medicina e Saúde
Os aparelhos de densitometria óssea mais modernos suportam até 200kg

A regularidade com que cada paciente também terá de passar pelo exame é, novamente, variável. Aqueles que iniciaram tratamento com medicamentos devem repetir o exame a cada um a dois anos. Já aqueles que estejam em melhores condições com medicação pode repetir com intervalos mais prolongados. Por outro lado, pessoas em risco elevado de perda óssea, como, por exemplo, em uso de glicocorticoides, podem precisar a cada seis meses. O médico responsável irá analisar cada caso em particular.

O Dr. Sérgio Maeda ressalta que o exame mostra apenas a massa óssea, mas não é capaz de identificar as causas que levaram a pessoa a desenvolver a doença. “O médico que trata os pacientes precisa fazer uma investigação antes do tratamento para pesquisar a presença de doenças que possam ser a causa da osteoporose”, relata.

O resultado deu positivo, e agora?

A doença precisa de acompanhamento. Depois de constatada, é possível realizar algumas ações para que os ossos fiquem mais saudáveis. Uma das etapas do tratamento é feita com medicamentos específicos. Eles atuam no metabolismo ósseo e podem ser via oral, subcutânea ou endovenosa. Nesse caso, cada médico irá indicar o que for adequado ao paciente em questão.

O mais importante é saber que seguir um estilo de vida saudável com a prática de exercícios físicos regularmente, consumir alimentos ricos em cálcio e permitir que o corpo receba vitamina D auxilia não só na prevenção da osteoporose, como também de outras doenças.

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