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Segundo órgão, anticorpos que fizeram efeito em sobrevivente poderia ser transferido por transfusão de sangue a infectado

Na tentativa de acabar com a epidemia do ebola, que já matou mais de 2 mil pessoas principalmente no oeste da África, a OMS (Organização Mundial da Saúde) passou, nesta sexta-feira (5), a recomendar a adoção de tratamentos que envolvam o uso do sangue de pessoas curadas.

Veja fotos da epidemia que já matou mais de 2 mil na África Ocidental:

O corpo humano consegue produzir os anticorpos necessários para combater uma infecção causada pelo ebola. Assim, em teoria, os anticorpos que já fizeram efeito em um sobrevivente do vírus podem ser transferidos pelo sangue a um paciente doente, ajudando seu sistema imunológico a resistir ao vírus.

"Existe uma chance real agora de que um produto derivado do sangue de pessoas curadas possa ser efetivo no tratamento de pacientes", disse Marie Paule Kieny, uma das diretoras da OMS. "Nós concordamos que a terapia com sangue pode ser usada para tratar o vírus do ebola e precisamos colocar todos os nossos esforços para ajudar países infectados."

"Várias pessoas sobreviveram ao vírus e estão bem. Elas podem doar um pouco do seu sangue para tratar as outras pessoas que ainda estão doentes", reforçou a médica.

Não há dados em grande escala sobre a eficiência de uma terapia com sangue, já experimentada no passado. Estudos feitos em um surto do ebola em 1995, na República Democrática do Congo, indicaram que sete de um total de oito pessoas sobreviveram à doença após terem recebido um tratamento usando sangue de pessoas que sobreviveram ao mal.

Um grupo de estudiosos realizou uma reunião para avaliar as terapias experimentais existentes para conter o ebola, entre elas tratamentos com sangue.

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Cerca de 150 especialistas passaram os últimos dois dias investigando como acelerar os testes dos remédios experimentais para poder disponibilizá-los o mais rápido possível no oeste da África.

Jesse Goodman, que faz parte do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, participou da reunião. "Esta é uma oportunidade única para identificar como os novos tratamentos e vacinas podem realmente ajudar as pessoas e, em seguida, potencialmente, acelerar a sua utilização", disse.

No entanto, a OMS alertou que todas as discussões sobre tratamentos experimentais não deve prejudicar os métodos já comprovados de controle de infecção que derrotaram todos os surtos anteriores.

Ainda não há nenhum remédio clinicamente comprovado ou vacina para tratar o ebola, mas há muitos que estão sendo desenvolvidos e em fase de testes.

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Vacina
Nesta semana, testes de uma vacina do ebola começaram nos Estados Unidos. Eles devem ser estendidos para outros centros - no Reino Unido, em Mali e em Gâmbia - nas próximas semanas.

A OMS disse que os dados de segurança necessários para aprovar a vacina estarão prontos até novembro e, caso ela se mostre segura e efetiva, poderá ser usada no oeste da África imediatamente.

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Médicos, enfermeiros e outras pessoas que trabalham diretamente com pacientes que têm o vírus serão prioridade na distribuição da vacina, segundo a OMS. Remédios experimentais, como o Zmapp, que já foi usado em sete pacientes, também estão em testes.

No entanto, o estoque de todos os remédios experimentais criados até agora é muito limitado. A OMS disse que está concentrando esforços para aumentar a produção, mas isso deve levar vários meses.

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