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Incontinência urinária

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Conteúdo exclusivo para o iG no Brasil e usado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos

Definição

A incontinência urinária (ou da bexiga) ocorre quando não é possível ter controle sobre a urina que sai da uretra, canal que leva a urina da bexiga para fora do organismo. Esse problema pode variar de um vazamento de urina ocasional até uma completa incapacidade de reter a urina.

Os três tipos principais de incontinência urinária são:

  • Incontinência de esforço – ocorre durante algumas atividades, como tossir, espirrar, rir ou realizar exercícios
  • Incontinência de urgência – envolve uma necessidade súbita e forte de urinar, seguida de uma contração instantânea da bexiga e a perda involuntária de urina. Não há tempo suficiente para chegar ao banheiro quando você percebe que precisa urinar
  • Incontinência de sobrefluxo – ocorre quando a bexiga não se esvazia por completo, o que leva ao gotejamento
  • Incontinência mista – envolve mais de um tipo de incontinência urinária

Incontinência fecal, um tópico separado, é a incapacidade de controlar a passagem das fezes.

Nomes alternativos

Perda do controle da bexiga; Micção incontrolável; Micção – incontrolável; Incontinência – urinária

Considerações

A incontinência é mais comum entre idosos. As mulheres estão mais propensas a ter incontinência urinária do que os homens.

Crianças e bebês não são considerados incontinentes, pois simplesmente ainda não aprenderam a controlar a vontade de ir ao banheiro. Acidentes ocasionais são comuns em crianças de até 6 anos. Crianças (e às vezes adolescentes) do sexo feminino podem apresentar pequenos vazamentos de urina ao rir.

A enurese noturna em crianças é normal até a idade de 5 ou 6 anos.

MICÇÃO NORMAL

Normalmente, a bexiga começa a se encher de urina que provém dos rins. Ela se expande para permitir volumes maiores de urina.

A primeira vontade de urinar ocorre quando há cerca de 200 mL (pouco menos de 1 xícara) de urina retida na bexiga. Um sistema nervoso saudável responde a essa sensação de expansão alertando o indivíduo por meio da vontade de urinar, permitindo, ao mesmo tempo, que a bexiga continue enchendo.

Um indivíduo normal pode reter cerca de 350 a 550 ml (mais de 2 xícaras) de urina.

Dois músculos ajudam a controlar o fluxo de urina:

  • O esfíncter (o músculo circular ao redor da abertura da bexiga) deve ser capaz de se contrair para evitar que a urina vaze
  • O músculo da parede da bexiga (detrusor) deve se manter relaxado para que a bexiga possa se expandir

No momento de esvaziar a bexiga, o músculo da parede da bexiga (detrusor) se contrai ou se aperta para forçar a urina para fora da bexiga. Antes da contração desse músculo, o corpo deve ter a capacidade de relaxar o esfíncter para permitir que a urina seja expelida.

A capacidade de controlar a urina depende de uma anatomia normal, um sistema nervoso funcionando normalmente e a capacidade de reconhecer e responder à vontade de urinar.

Causas comuns

As causas são:

  • Problemas anatômicos
  • Bloqueio
  • Problemas cerebrais ou nervosos
  • Distúrbios musculares ou nervosos (distúrbios neuromusculares)
  • Demência ou outros problemas psicológicos que afetam a capacidade de reconhecer ou responder à necessidade de urinar

A incontinência pode ser de caráter repentino e temporário ou constante e de longo prazo.

As causas da incontinência repentina ou temporária incluem:

  • Convalescência – por exemplo, durante a recuperação de uma cirurgia
  • Alguns medicamentos (como diuréticos, antidepressivos, tranquilizantes e alguns remédios para tosse e resfriado e anti-histamínicos para alergias)
  • Confusão mental
  • Gravidez
  • Infecção ou inflamação na próstata
  • Acúmulo fecal causado por forte constipação, causando pressão sobre a bexiga
  • Infecção do trato urinário (ou inflamação)
  • Ganho de peso

Possíveis causas da incontinência de longo prazo:

  • Mal de Alzheimer
  • Câncer de bexiga
  • Espasmos da bexiga
  • Depressão
  • Próstatas aumentadas
  • Problemas neurológicos, como esclerose múltipla ou Acidente Vascular Cerebral (AVC)
  • Danos aos nervos ou aos músculos após radioterapia pélvica
  • Prolapso pélvico em mulheres – queda ou deslocamento da bexiga, uretra ou reto para a área vaginal, muitas vezes relacionado a várias gestações ou partos
  • Problemas na estrutura do trato urinário
  • Lesões na coluna
  • Fraqueza do esfíncter; o músculo circular da bexiga responsável por abri-la e fechá-la. Isso pode acontecer após uma cirurgia vaginal ou na próstata

Cuidados em casa

Procure um médico para realizar um exame inicial e um plano de tratamento. As opções de tratamento variam, dependendo do caso e do tipo da incontinência. Felizmente, há muitas medidas que você pode seguir para ajudar a controlar a incontinência.

