As visitas de manicure e cabeleireira deram à paciente o bem-estar que ela tanto precisava para melhorar

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Um acidente de carro fez a moça de pouco mais de 20 anos passar por mais de 17 cirurgias. “Ela havia quebrado quase todos os ossos do corpo, da cabeça aos pés”, lembra o médico Marcos Knibel, ex-presidente da Assãociação Brasileira de Medicina Intensiva (AMIB). Foi a história mais marcante de sua experiência de 30 anos como médico de UTI.

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“Um dia fui fazer a visita médica e ela estava muito mal-humorada. Ainda estava respirando com ajuda de aparelhos, mas com um esforço sobrenatural pediu para falar comigo”, lembra Knibel.

“Disse que estava sentindo-se feia, desarrumada e perguntou se não era possível uma manicure ou uma cabeleireira passar por lá.”

Foi um pedido inédito para o médico. Em conversas com as assistentes sociais do hospital, eles decidiram criar um programa de "dia de beleza" na terapia intensiva.

“Enfim, depois de um tempo, a moça saiu da UTI foi para o quarto. Ficou em um leito ao lado de uma senhora que, diariamente, recebia a visita de um dos netos”, conta o especialista. O cuidado com a beleza acontecia simultaneamente aos cuidados clínicos, trazendo mais bem-estar para quem precisa ficar preso a uma cama hospitalar.

“Papo vai, papo vem, percebemos que aquele neto passou a frequentar o hospital não só por causa da avó, mas também pela jovem”, diz Knibel.

O resultado? A moça teve alta hospitalar já com namorado novo. Dois anos depois, casou com aquele dedicado visitante. Em seu agradecimento aos médicos que deram tanta atenção a ela, disse que o dia “mais feliz da vida havia sido aquele que ela pintou as unhas e arrumou os cabelos.”

“Isso resume o que é a UTI. É claro que foi a tecnologia e o cuidado intensivo que salvaram a vida daquela moça. Mas o que fica para o doente, o que importa mesmo, é a forma como ele é tratado. Como um ser humano”, define o especialista que atua no Rio de Janeiro.

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