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Rins foram transplantados e salvaram a vida de um adulto; mãe estava na 12ª semana de gravidez de gêmeos quando recebeu a notícia que um deles estava com uma doença fatal

Teddy (à esq. de seu irmão Noah) viveu por apenas cem minutos
BBC
Teddy (à esq. de seu irmão Noah) viveu por apenas cem minutos

Um bebê recém-nascido, que viveu por menos de duas horas, se transformou no doador de órgãos mais jovem da Grã-Bretanha.

Médicos da Hospital da Universidade do País de Gales, em Cardiff, fizeram uma cirurgia inovadora apenas três minutos depois da morte de Teddy Houlston, no dia 22 de abril de 2014.

Os rins do bebê foram então transplantados e salvaram a vida de um adulto em outra cidade britânica, Leeds. Os pais de Teddy, Mike Houlston e Jess Evans, disseram que queriam que as pessoas conhecessem o filho.

"Temos tanto orgulho dele", disseram os dois.

"Ele viveu e morreu como um herói. É impossível explicar o orgulho que sentimos dele", disse Mike Houlston em entrevista ao jornal britânico Daily Mirror.

Gêmeos
Jess Evans estava na 12ª semana de gravidez de gêmeos quando recebeu a notícia que um deles estava com uma doença fatal.

Teddy foi diagnosticado com anencefalia, um problema raro e letal que impede o desenvolvimento do cérebro e do crânio da criança.

Bebês que sofrem desta doença podem morrer ainda no útero, morrer no nascimento ou viver por apenas alguns segundos, minutos ou horas.

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Os médicos ofereceram ao casal a opção de um aborto, mas Jess não quis. "Pensamos que mesmo se tivéssemos um momento com ele, ou dez minutos ou uma hora, aquele tempo seria a coisa mais preciosa para nós", disse.

Enquanto a gravidez avançava, o casal decidiu que doaria os órgãos de Teddy.

Em entrevista à BBC Houlston afirmou que, inicialmente, eles foram informados de que não seria possível fazer um transplante, pois isto nunca tinha sido tentado antes.

Mas o casal ouviu com alegria a notícia de que o transplante dos órgãos do bebê foi bem-sucedido.

Jess Evans afirmou que o sucesso do transplante ajudou a família durante o luto.

"Saber que ele foi capaz de fazer este bem, um bem maior do que a maioria de nós fará em uma vida inteira - é impressionante como nos orgulhamos dele", disse.

"Ele é ainda parte de nossa família hoje, falamos dele todos os dias, nossos filhos falam dele, nossas famílias falam, sempre nos lembramos dele, ele está conosco o tempo todo", acrescentou.

'Minutos preciosos'
Recuperar os órgãos de crianças para um transplante é um procedimento raro e é ainda mais raro no caso de recém-nascidos, principalmente em casos de anencefalia.

Apesar da doença fatal, os rins de Teddy funcionavam perfeitamente enquanto o bebê estava no útero.

Angharad Griffiths, enfermeira especializada do setor de sangue e transplante do NHS (o serviço público de saúde britânico), que ajudou a completar o transplante, disse à BBC que acredita que um transplante parecido pode ser feito no futuro.

A enfermeira acrescentou que o transplante foi "desafiador", particularmente pelo fato de a equipe médica não saber se Teddy nasceria vivo.

Para Angharad, foi um "privilégio" estar presente na vida de Teddy e a curta vida do bebê foi "uma hora e meia de pura alegria".

"Havia tristeza na sala, naturalmente, (os pais dele) sabiam que iriam perder o bebê, eles sabiam que ele iria falecer, mas eles estavam muito felizes por ele ter nascido vivo e que eles tiveram aqueles minutos preciosos com ele e passaram aqueles minutos preciosos aproveitando a vida com ele", afirmou.

Processo complexo

Philippa Roxby, repórter de saúde da BBC, afirma que o processo de encontrar alguém na lista de espera que possa receber uma doação de órgãos é complexo: depende dos órgãos que estão sendo doados, das necessidades das pessoas esperando pelo órgão, o tipo de tecido, saúde da pessoa que vai receber e o local onde estão doador e beneficiado.

No caso dos rins de Teddy, que não foram afetados pela anencefalia, eles vão crescer dentro de outro corpo vivo, o que faz com que eles possam ser doados para um adulto e também para um bebê, afirmou a repórter.

O caso coloca em destaque a importância da doação neonatal de órgãos, como uma forma de aumentar o número de doadores no futuro.

"Esperamos que a história de Teddy inspire famílias que se encontrem na situação de perder um filho", disse Jess Evans, a mãe do bebê.

Segundo o jornal Daily Mirror, o casal visitou o túmulo de Teddy na quarta-feira, quando ele completaria um ano de idade, junto com o irmão sobrevivente, Noah.

O casal está incentivando as pessoas a se registrarem como doadoras no serviço público de saúde britânico e também levantando fundos para a instituição de caridade 2 Wish Upon a Star, que visa melhorar os serviços de apoio para pais que perderam bebês ou filhos.

No início de 2015, médicos do Imperial College NHS Trust de Londres reveleram que uma bebê de seis dias de idade teve os rins e células dos fígados doadas para dois receptores diferentes, depois que seu coração parou de bater.

Naquela ocasião, acreditava-se que ela era a mais jovem doadora de órgãos da Grã-Bretanha.

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