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Sexto país a registrar presença do vírus, Mali manteve aberta sua fronteira com a Guiné devido à falta de saída para o mar

Autoridades da Mauritânia afirmaram neste sábado (25) que a fronteira com o Mali foi fechada após a confirmação de mais um caso de ebola no país da África Ocidental. A confirmação do infectado ocorreu próxima à divisão entre as duas nações, ambas entre as mais pobres do mundo.

Diretor-médico em Kobenni, cidade no Leste da Mauritânia, Limame Ould Deddeh confirmou que o governo em Nouakchott tinha enviado ordens para fechar todas as passagens terrestres. Uma segunda autoridade do país corroborou a informação.

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O presidente Ibrahim Boubacar Keita, do Mali, disse mais cedo que seu país não fecharia a fronteira com a Guiné, apesar do caso de ebola em seu país.

Perigo no Mali
Segundo a investigação do primeiro caso registrado no Mali, a garota viajou centenas de quilômetros pelo país adentro, incluindo uma passagem pela capital, Bamako. Ela transitou todo esse tempo em transporte público, potencialmente expondo muitas pessoas ao vírus, antes de ter morrido na cidade de Kayes, no Oeste do Mali, na sexta-feira (24).

Keita afirmou que o incidente mostrou que é impossível selar completamente o país do ebola, mas afirmou que permanece calmo, porque o caminho percorrido pela menina e seus possíveis contatos já foram rastreados.

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"A Guiné é vizinha de Mali. Temos uma fronteira compartilhada que não fechamos e não fecharemos", reforçou o presidente em entrevista à rádio França RFI. O Mali, que não tem acesso ao mar, depende dos portos de Senegal, Guiné e Costa do Marfim para importar bens de consumo. Há poucos dados precisos, mas o fechamento de fronteiras de países buscando se proteger da epidemia teve um efeito econômico negativo.

Keita afirmou que a avó da menina cometeu um erro ao ir a um funeral em Guiné, onde mais de 900 pessoas morreram pelo ebola, e depois tê-la trazido de volta ao Mali. "Estamos pagando diariamente por isso. Mas acho que isso causará mais medo do que qualquer outra coisa. O caso foi rapidamente contido", disse.

Especialistas locais e internacionais estão levando suas equipes para o Mali para ajudar a conter a epidemia no sexto país africano a registrar um caso de ebola neste ano. Senegal e Nigéria contiveram a doença recentemente e foram declarados livres do vírus.

Presidente do Mali, Boubacar Keita fala na 69ª Assembleia Geral da ONU, no mês passado
Reuters
Presidente do Mali, Boubacar Keita fala na 69ª Assembleia Geral da ONU, no mês passado

Pelo menos 4.922 pessoas morreram em decorrência do surto, a maioria em Guiné, Libéria e Serra Leoa, embora os números reais possam ser até três vezes maiores devido a casos que possam não ter sido reportados.

Mais de 10 mil pessoas foram infectadas pela doença, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mas especialistas da ONU alertam que esse número pode crescer exponencialmente nas próximas semanas se a resposta global à doença não se traduzir em ação.

Diplomatas e especialistas dizem que a garota tinha sintomas de ebola e viajou por quatro dias antes de ser diagnosticada com a doença, no dia 23 de outubro. O vírus é contagioso assim que os sintomas aparecem.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que 43 contatos com a garota foram identificados e isolados. Mas uma autoridade médica de Mali, que pediu para não ser identificada, disse estimar em ao menos 300 o número de pessoas qye tiveram contato com a criança. "Faremos o possível para evitar o pânico. Bamako está calma hoje", concluiu Keita.

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