Superbactéria é multirresistente e há possibilidades de tratamento disponíveis
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Superbactéria é multirresistente e há possibilidades de tratamento disponíveis

Um bebê prematuro de 26 semanas morreu na UTI Neonatal do Hospital Fêmina. devido à complicações, após ser infectado pela superbactéria Acinetobacter baumannii, cepa classificada como “prioridade crítica” pela  Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o hospital, a bactéria encontrada na UTI Neonatal do Hospital Fêmina é multirresistente e sensível a antibióticos, que passaram a ser usados para o tratamento e combate imediatos.

Outros três bebês infectados se encontram em quadro estável e isolados.

Três equipes distintas foram mobilizadas para acompanhamento da situação. Uma atende pacientes sem nenhum contato com a bactéria, outra para os que tiveram contato, mas não positivaram, e uma terceira atende exclusivamente casos confirmados.

A bactéria foi identificada no dia 16 de abril, quando a UTI foi fechada para o recebimento de novos pacientes e assim segue até o momento.

Todos os órgãos de controle e regulação do sistema de saúde em Porto Alegre foram avisados.

Dos 34 pacientes internados no Fêmina e testados na ocasião, quatro positivaram para a bactéria. 23 pacientes já tiveram alta, informou o Hospital, que faz parte do Grupo Hospitalar Conceição (GHC).

Prioridade crítica

O hospital reforça que, apesar de ser uma superbactéria, ela ainda é sensível a antibióticos (não é pan-resistente), com possibilidade de opções de tratamento.

A cepa é listada como “prioridade crítica” para a Organização Mundial da Saúde, categoria que reúne bactérias com alto nível de resistência.

Tratamentos disponíveis

O iG entrevistou o médico Marcelo Daher, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, para entender mais sobre o os riscos da bactéria. 

Segundo Daher, a Acinetobacter baumannii é uma bactéria comum em ambientes hospitalares, especialmente em unidades de terapia intensiva, e representa maior risco para pacientes vulneráveis.

Além disso, por ser multirresistente, ainda existem classes de antibióticos disponíveis como opção de tratamento, as quais estão em uso, segundo o Grupo Hospitalar Conceição, do qual o Hospital Fêmina faz parte.

O infectologista faz a diferenciação entre a resistência elevada desta bactéria contra o cenário mais grave possível, que seria o de pan-resistência.

É uma bactéria multirresistente, ou seja, apresenta resistência a algumas classes de antibióticos, mas ainda existem opções de tratamento. Isso é diferente da pan-resistência, quando há resistência a todos os antibióticos disponíveis Marcelo Daher, médico consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia

Ele afirma ainda que este microrganismo é frequentemente associado a infecções graves em pacientes internados por longos períodos ou com condições clínicas delicadas.

A situação é mais complicada ainda pois, justamente em UTIs neonatais, há muitos pacientes vulneráveis, como bebês prematuros. 

O grande problema do Acinetobacter é justamente nas unidades hospitalares com pacientes que estão internados ou de longa permanência ou com algum problema de base mais sério. No caso de uma UTI neonatal, crianças prematuras ou crianças com problemas de base e que tem uma propensão maior a algo grave Marcelo Daher

O médico infectologista explica que esta bactéria é causa de quadros como pneumonia, infecção de corrente sanguínea e sepse (infecção generalizada).

Segundo ele, em situações com mais de um caso confirmado, como no cenário observado, medidas de isolamento são adotadas para conter a disseminação da bactéria dentro da unidade.

Isso inclui o bloqueio de novas internações, além de protocolos rigorosos de desinfecção do ambiente e de equipamentos que possam ter sido contaminados

O objetivo das ações é interromper a transmissão e permitir a retomada segura das atividades após a contenção do risco.

Grupo Hospitalar Conceição confirma ausência de novos casos

Em nota enviada ao iG, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) confirmou que não há novos casos e que três bebês são mantidos em tratamento no Hospital Fêmina.

Confira a nota na íntegra:

"O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) atualizou, nesta quinta-feira (23), a situação da UTI Neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre, após a detecção da bactéria Acinetobacter baumannii no último dia 16 de abril. Na ocasião, 34 bebês estavam internados na unidade, que abrange diferentes áreas.

Em uma dessas áreas, havia 15 recém-nascidos distribuídos entre as salas 0, 1 e 2. Um dos bebês, internado na sala 1, apresentou resultado positivo para Acinetobacter baumannii em hemocultura e veio a óbito.

Os outros 14 foram testados, e três – todos da sala 1 –  também tiveram resultado positivo. Outros dois, da mesma sala 1, seguem em monitoramento, aguardando o resultado dos exames. Os demais, das salas 0 e 2, tiveram resultados negativos e foram liberados.

Os pacientes com resultado positivo permanecem internados, em estado estável, em tratamento com antibióticos e sob isolamento, com equipe assistencial exclusiva.


A cepa identificada é multirresistente, porém sensível aos antibióticos já em uso. Não se trata de uma bactéria pan-resistente.

Desde a confirmação do caso, o hospital suspendeu temporariamente novas internações na UTI Neonatal, notificou os órgãos de saúde e reorganizou a assistência em áreas separadas, com equipes exclusivas, além de reforçar os protocolos de controle de infecção.

Não houve registro de novos casos, e a situação está sob controle, sem indícios de disseminação. O restante do hospital segue operando normalmente. A reabertura da UTI Neonatal será definida em conjunto com a Vigilância em Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, conforme a evolução dos pacientes e dos resultados dos exames".

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