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Grupo pode receber a vacina contra a doença de graça em centros especiais. Veja endereços

Pesquisa mostra que gripe aumenta o risco de infarto em quem já é cardíaco
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Pesquisa mostra que gripe aumenta o risco de infarto em quem já é cardíaco

Os corações que batem fora do ritmo são mais vulneráveis à gripe , revela pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e publicada na última edição do Arquivo Brasileiro de Cardiologia.

Por causa disso, este grupo de risco pode receber a vacina de graça, mediante recomendação médica, em centros especiais. Veja aqui a lista com os endereços .

Os especialistas alertam que as pessoas que já convivem com alterações cardíacas (indicadas por pressão alta , diabetes , obesidade e alterações nos exames clínicos) têm um risco 50% maior de sofrer infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) quando contaminadas pelo vírus que causa tosse, espirro e febre – mas isso não costuma preocupar a população.

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Para chegar às conclusões, o pesquisador e cardiologista da Unifesp, Henrique Godoy, avaliou 194 mil casos de internação hospitalar em decorrência de problemas cardiovasculares, registrados entre 1992 e 2010.

“Nos meses de inverno, entre maio e julho, o número de hospitalizações de cardíacos foi 20% maior em toda a série histórica analisada. As temperaturas mais frias facilitam a circulação dos vários tipos de gripe e eles são um perigo para os cardíacos”, explica Godoy.

Dentro do corpo

Em análises internacionais, os cientistas já observaram como a infecção viral acelera o infarto e o AVC. O vírus Influenza (causador da gripe) impulsiona a produção das placas de colesterol existentes nas artérias (mais densas nos cardíacos). Isso faz com que a parede interna do do vaso se rompa com mais facilidade, provocando coágulos.

Estes coágulos podem ou entupir o caminho do sangue que chega ao coração ou o que abastece o cérebro , provocando os dois eventos cardiovasculares que são líderes na causa de mortalidade dos brasileiros.

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Nova onda

De acordo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Isabella Ballalai, uma nova onda de gripe deve chegar em maio no Brasil. Ela deve ser composta, especialmente, por três tipos de vírus causadores da doença: H1N1 (popularmente chamado de gripe suína), o Influenza B ( que causou surto na Marinha do Rio de Janeiro no final do ano passado ) e o H3N2, com já ampla circulação nos Estados Unidos e na Europa.

Será a terceira onda de gripe após a primeira pandemia do século, registrada em 2009. Foi quando o H1N1 circulou pela primeira vez em quase todos os países do mundo e provocou 10 mil mortes no planeta, contabilizou a Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Aprendemos muito com a epidemia, especialmente a não negligenciar a gripe, o potencial de internação da doença e a preocupação que devemos ter com os chamados grupos de risco. São eles: cardíacos, diabéticos , soropositivos , obesos – com Índice de Massa Corporal acima de 35 – e pacientes com câncer ”, avalia Nancy Bellei, coordenadora do setor de Viroses Respiratórias da Escola Paulista de Medicina.

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Já em 2010, uma vacina protetora contra o vírus da gripe e o H1N1 estava disponível e, na época, houve corrida aos postos de saúde para receber a proteção.

“Imediatamente, a população ficou muito preocupada e procurou espontaneamente a imunização. O que sentimos agora é um relaxamento, em especial da classe médica e dos pacientes que fazem parte do grupo de risco para a gripe”, opina Lúcia Bricks, diretora de Saúde Pública do laboratório Sanofi-Pasteur, um dos principais produtores de vacina contra a gripe do mundo.

Campanha pública

O Ministério da Saúde tradicionalmente realiza campanhas de vacinação em massa contra a gripe em abril. A medicação que chegará este ano aos postos de saúde vai proteger contra os três tipos de vírus que devem ser os mais incidentes (Influenza B, H1N1, e H3N2).

Inicialmente, apenas os idosos com mais de 60 anos podiam receber gratuitamente as doses. No ano passado, grávidas, indígenas e crianças menores de 2 anos foram incluídas no público alvo vacinado de graça .

“Mas os cardíacos, os diabéticos, os asmáticos e os pacientes com câncer ou HIV também podem receber as doses gratuitamente”, alerta Nacy Bellei.

“Porém, diferentemente dos idosos que só precisam apresentar o documento de identidade nos postos, estes pacientes precisam que seus médicos de origem façam uma recomendação sobre a necessidade da vacina”, complementa o cardiologista Henrique Godoy.

“Precisamos alertar os médicos para que não deixem de fazer isso.”.

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