
O hantavírus, transmitido por roedores silvestres e identificado em seis passageiros a bordo de um navio que saiu da Argentina em direção a Cabo Verde, causa uma doença chamada hantavirose. No Brasil, em 2026, foram 7 casosconfirmados até agora, com 1 morte em Minas Gerais.
Em humanos, o vírus pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).
Ele ocorre pela inalação de aerossóis presentes na urina, saliva e fezes dos animais infectados, pelo contato do vírus com olhos, nariz ou boca e por cortes na pele causados pelos roedores além da transmissão pessoa a pessoa, documentada na Argentina e no Chile, referente ao hantavírus Andes.
O cenário que chamou atenção recentemente envolve o andevírus, um subtipo já conhecido e previamente descrito na literatura médica por possuir potencial de transmissão entre pessoas, inclusive com registros de pequenos surtos. Ou seja, essa possibilidade já era mapeada pela comunidade científica. O que chamou atenção agora foi o fato de a transmissão ter ocorrido dentro de um navio de cruzeiro, algo considerado incomum e fora do padrão habitual da doença. Adelino Melo Freire Junior, médico infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Os sintomas da doença são febre, fadiga, dores de cabeça, dores musculares, calafrios, tonturas e problemas abdominais.
Segundo Adelino, os sintomas iniciais do hantavírus podem ser semelhantes da dengue, gripe e da Covid-19, o que pode dificultar a diferenciação logo nos primeiros dias.
No caso do hantavírus, quando há evolução para formas mais graves, o quadro costuma progredir principalmente para comprometimento pulmonar importante, com sintomas como prostração intensa, falta de ar e dificuldade respiratória. Nessa fase, a doença acaba se aproximando mais da influenza e da Covid-19 do que da dengue. Por isso, diante de sintomas respiratórios mais severos, é fundamental procurar avaliação médica para realização de exames e confirmação diagnóstica. Adelino Melo Freire Junior
Ele ainda afirma que o hantavírus não é considerado um vírus com alta taxa de mutação. Por isso, até o momento, a principal preocupação não está relacionada ao surgimento de variantes com maior capacidade de transmissão ou de provocar quadros mais graves, como aconteceu durante a pandemia de Covid-19.
A doença no Brasil
No Brasil, em 2026, os 7 casos confirmados até agora, com 1 morte no território mineiro, segundo o Ministério da Saúde, indicam redução.
A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul está investigando uma morte suspeita.
O vírus circula há décadas no país, com os primeiros casos datados em 1993, com confirmação de pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz.
De 1993 a 2024, foram registrados 2.337 e casos confirmados e 937 mortes.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, em 2025 foram 35 casos e 15 mortes, menor número desde o início da série histórica recente.
Em relação ao Brasil, não existe, neste momento, um aumento expressivo de casos. Os registros seguem ocorrendo de forma pontual em diferentes estados. O hantavírus é conhecido há bastante tempo e já possui circulação documentada em regiões como Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, São Paulo e outros estados brasileiros. O subtipo de hantavírus que circula no Brasil, de forma geral, não apresenta transmissão entre humanos. Adelino Melo Freire Junior
Além disso, o MS acrescentou que os casos ocorridos no cruzeiro MV Hondius, não representam risco de disseminação no território brasileiro.
Tratamento e prevenção
A hantavirose não possui antiviral ou vacina aprovada. Mas a Organização Mundial da Saúde, recomenda a realização de medidas que podem contribuir para prevenção do vírus:
- Vedação de rachaduras e buracos nas residências
- Limpeza segura de áreas contaminadas:
- Usar máscara N95
- Usar luvas de proteção
- Ventilar áreas antes de limpar
- Não varrer ou aspirar (aerosoliza partículas)
- Umedecer superfícies antes de limpar
- Evitar contato com roedores vivos ou mortos
- Manter áreas limpas e bem ventiladas
*Estagiária sob supervisão