Síndrome de Raynaud aparece com frequência em dia frios e atinge mais mulheres

Dedos azulados pela má circulação causada pela Síndrome de Raynaud
Arquivo pessoal
Dedos azulados pela má circulação causada pela Síndrome de Raynaud
Quando era bailarina, Maria Fernanda Leite vivia com os dedos dos pés roxos. Mas não era de tanto dançar. Ela sofre de uma hipersensibilidade ao frio conhecida como Síndrome de Raynaud (ou doença de Raynaud), que afeta a circulação deixando extremidades das mãos, pés, nariz ou orelhas com uma coloração azul/arroxeada.

“Nos dias frios piora muito. Os pés ficam gelados e insensíveis. Parece que estou andando em nuvens, mas é desconfortável”, afirma.

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Quem tem a doença pode manifestá-la no simples ato de lavar as mãos com água fria, por exemplo, ou ao permanecer em um ambiente com ar-condicionado.

Normalmente, a exposição ao frio diminui a circulação sanguínea nas extremidades do corpo, a fim de preservar a temperatura no centro, onde estão os principais órgãos. A Síndrome de Raynaud é uma resposta lenta a esse mecanismo que garante a temperatura estável do corpo o tempo todo. As extremidades ficam brancas, quase sem cor, geladas e pode haver dor, resultado da precária circulação na região.

“Parece pé ou mão de defunto”, descreve Maria Fernanda. Em seguida, o local fica roxo.

“A falta de oxigênio suficiente provoca uma dilatação brutal dos vasos. O organismo, no entanto, não consegue retornar todo aquele sangue de uma única vez, por isso a região fica azulada”, explica o cirurgião vascular Eduardo Toledo de Aguiar, diretor da clínica Spa Vascular, em São Paulo.

Com a normalização da circulação, a região fica vermelha até voltar ao aspecto natural. A alteração pode durar horas ou minutos, dependendo do tamanho da região atingida e da intensidade do frio.

Além da mudança na coloração, há redução da sensibilidade na região afetada, formigamento, dor e adormecimento. De acordo com as estimativas mundiais, o problema atinge cerca de 5% da população e é mais comum em mulheres entre os 20 e 40 anos.

Desencadeantes

Além da baixa temperatura, o estresse pode ser um gatilho para o problema, já que leva a uma resposta semelhante à exposição ao frio. Mas outros fatores também podem provocar essa manifestação, como a utilização de anticoncepcionais orais ou remédios contra a pressão alta, a exposição a solventes químicos ou ainda o cigarro.

“Além dessas associações, essa condição pode estar ligada a doenças reumáticas, como a artrite reumatoide , ou autoimunes, como o lúpus ”, alerta a reumatologista Evelin Goldenberg, diretora da clínica que leva o seu nome, na capital paulista.

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“É extremamente importante avaliar os medicamentos em uso e primordial diagnosticar se há alguma doença maior em que a constrição dos vasos seja apenas uma manifestação”, completa. Em casos relacionados a outras doenças, ela é chamada de Fenômeno de Raynaud e pode desaparecer assim que o problema principal for tratado.

Tratamento

Apesar de não ter cura, é possível controlá-la e contorná-la. Em casos graves, os médicos costumam prescrever vasodilatadores, que ajudam a evitar as crises. Para Maria Fernanda Leite, duas meias são insuficientes para proteger os pés. A fim de evitar que a doença se manifeste ela tenta não se expor ao frio intenso e encontrou na água quente uma ótima aliada.

“Quando posso, coloco os pés em água corrente bem quente por uns 5 ou 10 minutos. Aos poucos, a sensibilidade vai melhorando e o aspecto do pé também”, ensina. A atividade física e massagens, embora demorem mais, também são eficientes. “O exercício ajuda, mas leva mais tempo para a circulação voltar.” 

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