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Infecção aguda de ouvido

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Conteúdo exclusivo para o iG no Brasil e usado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos

Definição

As infecções no ouvido são uma das principais razões pelas quais os pais levam seus filhos ao médico. Embora existam diferentes tipos de infecções no ouvido, a mais comum é chamada de otite média, que implica na inflamação e infecção do ouvido médio. O ouvido médio está localizado atrás do tímpano.

O termo "aguda" se refere a um episódio breve e doloroso. Uma infecção recorrente ou que dura muito tempo é chamada de otite média crônica.

Para obter links de outros tipos de infecções no ouvido, consulte otite.

Nomes alternativos
Otite média aguda, infecção ouvido interno, infecção aguda no ouvido médio

Causas, incidência e fatores de risco

Em cada ouvido, a trompa de Eustáquio sai do ouvido médio e vai até a parte posterior da garganta. Essa trompa drena o líquido que é produzido normalmente no ouvido médio.

Foto: ADAM

Infecção no ouvido médio (otite média)

Se a trompa de Eustáquio for bloqueada, o líquido poderá se acumular. Quando isso acontece, micro-organismos como bactérias e vírus podem se multiplicar e provocar uma infecção.

As infecções no ouvido são comuns em bebês e crianças, em parte porque a trompa de Eustáquio pode ficar congestionada facilmente. As infecções no ouvido também podem ocorrer em adultos, embora sejam menos comum do que em crianças.

Tudo que obstrui ou provoca inchaço da trompa de Eustáquio faz com que mais líquido se acumule no ouvido médio atrás do tímpano.

 As causas incluem:

  • Alergias
  • Resfriados e sinusites
  • Excesso de secreção e saliva produzidos durante a dentição
  • Adenoides infectadas ou aumentadas
  • Fumaça de cigarro ou outros irritantes

As infecções no ouvido também são mais prováveis se a criança passa muito tempo tomando mamadeira ou copo com bico na posição horizontal. Ao contrário da opinião popular, a água que entra no ouvido não provoca uma infecção aguda de ouvido, a menos que o tímpano tenha uma perfuração causada por um episódio anterior.

As infecções no ouvido ocorrem com mais frequência no inverno. A infecção no ouvido não é contagiosa, mas o resfriado pode ser disseminado entre as crianças e provocar infecções de ouvido em algumas delas.

Os fatores de risco para infecções de ouvido incluem:

  • Frequentar creche (principalmente aquelas com mais de seis crianças)
  • Mudanças climáticas ou de altitude
  • Clima frio
  • Exposição à fumaça
  • Fatores genéticos (a suscetibilidade à infecção pode ser de família)
  • Não ser amamentado
  • Uso de chupeta
  • Infecção de ouvido recente
  • Doença recente de qualquer tipo (diminui a resistência do corpo a infecções)

Sintomas

Em bebês, o sinal mais claro muitas vezes é a irritabilidade e o choro inconsolável. Muitos bebês e crianças têm febre ou dificuldade para dormir. Os pais normalmente acham que puxar a orelha é um sintoma de infecção de ouvido, mas estudos mostraram que o mesmo número de crianças que vai ao médico toca as orelhas, estejam ou não infectadas.

Os sintomas em crianças mais velhas ou em adultos incluem:

  • Dor de ouvido
  • Ouvido tapado
  • Mal-estar geral
  • Vômitos
  • Diarreia
  • Perda de audição no ouvido infectado

A criança pode ter sintomas de um resfriado ou a infecção de ouvido pode começar logo depois de ter um resfriado.

Todas as infecções de ouvido agudas são caracterizadas por líquido atrás do tímpano. Você pode usar um monitor eletrônico de ouvido como o EarCheck para verificar a presença desse líquido sem sair de casa. Esse dispositivo está disponível em farmácias, mas ainda assim você deve consultar o médico para confirmar qualquer possível infecção de ouvido.

