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Associação Cruz Verde afirma gastar R$ 16 milhões anualmente; parte vem do governo, o restante, de doações

Fundada há 56 anos, a Associação Cruz Verde abriga hoje mais de 200 pacientes permanentes
Mariana Gonzalez/iG São Paulo - 24.05.2016
Fundada há 56 anos, a Associação Cruz Verde abriga hoje mais de 200 pacientes permanentes



Responsável por suprir as necessidades de 204 pacientes permanentes, além de atender outros 18 mil nos ambulatórios de seus complexos, a Associação Cruz Verde convocou um evento para tentar arrecadar dinheiro com o objetivo de evitar fechar as portas em tempos de crise econômica no País.

Nas três unidades da associação – hospital, hospital-dia e ambulatório –, 300 funcionários e 50 voluntários trabalham diariamente para suprir as necessidades dos pacientes a um custo anual que chega a R$ 16 milhões, de acordo com a organização. Somente a lavanderia lava uma tonelada de roupas por dia e a cozinha serve 900 refeições

“Neste período de crise sofremos uma queda expressiva nas arrecadações. E, agora, o novo ministro da Saúde deu uma entrevista falando em cortar gastos. Sem a ajuda do SUS, fechamos as portas”, explica Flavio Padovan, presidente da associação, no evento para convocar empresários a fazerem doações, realizado em São Paulo, na terça-feira (24). 

Padovan faz referência ao recente anúncio do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), empossado pelo presidente em exercício Michel Temer, que anunciou que o Sistema Único de Saúde não teria condições de arcar com todos os direitos previstos pela Constituição – e que, por isso, seria necessário “rever o tamanho do SUS”.

Nos dias seguintes às ameaças de corte, o ministro voltou atrás e garantiu que o Sistema continuará funcionando normalmente, mas a redução de funcionalidades do SUS está prevista também no Ponte para o Futuro, documento que resume o plano de governo de Temer. Redigido pelo PMDB ainda antes do afastamento de Dilma Rouseff, o texto afirma ser "necessário acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, como no caso dos gastos com saúde e com educação”.

Flavio Padovan, presidente da Cruz Verde, está desenvolvendo campanhas para incentivar doações
Mariana Gonzalez/iG São Paulo - 24.05.2016
Flavio Padovan, presidente da Cruz Verde, está desenvolvendo campanhas para incentivar doações




Diante do cenário, a Cruz Verde teme perder o repasse e, sem ele, não ter como continuar funcionando. “Se a Associação fechar as portas, essas pessoas voltam para a rede pública, que não tem nenhuma estrutura para recebê-los”, explica a superintendente Marilena Pacios, que há mais de 20 anos se dedica voluntariamente à instituição. “Infelizmente, pacientes como os nossos, que sofrem de paralisia cerebral grave, não despertam interesse em termos de políticas públicas, isto é, não dão retorno ao governo."

A Associação Cruz Verde foi fundada há 56 anos e é referência no tratamento de paralisia cerebral no Brasil. Os 204 pacientes do hospital são permanentes, ou seja. vivem ali sem perspectiva de voltar para a casa da família. A maioria deles, que vão de recém-nascidos a adultos, foi abandonado pela família, sem recursos para tratar uma pessoa nessas condições – segundo Marilena, 70 pacientes recebem alimentação por sonda, cujo custo mensal fica chega perro dos R$ 40 mil. “Em 2015, fechamos as contas com dificuldade e, neste ano, já estamos preocupados com o segundo semestre”, diz Padovan.

Avisos mostram produtos que estão em falta na Associação Cruz Verde: ameaça de fechamento
Mariana Gonzalez/iG São Paulo - 24.05.2016
Avisos mostram produtos que estão em falta na Associação Cruz Verde: ameaça de fechamento

Como medida de prevenção, a Cruz Verde está investindo em campanhas de arrecadação de recursos com foco em pessoas e empresas. Segundo Padovan, os 50 voluntários que trabalham na instituição são suficientes para suprir algumas necessidades que o quadro de funcionários não dá conta. “Mas a casa está aberta para quem quiser visitar e contribuir de alguma forma”, ressalta.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que a prioridade da atual gestão é buscar a recomposição do orçamento de 2016. De acordo com a pasta, somente depois de dialogar com a equipe econômica, será possível avaliar as áreas afetadas.

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