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Dívida da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo é de cerca de R$ 800 milhões; recurso liberado hoje será usado para compra de materiais e insumos que garantam atendimento do SUS

Caso repasse não fosse liberado, Santa Casa de SP suspenderia atividades na próxima sexta-feira
Maíra Teixeira/iG
Caso repasse não fosse liberado, Santa Casa de SP suspenderia atividades na próxima sexta-feira

A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo liberou emergencialmente nesta quarta-feira (24) mais R$ 3 milhões para socorrer a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, maior hospital filantrópico do Brasil, que vive uma crise de má gestão e irregularidades na utilização de verbas que pode chegar a um rombo entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o auxílio servirá para que a instituição possa comprar materiais e insumos, garantindo, desta forma, o atendimento à população usuária do SUS (Sistema Único de Saúde). "O dinheiro deve ser destinado aquisição de itens essenciais, como medicamentos, luvas, curativos, seringas e agulhas, entre outros", informou a secretaria em nota. Sem o repasse, a instituição teria de suspender as atividades na próxima sexta-feira.

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A liberação do auxílio extra foi decidida depois que a pasta avaliou a situação de insolvência da Irmandade com fornecedores.

Em julho deste ano, a secretariajá havia destinado R$ 3 milhões para que o pronto-socorro da Santa Casa pudesse ser reaberto. À época, o PS ficou fechado durante 28 horas por decisão da provedoria da instituição.

Desde 2011 o governo do Estado repassou R$ 646,2 milhões em recursos do tesouro para a Santa Casa, além do que a entidade já recebe do Ministério da Saúde para prestar assistência aos pacientes do SUS.

Na terça-feira (23), a Mesa Diretora da Santa Casa autorizou a utilização de um imóvel  na Avenida Paulista como garantia de um empréstimo de R$ 44 milhões pedido à Caixa Econômica Federal. Os recursos serão utilizados primordialmente para pagamento de salários atrasados e o 13º, segundo informou a asessoria de comunicação da Santa Casa. A instituição afirma que o empréstimo já está em fase adiantada com o banco e a expectativa é de que os recursos sejam liberados em janeiro. 

Apenas 30 das 50 pessoas que compõe a Mesa Diretora estavam presentes na reunião. Elas também deliberaram pela aceitação do afastamento do provedor, a partir do dia 6 de janeiro. No domingo (21), Kalil já havia pedido o afastamento, após denúncias de superfaturamento de obras e materais e de o Ministério Público recomendar que ele deixasse a instituição.

Em nota oficial, a Santa Casa informou que o advogado Kalil Rocha Abdalla, de 73 anos, pediu afastamento para dar espaço uma sindicância interna no hospital. Ele deve permanecer fora por 90 dias.

Kalil vinha sendo pressionado por funcionários e membros da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia a deixar o cargo. O hospital, que é uma instituição filantrópica, está afundado em dívidas de mais de R$ 800 milhões, segundo auditoria recente. Essa crise financeira foi agravada na gestão de Kalil, quando o débito passou de R$ 80 milhões para bem mais de R$ 800 milhões.

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