Exames e testes

O médico perguntará se houve infecções de ouvido anteriormente e se seu filho (ou você, se for o paciente) teve algum resfriado ou sintomas de alergia recentemente.

O médico realizará um exame físico. Isso inclui um exame de garganta, seios nasais, cabeça, pescoço, pulmões e ouvidos. O médico examina dentro do ouvido usando um instrumento chamado otoscópio. Se estiver com infecção, podem existir áreas sensíveis ou vermelhas ou pode haver bolhas de ar ou líquido atrás do tímpano. O médico também verificará se há sinais de perfuração no tímpano.

Um teste de audição poderá ser recomendado se houver um histórico de infecções de ouvido persistentes (crônicas e recorrentes).

Tratamento

Algumas infecções de ouvido podem sarar por conta própria, sem o uso de antibióticos.

Às vezes, tratar a dor e dar tempo ao corpo para se recuperar é o suficiente:

  • Com cuidado, aplique um pano quente no ouvido afetado
  • Use analgésicos de venda livre em gotas no ouvido ou peça ao médico uma receita de gotas para aliviar a dor
  • Tome medicamentos de venda livre para a dor ou a febre, como ibuprofeno ou paracetamol. NÃO dê aspirina a crianças

Todas as crianças com menos de 6 meses que tenham febre ou sintomas devem ir ao médico.

As crianças com mais de 6 meses podem ser observadas em casa se não tiverem:

  • Febre alta (mais de 39 °C)
  • Dores mais fortes ou outros sintomas
  • Outros problemas médicos

Se não houver melhora ou se os sintomas piorarem, marque uma consulta com um médico para determinar se são necessários antibióticos.

Antibióticos

Um vírus ou uma bactéria pode causar infecções de ouvido. Os antibióticos não curam uma infecção causada por vírus. Muitos médicos já não prescrevem antibióticos para qualquer infecção de ouvido. Porém, todas as crianças com menos de 6 meses e com infecção de ouvido são tratadas com antibióticos.

É mais provável que seu médico receite um antibiótico se:

  • Seu filho tiver menos de 2 anos
  • Tiver febre
  • Parecer doente
  • Não melhorar dentro de 24 a 48 horas

Certifique-se de que seu filho receba os antibióticos diariamente e tome todo o medicamento em vez de interromper ao desaparecerem os sintomas. Se os antibióticos não funcionarem dentro de 48 a 72 horas, entre em contato com o médico. Talvez seja necessário mudar de antibiótico.

A amoxicilina é em geral a primeira opção. Outros antibióticos que podem ser receitados são: azitromicina, claritromicina, cefdinir, cefuroxima, cefpodoxime, amoxicilina-clavulanato (Augmentin), clindamicina e ceftriaxona.

Os efeitos colaterais dos antibióticos incluem náuseas, vômitos e diarreia. Embora sejam raras, algumas reações alérgicas sérias também podem ocorrer.

Algumas crianças que têm infecções recorrentes que parecem desaparecer entre um episódio e outro podem receber diariamente uma dose menor de antibiótico para evitar novas infecções.

Cirurgia

Se uma infecção não desaparecer com o tratamento médico normal ou se uma criança tiver muitas infecções de ouvidos em um curto período, o médico poderá recomendar o uso de tubos de ouvido.

  • Nesse procedimento, um pequeno tubo é inserido no tímpano, mantendo um pequeno orifício que permite a entrada do ar para que o líquido possa ser drenado com mais facilidade.
  • Os tubos que não caem podem ser retirados no consultório médico

Se as adenoides estiverem aumentadas, a remoção cirúrgica delas pode ser considerada, principalmente se você continuar a ter infecções de ouvido. Aparentemente, remover as amígdalas não ajuda nas infecções de ouvido.

Evolução (prognóstico)

As infecções de ouvido são tratáveis, mas podem voltar a ocorrer no futuro. Se forem receitados antibióticos para você ou seu filho, é importante terminar todo o medicamento conforme indicado.

