Apesar de nunca ter sido diagnosticada, médicos acreditam que garota pode sofrer de retinoblastoma, um tumor maligno, comum na infância; conheça a história da filipina Sophia Savillaga - imagens podem ser consideradas fortes

Desde pequena Sophia precisa esconder o rosto quando está perto das pessoas, porém, seu sonho é ter uma vida comum
Reprodução/Facebook
Desde pequena Sophia precisa esconder o rosto quando está perto das pessoas, porém, seu sonho é ter uma vida comum

Quem vê fotos da filipina Sophia Savillaga, de 16 anos, em suas redes sociais não percebe nada de diferente com a jovem, a não ser pela grande franja que cobre metade de seu rosto em todas as fotos. Contudo,  engana-se quem pensa que o penteado se repete em todas as imagens por uma simples questão de moda. O propósito, na verdade, é muito mais sério: esconder um tumor equivalente ao tamanho de uma bola de tênis que cresce em seu olho esquerdo.

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Sophia nasceu com uma retina de sangue que começou a inchar quando ela tinha apenas sete meses de idade, conforme conta sua mãe. Com o passar do tempo, ela foi perdendo a visão, enquanto o tumor crescia, até chegar à cegueira completa do olho esquerdo.

Com o tempo o tumor cresceu e a visão de Sophia ficou prejudicada
Reprodução/JustGiving
Com o tempo o tumor cresceu e a visão de Sophia ficou prejudicada

Sem recursos para procurar ajuda médica, a família da adolescente recebeu dos médicos, nas poucas vezes que conseguiram atendimento adequado, várias informações confusas e diferentes sobre seu diagnóstico.

Porém, quase todos os profissionais afirmaram que não havia nada que pudesse ser feito pela garota e após a morte do pai, ela e sua mãe, uma lavadeira de uma aldeia na Filipinas, não foram conseguiram mais ir aos hospitais.

Apesar de nunca ter recebido o diagnóstico, dentre as possíveis causas da condição, os médicos acreditam que a jovem sofre de retinoblastoma ou medulloepithelioma, um tumor maligno originário da membrana neuroectodérmica da retina embrionária. Conhecido como o tumor maligno ocular mais freqüente da infância, a doença afeta 80% das crianças abaixo de 3 a 4 anos.

O caso de Sophia configura-se em um quadro grave. Nessas situações pode haver o acometimento do sistema nervoso central e dos ossos, causando dores de cabeça e vômito.  

Em entrevista ao Daily Mail , a jovem afirma estar acostumada a sentir dores constantes. “Meu olho sempre teve esse problema. Eu não me lembro de me ver sem isso, já estou acostumada, mas me preocupo que meu caso possa piorar”.

Apesar de não receber notícias animadoras dos médicos, que afirmam que ela não poderá ser curada, Sophia ainda acredita que um tratamento poderia ajudá-la. Sem condições de pagar pelo procedimento, a garota acredita que pode  angariar fundos por meio de doações e faz planos para o futuro: “Gostaria de ter um namorado e uma família, como todo mundo”.

Enquanto não arrecada dinheiro suficiente, a filipina tenta viver uma vida comum. “Eu tento esconder meus olhos quando estou perto de pessoas”, contou ela, que vai à escola normalmente, e adora se divertir com amigos em sua aldeia local. O tumor não afetou nenhuma parte cognitiva de Sophia.

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Retinoblastoma

Os sintomas do retinoblastoma podem ser estrabismo, sangramento de alguma parte do olho, perda de visão e vermelhidão dos olhos
Pixabay
Os sintomas do retinoblastoma podem ser estrabismo, sangramento de alguma parte do olho, perda de visão e vermelhidão dos olhos

O retinoblastoma pode ser classificado como esporádico ou hereditário. Quando identificado na forma esporádica, o que corresponde entre 60% e 70% dos casos, o tumor é unilateral e atinge apenas um olho.

Já a forma hereditária, o tumor pode ser unilateral, correspondendo a 15% dos casos, ou bilateral, quando os dois olhos são afetados, que corresponde a 25% dos casos.

Para identificar o retinoblastoma por meio de sintomas é preciso ficar atento, pois as características mudam, dependendo de seu tamanho e da sua localização. A leucocoria é o sinal mais comum da doença, quando a pessoa começa a enxergar um “reflexo branco”, conhecido como “reflexo do olho de gato”. Isso acontece por conta do descolamento de retina causada pela massa do tumor, com sua possível visualização através da pupila.

Além disso, é possível encontrar outros sinais, como estrabismo, sangramento de alguma parte do olho, perda de visão, vermelhidão dos olhos, heterocromia - quando a criança nasce com um olho de cada cor - e glaucoma, condição que afeta o nervo óptico.

Entretanto, para detectar o tumor, é preciso que exames oftalmológicos de imagem, como tomografia de crânio e órbita ou ressonância, sejam feitos. O diagnóstico histológico é confirmado após a retirada do globo ocular que é indicada como tratamento em alguns casos.

De acordo com o Hospital de Câncer de Barretos, “o quadro clínico do retinoblastoma pode ser confundido com infecções bacterianas e fúngicas (endoftalmite) , infecções por Toxocara canis (vermes transmitidos por gatos e cachorros), persistência hiperplásica do vítreo primário, Doença de Coats, Angiomatose de retina e infiltração da retina por metástases”.

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Tratamento

O tratamento do retinoblastoma é preparado conforme o tipo da doença. Para cada extensão da condição há um procedimento específico, por isso, é necessário avaliar se o tumor está apenas dentro do olho, ou seja, se é intra-ocular, ou atingindo nervo óptico, se acomete apenas um ou dois olhos, assim como se apresenta metástases ou não.

 As modalidades terapêuticas disponíveis para o tratamento deste tipo de tumor são: enucleação, termoterapia transpupilar - também conhecida como TTT, que se define como uma radiação infravermelha que provoca a hipertermia do tecido do tumor -, crioterapia - baseada em substâncias que rebaixam a temperatura do tecido -, laser, braquiterapia - terapia de aproximação ou inserção da fonte de radiação no paciente -, radioterapia externa e quimioterapia.          

Apesar de serem definidos por técnicas diferentes, o objetivo dos tratamento dos pacientes com retinoblastoma é sempre o mesmo: preservar a vida e a visão do paciente. Segundo o Hospital de Câncer de Barretos, a sobrevida para pacientes com esse tipo de tumor tem melhorado muito nos últimos anos, devido aos avanços com diagnósticos precoces e melhores opções terapêuticas.

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