Os seguintes métodos podem ser usados para fortalecer os músculos do assoalho pélvico:

  • Reeducação da bexiga – envolve urinar em horários programados, mesmo que você não esteja com vontade. Entre esses horários, você deve tentar esperar até o próximo horário programado. Primeiro, você precisará programar intervalos de 1 hora. De forma gradual, você poderá aumentar para intervalos de 1 a 2 horas, até que passe a urinar a cada 3 a 4 horas sem vazamento
  • Exercícios de Kegel – contraia os músculos do assoalho pélvico por 10 segundos e, em seguida, relaxe-os por 10 segundos. Repita 10 vezes. Pratique esses exercícios três vezes por dia. Você pode praticá-los em qualquer lugar e a qualquer momento

Foto: ADAM

Trato urinário feminino

Para localizar os músculos pélvicos, ao começar a praticar os exercícios de Kegel, interrompa o fluxo de urina em meio ao ato de urinar. Os músculos necessários para esse procedimento são os músculos do assoalho pélvico. NÃO contraia os músculos do abdome, das coxas e das nádegas. E NÃO pratique os exercícios em excesso. Isso poderá cansar os músculos e agravar a incontinência.

Dois métodos chamados de biofeedback e estimulação elétrica podem ajudá-lo a aprender como praticar os exercícios de Kegel. O biofeedback utiliza eletrodos colocados sobre os músculos do assoalho pélvico, que emitem uma resposta quando os músculos são contraídos e quando estão relaxados.

A estimulação elétrica utiliza uma corrente elétrica de alta tensão para estimular os músculos do assoalho pélvico. Esse procedimento pode ser realizado em casa ou durante uma consulta médica, por 20 minutos, diariamente, por até 4 dias.

Foto: ADAM

Trato urinário masculino

O biofeedback e a estimulação elétrica não serão mais necessários quando você for capaz de identificar os músculos do assoalho pélvico e conseguir fazer os exercícios por conta própria.

O uso de cones vaginais melhora o desempenho dos exercícios de Kegel para mulheres. Há outros procedimentos para tratar a incontinência.

Para conter o vazamento, use absorventes ou fraldas para adultos. Há vários produtos, especificamente desenvolvidos, que podem ser usados sem que ninguém perceba, apenas você.

Outras medidas incluem:

  • Regule seu intestino para evitar a prisão de ventre. Tente aumentar as fibras na sua dieta alimentar
  • Pare de fumar para reduzir a tosse e a irritação da bexiga. Fumar também aumenta o risco de câncer na bexiga
  • Evite o álcool e bebidas cafeinadas, principalmente o café, que pode superestimular a bexiga.
  • Perca peso, se for necessário
  • Evite alimentos e bebidas que possam irritar a bexiga, como comidas picantes, bebidas gaseificadas, frutas e sucos cítricos
  • Mantenha o açúcar do sangue sob controle, caso você tenha diabetes

Seu médico poderá recomendar medicamentos ou cirurgia, especialmente se os cuidados em casa não estiverem ajudando ou se os sintomas estiverem piorando.

Os medicamentos que podem ser prescritos incluem remédios que relaxam a bexiga, aumentam o tônus muscular da bexiga ou fortalecem o esfíncter.

A cirurgia pode ser necessária para eliminar uma possível obstrução ou deformidade entre o colo da bexiga e a uretra.

Consulte também:

  • Incontinência de urgência
  • Incontinência de esforço

Se você tiver incontinência de sobrefluxo ou não puder esvaziar a bexiga por completo, poderá ser recomendado um cateter. No entanto, o uso de cateter pode deixá-lo exposto a possíveis infecções.

PREVENÇÃO

A prática de exercícios de Kegel durante a gravidez e logo após o parto pode ajudar a prevenir a incontinência relacionada ao parto.

Ligue para seu médico se

Converse sobre a incontinência com seu médico. Os ginecologistas e os urologistas são os especialistas mais familiarizados com esse problema. Eles podem avaliar as causas e recomendar as abordagens de tratamento adequadas.