Complicações

De modo geral, a infecção de ouvido é uma doença simples e sem complicações. A maioria das crianças tem uma pequena perda temporária da audição durante e logo após a infecção de ouvido. Isso se deve ao acúmulo de líquido no ouvido.

O líquido pode permanecer atrás dos tímpanos mesmo depois de curada a infecção.

Foto: ADAM

Mastoidite - vermelhidão e inchaço atrás da orelha

Consulte também: Otite média com efusão

Outras possíveis complicações da otite média incluem:

  • Tímpano rompido ou perfurado
  • Infecções de ouvido crônicas e recorrentes
  • Adenoides e amígdalas aumentadas
  • Mastoidite (uma infecção dos ossos ao redor do crânio)
  • Meningite (uma infecção do cérebro)
  • Formação de um abscesso ou cisto (chamado de colesteatoma) causado por infecções de ouvido crônicas e recorrentes
  • Atraso no desenvolvimento da fala em crianças que sofrem de perda de audição duradoura causada por infecções de ouvido crônicas e recorrentes

Ligando para o médico

Ligue para o pediatra se:

  • A dor, a febre e a irritabilidade não melhorarem dentro de 24 a 48 horas
  • No começo, a criança parecer ter mais do que somente uma infecção de ouvido
  • Seu filho tiver febre alta ou muita dor
  • Dor intensa que desaparece subitamente – isso pode indicar perfuração do tímpano
  • Os sintomas piorarem
  • Aparecerem novos sintomas, principalmente dor de cabeça forte, tontura, inchaço ao redor da orelha ou contrações involuntárias dos músculos faciais

Para as crianças com menos de 6 meses, avise o médico imediatamente se ela tiver febre, mesmo que não haja nenhum outro sintoma.

Prevenção

Você pode reduzir o risco de infecções de ouvido com as seguintes práticas:

  • Lave as mãos e os brinquedos frequentemente
  • Se possível, escolha uma creche com seis ou menos crianças por sala. Isso pode reduzir a probabilidade de seu filho pegar um resfriado ou uma infecção semelhante e resulta em menos infecções de ouvido
  • Evite o uso de chupeta
  • Amamente – isso torna uma criança muito menos vulnerável às infecções de ouvido. Contudo, se o bebê tomar mamadeira, mantenha-o sentado com as costas na posição vertical
  • Não exponha seu filho à fumaça de cigarro
  • Certifique-se de ter as vacinas em dias. A vacina pneumocócica previne infecções causadas pela bactéria que mais frequentemente gera infecções de ouvido agudas e muitas doenças respiratórias
  • Evite usar antibióticos em excesso. O abuso de antibióticos pode levar à resistência a esse medicamento

Referências

American Academy of Pediatrics Subcommittee on Management of Acute Otitis Media. Diagnosis and management of acute otitis media. Pediatrics. 2004;113(5):1451-1465.

Paradise JL, Feldman HM, Campbell TF, Dollaghan CA, Rockette HE, Pitcairn DL, et al. Tympanostomy tubes and developmental outcomes at 9 to 11 years of age. N Engl J Med. 2007;356:248-261.

Ramakrishnan K, Sparks RA, Berryhill WE. Diagnosis and treatment of otitis media. Am Fam Physician. 2007;76:1650-1656.

Koopman L, Hoes AW, Glasziou PP, Cees L, Appelman L, Burke P, et al. Antibiotic therapy to prevent the development of asymptomatic middle ear effusion in children with acute otitis media: a meta-analysis of individual patient data. Arch Otolaryngol Head Neck Surg. 2008;134:128-132.

Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP). Licensure of a 13-Valent Pneumococcal Conjugate Vaccine (PCV13) and Recommendations for Use Among Children. MMWR. 2010 Mar 12;59(09):258-261.

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