No Brasil, câncer é a segunda causa de morte de crianças e adolescentes, de acordo com o Inca, perdendo apenas para causas externas, como violência

No Brasil, estima-se que 12,5 mil crianças receberão diagnóstico de câncer infantil em 2018
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No Brasil, estima-se que 12,5 mil crianças receberão diagnóstico de câncer infantil em 2018

Todos os anos,  mais de 300 mil crianças e adolescentes são diagnosticados com câncer infantil, segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer. Entre os menores de até 15 anos, 215 mil recebem a notícia da doença, anualmente. Os dados da instituição também indicam que entre os adolescentes de 15 a 19 anos a detecção da condição acontece para 85 mil deles.

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Nesta quinta-feira (15), quando é lembrado o Dia Internacional de Luta Contra o Câncer na Infância, a Childhood Cancer International (CCI) alerta para a necessidade de ações globais conjuntas para enfrentar o desafio crescente imposto pelo câncer infantil .

“Apesar de o número de crianças com câncer ser bem menor quando comparado à incidência global da doença em adultos, o número de vidas salvas é significativamente maior: as taxas de sobrevivência em países de alta renda chegam a uma média de 84% e estão melhorando de forma consistente mesmo em áreas com menos recursos no mundo onde há apoio local e internacional”, destacou a CCI, por meio de nota.

A CCI criou uma ação que chama a atenção para a disparidade no acesso ao tratamento do câncer infantil em países de baixa e média renda, onde cerca de 80% dessas crianças e adolescentes com câncer moram.

De acordo com o comunicado, crianças e adolescentes na África, na Ásia, na América Latina e em partes do Leste e Sul europeu não têm acesso apropriado nem mesmo a medicamentos essenciais e cuidados especializados.

“Atualmente, o local onde a criança reside muitas vezes determina sua habilidade de sobreviver ao câncer infantil”, concluiu a entidade, composta por 188 organizações membro de um total de 96 países.

Brasil

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (Inca) e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o câncer é a segunda causa de morte entre crianças e adolescentes até os 19 anos, ficando atrás apenas de causas externas, como acidentes e violência. Entre os tipos de cânceres mais comuns entre os mais novos estão a leucemia , tumores do sistema nervoso central e linfomas.

Em 2018, o INCA prevê que 12,5 mil crianças serão diagnosticadas com câncer no Brasil. Essa mesma previsão deve se repetir em 2019. Diferente do que pode acontecer com adultos, o estilo de vida geralmente não tem influência no desenvolvimento de tumores em crianças. Ou seja, as neoplasias são originadas de alterações no DNA que podem acontecer antes mesmo do nascimento.

O diagnóstico tardio e a falta de acesso ao tratamento adequado em alguns casos são fatores que aumentam o número de fatalidades.

Para Gustavo Gomes, médico nuclear e diretor clínico do Grupo Núcleos, pioneiro em Medicina Nuclear no Centro-Oeste, a tecnologia é uma alternativa capaz de salvar muitas dessas vidas. Segundo ele, essa ferramenta já existe, mas ainda não está ao alcance de grande parte da população.

“Um equipamento como PET/CT, considerado um dos principais avanços da Medicina Nuclear, é capaz de identificar com precisão tumores em fases primárias. Entretanto, ele ainda é considerado caro e poucos são os hospitais públicos que têm a ferramenta que também funciona em alguns tratamentos”, explica.

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Leucemia

A leucemia é o tipo mais comum da condição nessa fase da vida, correspondendo a 26% de todos os tumores malignos. Apesar de não existir prevenção, com o tratamento adequado é possível que a cura aconteça para muitos pacientes, conforme garante a hematologista do Instituto de Hematologia e Oncologia de Curitiba do Grupo Oncoclínicas Juliana Souza Lima. “A taxa de sobrevida, principalmente para crianças, varia entre 60 a 80%. Em muitos casos, a doença não ocorre mais após o tratamento”, afirma.

A leucemia é um câncer que surge na medula óssea, onde são formadas as células sanguíneas. A doença provoca um acúmulo de células anormais e dificulta a produção de plaquetas e glóbulos brancos e vermelhos. Por causa disso, a doença acaba afetando o funcionamento de todo o organismo. “Como a doença está no sangue, ela circula por todo o corpo. Podem ocorrer anemias, infecções pela diminuição da imunidade e hemorragias. A leucemia ocorre primariamente no sangue, mas existem casos em que também existe a presença da doença na meninge (membrana que recobre o cérebro e a coluna espinhal) e pele”, revela a hematologista.

 Existem casos crônicos e agudos da doença. “Em crianças é mais frequente o surgimento da leucemia aguda, chamada de Leucemia Mieloide Aguda (LMA) ou Leucemia Linfoide Aguda (LLA), que é um tipo de leucemia que tem uma progressão muito rápida”, aponta. “O importante é sempre procurar um médico caso a criança apresente os sintomas, para que a doença seja tratada o mais cedo possível”, orienta Juliana.

Mesmo sem apresentar comportamentos ou características capazes de prevenir a leucemia, existem alguns fatores que podem favorecer o seu desenvolvimento. “Não há como saber se alguém irá desenvolver a doença, mas a exposição prolongada e em altas doses a radiação ou a agrotóxicos podem desencadear uma alteração nas células da medula óssea e facilitar o seu surgimento”, conta a hematologista.

Os sintomas da doença costumam ser desconforto extremo, cansaço, fraqueza e, em alguns casos, febre, sangramentos e hematomas. “É muito comum crianças e adolescentes também sentirem dor óssea ou em articulações”, destaca. Para diagnóstico, é realizado um hemograma completo. “Se o exame estiver alterado, indicando a presença da leucemia, também é feito um exame específico direto da medula óssea”, complementa Juliana Souza Lima.

 O tratamento é realizado com quimioterapia e, em alguns casos, que variam conforme cada paciente, também pode ser necessário um transplante de medula óssea. “Muitos pacientes com leucemia acabam necessitando de um transplante e por isso é importante que toda população se conscientize sobre a importância de ser um doador de órgãos, pois isso pode salvar uma vida”, considera a hematologista.

 Segundo dados do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), cerca de 4.700 crianças e adolescentes estão na lista de espera por um transplante. Para ser doador de medula óssea, é necessário ter entre 18 e 55 anos e procurar um Hemocentro, onde será feita uma coleta de sangue para a realização dos testes de compatibilidade genética e um cadastro válido em todo o território nacional.

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