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Autismo, problemas de autoestima ou de coordenação também podem ser tratados por meio da terapia com cavalos

Cavalos podem ser grandes aliados na luta contra algumas doenças e até ajudar na recuperação de movimentos. Assim é a equoterapia ou Terapia Assistida por Animais (TAA), método que tem ajudado crianças, adolescentes e adultos com algum tipo de restrição. Pessoas com diversos problemas, de paralisia cerebral até autismo, podem ter melhorias físicas e mentais com esse tipo de terapia. Além disso, crianças e adolescentes com problemas de autoestima ou coordenação também podem ser beneficiados com a ajuda dos equinos.

Coordenadora do Centro de Reabilitação e Equoterapia Cidade dos Meninos, Rosângela Gonçalves explica que a equoterapia é um método terapêutico e educacional que usa os benefícios dos passos do cavalo para atingir o objetivo no tratamento.

Crianças e adolescentes com paralisia cerebral podem apresentar melhoras ao fazer equoterapia
Divulgação/Centro de Equoterapia e Equitação Nova Canaã
Crianças e adolescentes com paralisia cerebral podem apresentar melhoras ao fazer equoterapia

“Durante muito tempo foi falado que o cavalo era um instrumento, recurso ou acessório, mas eu costumo dizer que o cavalo é um grande parceiro”, afirma a especialista.

Segundo Rosângela, a equoterapia inicialmente foi reconhecida por questões neuromotoras. “Ela foi descoberta depois da segunda guerra mundial. Os militares da cavalaria, quando sofriam lesões, tinham uma recuperação muito mais rápida do que aqueles da infantaria”, explica.

“Começaram a ver quais seriam as diferenças, pois eles se recuperavam mais rápido, e foram descobrindo os benefícios”.

O afeto das crianças pelos cavalos é visível
Divulgação/Centro de Equoterapia e Equitação Nova Canaã
O afeto das crianças pelos cavalos é visível

Segundo a fisioterapeuta, o passo do cavalo é muito semelhante ao dos humanos. “A rotação de quadril humana é muito semelhante, então, a grosso modo, as minhas pernas passam a ser a do cavalo, e, por meio de neuroreceptores, há uma reorganização no sistema nervoso central”.

De acordo com Edina Alves dos Anjos Attiê, fisioterapeuta do Centro de Equoterapia e Equitação Nova Canaã, em Santa Isabel (SP), a equoterapia pode enviar mais de cinco mil estímulos ao cérebro, impulsionados pelo passo do cavalo.

“Se a pessoa tem uma lesão no sistema nervoso central, ele para de mandar um estímulo. Na insistência, na repetição com o cavalo, isso faz com que aquele outro neurônio que está ao lado faça a função do que parou de funcionar”, explica.

“Dependendo da lesão é possível é possível recuperar algum movimento”, explica Edina. “O estímulo ajuda bastante. Não vou dizer que volta 100%, mas é possível recuperar”.

“Minha filha melhorou muito” 

Vanessa Costa da Silva é mãe de Ana Carolina, hoje com sete anos. No momento do parto aconteceu uma intercorrência e a menina nasceu com paralisia cerebral. “Ela ficou internada 13 dias e teve um monte de problemas”, conta a mãe.

Quando Ana Carolina – que é cadeirante – estava com quatro anos, Vanessa soube da equoterapia.  

A mãe conta que a garota não conseguia manter o tronco ereto, a cabeça ficava sempre virada para as costas. “Hoje já não fica mais tão assim. Ela já consegue segurar mais, fica sentadinha no banco ou no sofá. Antes, não ficava”, detalha, animada. "Minha filha melhorou muito. Hoje o tronco dela é 100%", completa Vanessa.

Ana Carolina enfrenta uma hora de estrada toda semana para chegar ao Centro de Equoterapia Nova Canaã e participar de 30 minutos de atividades terapêuticas com o cavalo. “Eles colocam uma manta no cavalo e a fisioterapeuta vai sentada com ela. Agora estão treinando para ela ir sozinha”.

“Ela gosta bastante”, diz a mãe que leva a filha ao neurologista a cada quatro meses para reavaliação. “Os cavalos já são treinados e não andam rápido”.

Para quem se destina

Segundo Edina, a equoterapia trabalha com paralisia cerebral, síndrome de Down, hidrocefalia, microcefalia, comprometimentos motores por lesões ao sistema nervoso central, síndrome de West, AVC, traumatismo craniano e também autismo.

De acordo com a fisioterapeuta, o que impede a aplicação da terapia é a tetraplegia ou alguma lesão alta na coluna, que faz com que a pessoa não consiga mais sustentar o tronco. “A lesão alta é irreversível”, conta.

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