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Programa de exercícios ajuda a baixar a glicemia

Revisão de estudos publicada por médica brasileira mostra que programas estruturados são melhores do que o aconselhamento médico

The New York Times | 06/05/2011 10:32

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Foto: Getty Images Ampliar

Exercícios: programa regular e orientado reduz mais as taxas de glicose do que apenas aconselhamento médico

Pessoas com diabetes tipo 2 tiveram uma queda maior da glicemia (taxa de glicose no sangue) por meio de um programa estruturado de exercícios do que com o simples aconselhamento médico sobre atividades físicas.

Os dados são de uma recente revisão de testes clínicos liderada por uma pesquisadora brasileira. Após a análise dos resultados de 47 ensaios clínicos randomizados, a equipe de pesquisa constatou que a prática de exercícios físicos por períodos mais longos foi mais eficaz na redução da taxa glicêmica do que a realização de exercícios mais intensos.

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“Pessoas com diabetes tipo 2 deveriam praticar exercícios de forma regular, de preferência em um programa com supervisão. Se tais pacientes conseguissem realizar mais de 150 minutos semanais de treino, os benefícios seriam maiores para o controle da glicemia. Entretanto, se não for possível alcançar esta meta semanal, exercícios em menor quantidade também são benéficos”, disse Beatriz Shaan, do Hospital das Clínicas de Porto Alegre e autora do estudo.

Os ensaios clínicos incluídos na análise atual foram realizados com mais de 8.500 participantes. Para o estudo, foi utilizado o teste de dosagem da hemoglobina A1C (HbA1C) para avaliar a eficácia do tratamento determinado.

O teste de A1C é uma medida de controle do açúcar no sangue em longo prazo. Ele oferece uma média da taxa de glicemia em um período de dois a três meses, com resultados expressos em termos de percentual. Geralmente, o resultado inferior a 6% é considerado normal. Os diabéticos costumam apresentar níveis mais altos que este. A Associação Americana do Diabetes recomenda que os diabéticos se esforcem para baixar a taxa de A1C para menos de 7%.

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De acordo com o estudo, as recomendações atuais para as pessoas com diabetes tipo 2 é de pelo menos 150 minutos semanais de atividades aeróbicas de intensidade moderada, e treino de resistência, como musculação, três vezes por semana.

“Sempre dizemos aos pacientes, mesmo aos não diabéticos, sobre a importância dos exercícios físicos. Mas, não oferecemos uma visão mais estruturada de como realizá-los. Seria bom se pudéssemos prescrever aos nossos pacientes um programa de exercícios a ser seguido”, disse Joel Zonszein, diretor do centro clínico do diabetes do Montefiore Medical Center, de Nova York.

A análise atual comparou um grupo de pessoas com diabetes tipo 2 que participou de um programa estruturado de exercícios a um grupo controle que apenas foi aconselhado em relação à prática de exercícios. O programa deveria oferecer exercícios planejados e individualizados, com supervisão.

De acordo com o estudo, os participantes do segundo grupo foram aconselhados a realizar exercícios e receberam instruções de como realizá-los, mas não participaram de um programa com supervisão, ou participaram apenas parcialmente de um programa deste tipo.

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Os participantes do primeiro grupo realizaram exercícios aeróbicos e treinamento de força, apresentando uma queda no teste A1C de 0,67% superior em relação ao grupo controle. Além disso, os programas de exercícios estruturados com duração de mais de 150 minutos semanais resultaram em uma queda média de 0,89% em comparação ao grupo controle.

Por outro lado, o grupo que não recebeu supervisão dos exercícios apresentou uma redução média do A1C de 0,43%. Quando combinado ao aconselhamento nutricional, a queda de A1C deste grupo foi de 0,58%.

“Os exercícios aprimoram a sensibilidade à insulina, melhorando seu funcionamento”, explicou Zonszein.

Em um artigo que acompanhou a publicação do estudo, Marco Pahor, da Universidade da Flórida, sugeriu que as empresas de planos de saúde deveriam considerar o reembolso dos custos de programas de exercícios estruturados ou mensalidades de academias.

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Ele ressalta que um estudo mostrou que idosos que frequentavam uma academia por mais de duas vezes semanais durante dois anos apresentaram uma redução de custos de US$1.252 em comparação aos idosos mais sedentários.

“Dados os benefícios dos exercícios físicos na prevenção do diabetes, no tratamento do diabetes tipo 2 e no aprimoramento da saúde geral de adultos e idosos, talvez seja hora dos planos de saúde considerarem o reembolso de programas de exercícios”, escreveu Pahor.

Zonszein concorda com Pahor. “Isso é importante, mas não é algo que recebe a devida atenção de nosso sistema de saúde atual. Temos cobertura de diálises e cirurgias cardíacas, mas não de atividades físicas para prevenir complicações”, disse ele.

* Por Serena Gordon

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