Coceira na cabeça nem sempre é piolho

Temperaturas extremas e estresse podem causar inflamações crônicas que provocam a desagradável sensação

Lívia Machado, iG São Paulo |

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Fatores genéticos explicam a tendência à caspa e dermatites do couro cabeludo
A coceira é infernal, provoca ardência, deixa o cabelo oleoso e compromete o uso de roupas pretas. A caspa, ou dermatite seborréia, como é conhecida cientificamente, ainda pode mais. O pozinho branco, em algumas cabeças, ganha contornos mais severos e transforma-se em uma inflamação crônica. O couro cabeludo requer cuidados para não comprometer, também, a saúde dos cabelos .

Não há razões objetivas que expliquem a tendência à caspa. Os fatores genéticos estão intimamente ligados ao problema, que pode aparecer a qualquer momento, em homens e mulheres, revela Francisco Levolci, dermatologista e coordenador do departamento de cabelo e unha da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O especialista ainda aponta que a caspa pode estar associada à presença de fungos. A relação, porém, tende a ser oportunista.

“O fungo, acredita-se, aproveita o ambiente para crescer, mas não desenvolve a inflamação.”

Alem da dermatite, o couro cabeludo é alvo da psoríase, outra doença inflamatória , que forma crostas mais espessas e aderidas à pele da cabeça. O componente genético da doença é relevante, mas não excludente: mais de 30% das pessoas que têm psoríase referem casos na família. Levolci, porém, ressalta que o termo genético nem sempre significa hereditário.

“Não se pode desprezar os antecedentes, mas a relação não é direta e certeira.”

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O aspecto de pele grossa e a coceira excessiva, com possíveis sangramentos, exigem o acompanhamento de um especialista. “Esses quadros necessitam de diagnóstico e orientação de um dermatologista. Não deve gerar temor, mas é importante que o profissional trace uma estratégia de tratamento e que o paciente o siga à risca. Quando não há cuidado e orientação, a doença tem um efeito rebote. Suaviza por um tempo, mas retorna muito mais forte.”

Segundo Márcia Cristina Purceli, dermatologista da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp, as formas de controle são bastante eficazes, mas o tratamento não elimina o problema. Geralmente, a inflamação é uma doença crônica, que se manifesta em climas extremos – temperaturas muito altas ou muito baixas.

Fim da coceira

Antigamente, os produtos mais eficazes para aliviar o constrangedor coça-coça eram feitos a base de enxofre. O resultado era excelente, mas provocava um cheiro horrível.

Segundo Levolci, o elemento químico desacelera o processo da troca de pele. “A pele tem três camadas. Em média, precisamos de 14 a 42 dias para que a camada mais baixa alcance a superfície. Nos pacientes com psoríase e dermatites, a descamação é muito acelerada.”

Hoje, o arsenal de loções para tratar as doenças é moderno e associado à indústria de cosméticos. Apesar dos múltiplos produtos, tais doenças não são curáveis. Os surtos da psoríase e dermatites tendem a passar em duas semanas, mas a inflamação é crônica, impossível prever quando retornará, revela o dermatologista.

Em casos de baixa imunidade, é possível que os quadros sejam extensos e graves, endossa Márcia Cristina. “Quando há feridas, o caso também pode piorar, as vezes é necessário o uso de antibióticos por via oral.”

Mitos e verdades

Dormir com os cabelos molhados, embora enfraqueça os fios, não embolora o couro cabeludo, como o conhecimento popular teima em acreditar. Lavar os cabelos todos os dias é uma medida sem contra-indicação e bastante eficaz para manter a pele longe das dermatites.

“A higiene do couro cabeludo é fator essencial, mas o fato de ter uma dermatite severa, não significa falta de higiene” alertam os especialistas.

Evitar banhos excessivamente quentes também é outra dica simples e fácil de ser incorporada no dia a dia. “A água quente remove a proteção natural da pele e aumenta a oleosidade dos cabelos, o que eleva as chances do aparecimento das dermatites", aponta a dermatologista da Unifesp.

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