Um estudo publicado no European Heart Journal aponta que indivíduos com diabetes tipo 2 têm risco até seis vezes maior de morte súbita cardíaca . O dado chama atenção não apenas pelo impacto sobre o risco cardiovascular, mas também diante do avanço da obesidade, um dos principais fatores associados ao surgimento da doença metabólica, no Brasil e no mundo.
No Brasil, os dados do Vigitel, sistema de vigilância do Ministério da Saúde, indicam que a obesidade mais que dobrou nas últimas duas décadas. Atualmente, mais de 60% dos adultos no país estão acima do peso. Enquanto no mesmo período de tempo, cresceram os casos de hipertensão e diabetes, doenças que aumentam de forma expressiva o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca.
De acordo com Flávia Pieroni, endocrinologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, a obesidade não se limita ao ganho de peso.
“Estamos falando de uma doença crônica que altera o metabolismo e mantém o organismo em estado de inflamação constante. Esse processo favorece a resistência à insulina, aumenta o risco de diabetes tipo 2 e provoca danos progressivos aos vasos sanguíneos, o que eleva de forma importante a chance de complicações cardiovasculares” , explica.
A cardiologista Fernanda Erthal, do laboratório Bronstein e da clínica CDPI, também da Dasa, no Rio de Janeiro, destaca que o excesso de peso impõe sobrecarga ao sistema cardiovascular.
Segundo ela, o aumento da massa corporal faz o coração trabalhar mais para bombear sangue, favorecendo a elevação da pressão arterial. Além disso, a gordura visceral, acumulada na região abdominal, está associada a um estado de inflamação crônica no organismo.
"Esse processo favorece o desenvolvimento de placas nas artérias e aumenta o risco de infarto, insuficiência cardíaca e outras complicações cardiovasculares. Manter um peso saudável é uma das formas mais importantes de proteger o coração ao longo da vida” , afirma.
Outro ponto destacado pela especialista é a mudança no perfil etário das doenças cardiovasculares . Se antes eram mais comuns após os 60 anos, hoje os profissionais observam ocorrências cada vez mais precoces, sobretudo entre pessoas que acumulam múltiplos fatores de risco metabólico, como obesidade, hipertensão e diabetes.
Diagnóstico precoce reduz riscos cardiovasculares
Manter o peso sob controle vai muito além da estética, é também uma estratégia importante para preservar a saúde cardiovascular . Identificar de forma precoce as alterações metabólicas e cardíacas possibilita intervenções capazes de reduzir a ocorrência de eventos graves.
Entre os exames mais indicados na prevenção estão a glicemia em jejum, a hemoglobina glicada e o perfil lipídico, importantes para identificar quadros como diabetes e colesterol elevado.
Na avaliação do coração, o médico pode ainda solicitar exames complementares para investigar fatores de risco e possíveis alterações estruturais ou funcionais.
"Entre os exames mais utilizados estão o ecocardiograma, que avalia a estrutura e o funcionamento do coração; o teste ergométrico, que analisa a resposta ao esforço físico; o MAPA, que monitora a pressão arterial ao longo de 24 horas; a angiotomografia de coronárias, capaz de identificar placas nas artérias de forma não invasiva; e a ressonância magnética cardíaca, que fornece imagens detalhadas das estruturas cardíacas” , explica Fernanda Erthal.
A indicação dos exames deve ser individualizada, de acordo com o perfil clínico de cada paciente. Quando solicitados de maneira adequada, contribuem para o diagnóstico precoce e orientam a melhor estratégia de acompanhamento e tratamento.
Para o Dia Mundial da Obesidade, especialistas reforçam que o tratamento do excesso de peso é uma medida essencial para interromper o ciclo de inflamação crônica, desequilíbrio metabólico e sobrecarga do sistema cardiovascular. A intervenção precoce aumenta significativamente as chances de prevenir complicações graves e potencialmente fatais.