Ligue para o serviço de emergência local (como 192) ou procure um atendimento de emergência se algum dos sintomas a seguir estiver acompanhando uma súbita perda do controle da urina:

  • Dificuldade de falar, caminhar ou se expressar
  • Fraqueza, dormência ou formigamento súbitos em um braço ou uma perna
  • Perda da visão
  • Perda de consciência ou desorientação
  • Perda do controle intestinal

Ligue para o médico se:

  • Você estiver com prisão de ventre há mais de 1 semana
  • Você tiver dificuldade para iniciar o fluxo de urina, apresentar gotejamento, enurese noturna, dor ou ardência ao urinar, maior frequência ou urgência, urina escurecida ou com sangue
  • Você estiver tomando remédios que podem causar incontinência – NÃO altere ou interrompa nenhuma medicação sem comunicar o médico
  • Você tiver mais de 60 anos e sua incontinência for recente, especialmente se estiver tendo problemas de memória ou com seus cuidados pessoais
  • Você tiver vontade de urinar frequentemente, mas expele apenas pequenas quantidades de urina
  • Você sentir a bexiga cheia mesmo após ter acabado de urinar
  • A incontinência persistir por mais de 2 semanas mesmo com os exercícios para fortalecer os músculos pélvicos

O que esperar da consulta médica

O médico preparará seu histórico médico e fará um exame físico, com foco no abdome, genitais, pelve, reto e sistema neurológico.

As perguntas do histórico médico poderão incluir:

  • Há quanto tempo a incontinência tem sido um problema para você?
  • Quantas vezes isso acontece por dia?
  • Você percebe a necessidade de urinar antes do vazamento?
  • Você se dá conta imediatamente que urinou?
  • Você se sente molhado a maior parte do dia?
  • Você usa fraldas protetoras para casos de acidentes? Com que frequência?
  • Você evita situações sociais devido a possíveis acidentes?
  • Você já teve infecções urinárias anteriormente? Você acha que pode ter uma agora?
  • É mais difícil controlar a urina quando você tosse, espirra, tensiona os músculos ou ri?
  • É mais difícil controlar a urina quando você corre, salta ou caminha?
  • A incontinência piora quando você está sentado ou em pé?
  • Você está com prisão de ventre? Há quanto tempo?
  • Você toma alguma providência para diminuir ou evitar acidentes?
  • Você já fez algum tratamento para esse problema anteriormente? Isso ajudou?
  • Você já tentou praticar os exercícios para o assoalho pélvico (Kegel)? Eles ajudaram?
  • Que procedimentos, cirurgias ou lesões você já teve?
  • Que medicamentos você toma?
  • Você bebe café? Em que quantidade?
  • Você bebe álcool? Em que quantidade?
  • Você fuma? Quantos cigarros por dia?
  • Você tem diabetes ou um histórico familiar de diabetes?
  • Você apresenta algum outro sintoma?

Entre os exames de diagnóstico que podem ser realizados estão:

  • Urinálise
  • Cultura da urina, para verificar se há infecção, se for indicado
  • Cistoscopia (inspeção do interior da bexiga)
  • Exames urodinâmicos (exames que medem a pressão e o fluxo urinário)
  • Urofluxo (para medir o padrão do fluxo de urina)
  • Resíduo pós-miccional (RPM) para medir a quantidade de urina existente após a micção

Outros exames podem ser realizados para descartar a possibilidade de fraqueza pélvica como causa da incontinência. Um desses exames é chamado de teste do cotonete. Esse teste envolve medir a alteração do ângulo da uretra quando ela está em repouso e quando está tensionada. Uma alteração de ângulo maior que 30 graus costuma indicar fraqueza significativa dos músculos e tendões que sustentam a bexiga.

Referências

Gerber GS, Brendler CB. Evaluation of the urologic patient: History, physical examination, and urinalysis. In: Wein AJ, ed. Campbell-Walsh Urology. 9th ed. Philadelphia, Pa: Saunders Elsevier;2007:cap. 3.

Holroyd-Leduc JM, Tannenbaum C, Thorpe KE, Straus SE. What type of urinary incontinence does this woman have? JAMA. 2008;299:1446-1456.

Rogers RG. Clinical practice: urinary stress incontinence in women. N Engl J Med. 2008;358:1029-1036.

Shamliyan TA, Kane RL, Wyman J, Wilt TJ. Systematic review: randomized, controlled trials of nonsurgical treatments for urinary incontinence in women. Ann Intern Med. 2008;148:459-473.

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