Um estudo da Universidade de Helsinque, na Finlândia, divulgado em janeiro de 2026, analisou 14 mil mulheres gêmeas e concluiu que não ter filhos ou ter muitos filhos está associado a menor expectativa de vida e envelhecimento biológico mais rápido . Os pesquisadores explicam que, segundo a teoria do soma descartável, quando muita energia é dedicada à reprodução, sobra menos para a manutenção do corpo, afetando a saúde ao longo da vida.
A equipe dividiu as participantes em sete grupos, considerando número de filhos e idade ao parto. O estudo revelou que indivíduos com um número médio de filhos, entre dois e três, e gestações entre 24 e 38 anos apresentaram indicadores biológicos mais saudáveis, enquanto aqueles sem filhos ou com mais de seis filhos mostraram sinais de envelhecimento mais rápido.
A ausência de filhos associada a pior desempenho biológico ainda não tem explicação clara, podendo envolver fatores não avaliados, como condições médicas preexistentes.
“ Do ponto de vista da biologia evolutiva, os organismos têm recursos limitados, como tempo e energia. Quando grande parte dessa energia é investida na reprodução, sobra menos para os mecanismos de manutenção do corpo, o que pode reduzir a expectativa de vida ”, explica Mikaela Hukkanen, bióloga da Universidade de Helsinque.
Segundo a epigeneticista Miina Ollikainen, da Universidade de Helsinque, os efeitos do envelhecimento biológico podem ser detectados muito antes do que se imagina. “ Uma pessoa biologicamente mais velha do que sua idade cronológica apresenta maior risco de morte. Nossos resultados mostram que escolhas ao longo da vida deixam uma marca biológica duradoura, mensurável muito antes da velhice ", afirma Ollikainen.
Apesar das descobertas, os cientistas reforçam que se trata de associação populacional, e não de uma relação de causa e efeito. “Uma mulher individualmente não deve alterar seus planos ou desejos em relação aos filhos com base nessas descobertas”, disse Ollikainen.
*Estagiária sob supervisão