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As vacinas não estão mais eficazes, portanto as pessoas que tomaram uma dose há uma década continuam tão protegidas quanto aquelas que acabaram de ser vacinadas, diz OMS

Agência Estado

Pressionada pela falta de vacinas contra a febre amarela no mundo e com resultados de estudos científicos recentes em mãos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciará nesta sexta-feira, 17, nova recomendação aos governos: a suspensão da segunda dose, hoje aplicada dez anos após a primeira.

Segundo OMS, das 600 milhões de doses aplicadas ao redor do mundo, apenas 12 pessoas realmente precisariam tomar uma segunda dose da vacina
Thinkstock/Getty Images
Segundo OMS, das 600 milhões de doses aplicadas ao redor do mundo, apenas 12 pessoas realmente precisariam tomar uma segunda dose da vacina

Segundo a OMS, pesquisas apontam que apenas uma dose da vacina é suficiente para imunizar uma pessoa contra a febre amarela durante toda a vida. A proposta será apresentada na próxima semana aos governos e a OMS espera sua aprovação.

Desde o início das campanhas de vacinação, em 1930, 600 milhões de doses já foram aplicadas ao redor do mundo. De acordo com dados da OMS, desde então foram registrados apenas 12 casos de pessoas que realmente precisariam tomar uma segunda dose da vacina.

A OMS insiste em que as vacinas não se tornaram mais eficazes nos últimos anos e, por isso, pessoas que receberam o imunizante há uma década, por exemplo, estariam tão protegidas quanto alguém que acaba de ser vacinado.

"As vacinas não mudaram. Foi o acúmulo de informação que nos fez chegar a uma nova conclusão científica", declarou Philippe Douclos, representante científico da OMS.

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Em grande parte da África, governos já garantem apenas uma dose por pessoa. Na América Latina, a prática ainda aponta para um reforço a cada dez anos.

Douclos reconhece que cada país terá liberdade de adotar a sugestão ou não. Mas não esconde que espera que o governo brasileiro faça uma revisão de suas práticas e aceite a proposta.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que até o momento mantém a recomendação de aplicar os reforços da vacina a cada dez anos. Também ressaltou que o risco de eventos adversos é menor nas doses de reforços.

O Brasil é um dos 44 países onde a febre amarela continua endêmica e, segundo dados da OMS, apenas 64% da população nas áreas afetadas está imunizada no País. A informação também deve afetar turistas, pois a vacina atualizada é uma das exigências para entrar no Brasil.

Produção

Se parte da decisão é médica, outra parte é econômica. Hoje, apenas quatro empresas no mundo produzem a vacina em escala e com qualidade. Uma delas é a Bio-Manguinhos, localizada no Rio.

Diante de preços baixos e de um mercado concentrado apenas nos países mais pobres, empresas farmacêuticas não investem na produção dessas vacinas. Hoje, a capacidade anual chega a apenas 100 milhões de doses, insuficiente caso países como a Nigéria embarquem nos próximos anos em uma imunização em massa da população.

Douclos aponta que a redução da necessidade de duas doses em um país poderá liberar recursos e espaço para que o imunizante chegue a outras regiões. Ele insiste, porém, que esse não é o motivo da decisão.

Oficialmente, 200 mil casos de febre amarela são registrados anualmente no mundo, com 30 mil mortos. Mas a OMS suspeita que o número seja bem maior.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

* colaborou Giovana Girardi

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