Foi um fanático por futebol que mostrou ao médico a importância da televisão no quarto

A história de um paciente que, mesmo internado, não esqueceu a paixão pelo Palmeiras e mudou o conceito de humanização no País
AE
A história de um paciente que, mesmo internado, não esqueceu a paixão pelo Palmeiras e mudou o conceito de humanização no País

O médico Elias Knobel estava fascinado. Era metade dos anos 90 e os novos aparelhos de última geração que chegavam aos leitos de UTI do Hospital Albert Einstein, unidade que ele ajudou a montar, pareciam fazer mágica com os doentes.

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Mas um paciente internado em uma dessas camas sentia uma falta vital de um aparelho eletroeltrônico que já havia sido criado há 50 anos, mas que ainda não existia dentro da unidade de cuidados intensivos.

“O Einstein fica perto do estádio do Morumbi e, não raro, a gente escutava os sons das torcidas que ecoavam de lá. Era um dia em que estávamos com muitos pacientes e até tínhamos esquecido que havia um jogo ocorrendo por lá.”

Em meio a tanto trabalho, Knobel percebeu que um dos pacientes internados – que até então estava bem – começou a apresentar aceleração dos batimentos cardíacos. A respiração também estava difícil e nada indicava o motivo de tantas alterações. Medicado, limpo, bem cuidado. Tudo parecia certo.

“Ele estava respirando por aparelhos, não podia falar, mas estava estável, evoluindo bem. Sua mulher, que não saía de perto de leito desde que ele tinha tido um acidente vascular cerebral (AVC ), também não conseguia entender aquele comportamento”, lembra o médico.

“Naquela época, as mãos dos pacientes ainda ficavam presas ao leito, para evitar que eles se machucassem com os fios. Mas percebemos que a angústia do paciente sinalizava que ele queria falar algo. Então desamarramos uma das mãos dele e entregamos um papel e uma caneta para que ele pudesse se escrever e comunicar o que estava acontecendo.”

Na folha de caderno e com a letra trêmula, o homem de 40 anos escreveu: Dr, por favor, hoje é a final da Copa do Brasil, entre Palmeiras e Cruzeiro. O senhor não me arruma uma televisão?”

Naquele dia, o paciente palmeirense fanático assistiu ao jogo (e a uma vitória histórica do Palmeiras). Desde então, os leitos de UTI do Einstein foram equipados com televisão.

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